Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Bairro Estrela d'Ouro implanta-se na Graça, formando um conjunto irregular de habitações distribuídas por quatro arruamentos, as ruas Virgínia, Rosalina, Josefa Maria e Serra Vidal, que convergem com a R. da Graça, a este, e a R. Senhora do Monte, a sul. Construído entre 1907 e 1930, mantém a planimetria original, dividido por um eixo central a partir do qual se distribuem a Este a entrada do bairro pela R. da Graça, onde se situa o primeiro edifício Estrela d'Ouro, a R. Virgínia, que se distribui num L alojando uma das unidades habitacionais de planta em U características do bairro, a R. Serra Vidal, onde foi edificada uma vila fechada por portão, o antigo Cine Royal e o edifício que marca a entrada oposta do bairro, na R. Senhora do Monte e a Oeste o aglomerado da R. Rosalina, com dois conjuntos habitacionais em U e um bloco de prédios que lhes fica fronteiro, e o núcleo da Vivenda Rosalina, que dispunha também de entrada privada pela R. Senhora do Monte.
No conjunto urbano evidenciam-se as três unidades habitacionais principais de planta em U, divididas em dois pisos com galerias exteriores em ferro, de cor diferente em cada unidade, que sofreram poucas alterações estruturais, bem como a Vivenda Rosalina, composta por dois blocos habitacionais de piso térreo unificados pelo programa decorativo dispostos em torno de um pátio com lago. As habitações da Vila Serra Vidal são de piso térreo, e o núcleo da R. Josefa Maria é o mais heterogéneo, com casas de piso térreo e o edifício de dois pisos na entrada sul do bairro. A Vivenda Serra, na R. Senhora do Monte nº 20, era originalmente o portão de acesso à Vivenda Rosalina. Destacam-se ainda os elementos mais simbólicos do bairro, os painéis de azulejo que decoram as duas entradas identificando para a cidade o Bairro Estrela d'Ouro e o seu proprietário, com querubins e estrelas douradas dispostos como figuras de convite, e a composição central da R. Rosalina, recriando um fontanário público.
História
No início do século XX o perímetro de Lisboa expandiu-se com a construção de bairros destinados à pequena e média burguesia. No entanto, mantinha-se o problema do alojamento das classes menos abastadas, sem capacidade económica para habitar as novas zonas da cidade. Inicia-se então a construção de tipologias que se enquadram nos programas das vilas ou bairros; foi o caso do Estrela d'Ouro.
Agapito Serra Fernandes, empresário galego radicado em Lisboa, foi o promotor do bairro. Proprietário do prédio da R. da Graça, à entrada do bairro, habitava em 1904 a quinta "das Terras da Senhora do Monte", tendo decidido por estes anos transformar a propriedade num bairro económico. Embora subsistam poucos dados acerca da abertura das ruas, denominadas com os nomes da mulher e das filhas, e da construção dos núcleos habitacionais, sabe-se que em 1907 Serra Fernandes pediu autorização para edificar "um grupo de casas com rez-do-chão e 1º andar" para substituir as barracas existentes no terreno. Quando em 1909 o prédio da R. da Graça sofreu obras, o proprietário refere já a existência do bairro no projeto, pelo que se depreende que o conjunto habitacional estava concluído. O projeto tem sido atribuído ao arquiteto Norte Júnior, mas a investigação de arquivo revelou que os desenhos originais estão perdidos, pelo que a autoria permanece desconhecida.
Em 1917 Agapito Serra Fernandes decidiu remodelar a Vivenda Rosalina. Concluído em 1921, o projeto, não assinado, está muito próximo da obra coetânea de Norte Júnior, nomeadamente a fachada lateral dos Armazéns Abel Pereira da Fonseca, a que parece ter decalcado as formas.
Os últimos equipamentos que Agapito Serra Fernandes fez construir foram o edifício de dois pisos destinado a estabelecimento que torneja para a R. Senhora do Monte, em 1923, e o cinema Royal Cine, na R. da Graça, projetado por Norte Júnior em 1929.
Catarina Oliveira
DGPC, 2015
Diploma de Classificação
Declaração de Retificação n.º 490/2023, DR, 2.ª série, n.º 130, de 6-07-2023 (retificou a designação, corrigindo o acesso/morada) (ver Declaração)
Portaria n.º 240/2023, DR, 2.ª série, n.º 102, de 26-05-2023 (alterou a delimitação, reviu a classificação como CIP, com restrições, e redenominou-a para Conjunto constituído pelo Bairro Estrela d'Ouro, incluindo a antiga Vivenda Rosalina, jardim e horta, e o antigo Royal Cine) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 5-11-2020 do subdiretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 69/2019, DR, 2.ª série, n.º 73, de 12-04-2019 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 23-10-2018 da diretora-geral da DGPC
Parecer favorável de 10-10-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta final de 19-06-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC
Pedido de parecer de 14-01-2014 à CM de Lisboa, o qual não obteve resposta
Despacho de concordância de 13-01-2014 da diretora-geral da DGPC
Proposta de 8-01-2014 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para alteração da classificação
Portaria n.º 740-EC/2012, DR, 2.ª série, n.º 252 (suplemento), de 31-12-2012 (classificou o Bairro Estrela d'Ouro como CIP, sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 28-01-2008 da Ministra da Cultura manteve a delimitação
Parecer favorável de 19-03-2007 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 22-01-2007 da DR de Lisboa do IPPAR no sentido de ser mantida a área a classificar
Proposta de 14-02-2006 de um dos proprietários para alteração da área a classificar
Despacho de homologação de 3-02-2005 da Ministra da Cultura
Parecer favorável de 9-06-2004 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 4-12-2003 da DR de Lisboa do IPPAR para a alteração da área a classificar
Despacho de homologação de 29-05-1990 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 15-03-1990 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 31-07-1989 do IPPC
Processo iniciado em 1989 no IPPC
Número do Processo
Não disponível