Nota Histórico-Artistica
Castelo Novo aparece na documentação medieval a partir de inícios do século XIII. Ao que tudo indica, em 1202, reinando D. Sancho I, D. Pedro Guterres terá atribuído foral à aldeia de Alpreada. Seis anos mais tarde, no testamento deste nobre, a localidade já é referenciada como Castelo Novo. Por estes dados, admite-se que o arranque do projecto de arquitectura militar que deu origem ao castelo actual se tenha situado naquela primeira década do século XIII. Em 1223, no foral de Lardosa, o castelo já é mencionado (NEVES, 1975, pp.22-23), o que sugere estar este, senão terminado, pelo menos em adiantado estado de construção.
A configuração geral da estrutura, como hoje se conhece, não pertence a essa primeira época, em que se terá erguido um castelo de tipo românico, com torre de menagem isolada no centro do pátio. No reinado de D. Dinis, o monumento foi intervencionado, actualizando-se a estrutura à tipologia gótica. O que resta apresenta características vincadamente góticas: a cerca é de perfil oval, típico das vilas novas criadas por D. Afonso III e D. Dinis; a torre de menagem (actual torre sineira) associa-se à linha de muralha, o que favorece uma interpretação também a caminho do século XIV, em que as torres defendiam activamente os panos da cerca. Esta era protegida por outras torres, de que ainda se conservam ruínas de uma delas, associada a um pano de muralha coroado por ameias e adarve. O conjunto comunicava com o exterior através de duas portas, sendo a principal também gótica, de perfil harmónico, com corpo central de dois andares (portal e varandim de matacães) ladeado por duas torres.
Não consta que Castelo Novo tenha desempenhado um efectivo papel militar, uma vez que, no reinado de D. Manuel, o seu castelo já se encontrava em ruínas. A localidade desenvolveu-se à sombra do castelo e o seu traçado urbanístico apresenta ainda uma configuração geral medieval, de ruas estreitas e sinuosas, serpenteando a colina. Fora de portas, a principal praça revela os símbolos de D. Manuel, em particular o pelourinho, de fuste torso e remate piramidal, assente sobre plataforma de seis degraus octogonais.
Diante dele, da parte do castelo, ergue-se a Casa da Câmara, cujo actual aspecto deve datar dos séculos XVI-XVII. É o principal edifício público e o seu impacto urbanístico não deixa de se fazer sentir, beneficiando do declive natural da praça. Possui planta longitudinal, de dois andares, o primeiro aberto originalmente por arcadas de arcos abatidos (posteriormente subvertidas pelo adossamento de um chafariz barroco) e o segundo integrando vãos rectangulares e quadrangulares dando para uma varanda nobre. Esta diferenciação tem conteúdo funcional, desempenhando as dependências do piso inferior as funções de cadeia e, as do segundo andar, as de salão camarário. Depois da extinção do concelho, o edifício passou a ser uma escola.
Esta praça é fechada pelo Solar dos Gamboas, uma importante casa barroca, com fachada monumental e desenvolvimento planimétrico em "U". No século XVIII Castelo Novo conheceu um período de crescimento, que coincidiu com a instalação de algumas famílias nobres na localidade. Anexa à fachada principal da Câmara, construiu-se o chafariz de D. João V, com os seus dois andares e vocabulário estilístico que contrasta com a aparente rudeza dos paços do concelho. No sector oposto da vila, reedificou-se a igreja matriz, obra datada da primeira metade do século XVIII. E o valor estratégico da água continuou com a construção do chafariz da Bica, igualmente barroco e localizado na segunda praça da vila, já a caminho do sopé do monte.
Castelo Novo é, na actualidade, uma emblemática aldeia histórica da Beira Interior, cujo verdadeiro conhecimento se faz percorrendo as suas ruas. Para além do castelo e da praça principal, muitas outras vias escondem pormenores arquitectónicos que revelam a marcha das obras e dos homens na localidade, com especial interesse para os vestígios manuelinos e seiscentistas.
PAF
Diploma de Classificação
Despacho de 8-11-2022 do diretor-geral da DGPC a determinar a devolução do processo à DRC do Centro para propor desde já a alteração das restrições, de forma a prosseguir para a 2.ª fase do procedimento, atendendo a não haver alteração da delimitação
Proposta de 27-03-2021 da DRC do Centro para a abertura de procedimento de alteração da categoria de classificação para CIN/MN
Portaria n.º 606/2020, DR, 2.ª série, n.º 203, de 19-10-2020 (com ZNA, ASA e restrições urbanísticas) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 30-01-2020 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 154/2019, DR, 2.ª série, n.º 175, de 12-09-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 5-06-2019 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 8-05-2019 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 19-04-2018 da DRC do Centro para a classificação como CIP
Parecer favorável de 15-03-2018 da CM do Fundão
Em 2-03-2018 a DRC do Centro solicitou à CM do Fundão parecer sobre a sua proposta de classificação como CIP
Anúncio n.º 289/2014, DR, 2.ª série, n.º 236, de 5-12-2014 (ver Anúncio)
Despacho de 20-10-2014 do Secretário de Estado da Cultura a determinar a abertura de novo procedimento de classificação
Despacho de concordância de 2-10-2014 do diretor-geral da DGPC
Proposta de 3-09-2014 da DRC do Centro para a abertura de novo procedimento de classificação
Proposta de 27-03-2014 da CM do Fundão para abertura de novo procedimento de classificação
Procedimento caducado nos termos do artigo 78.º do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Despacho de homologação de 19-03-1981 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer favorável de 13-08-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC
Proposta de classificação de 30-07-1980 da DG do Turismo
Número do Processo
Não disponível