Nota Histórico-Artistica
Implantado numa das principais artérias de Vinhais, o palácio dos condes com o mesmo nome acompanha e marca decisivamente o crescimento da vila que, desde muito cedo, extravasou as muralhas do castelo, expandindo-se em vários núcleos. Os principais edifícios deste aglomerado definem uma linha de desenvolvimento que tem início do convento de Santa Clara, de fundação quinhentista, continua no solar dos condes, setecentista, prolongando-se através do convento de São Francisco e da Igreja da Ordem Terceira, o primeiro instituído em 1751 e a última edificada entre 1770 e 1780.
A sua longa e bem proporcionada fachada impõe-se numa rua que conta com casas apenas num dos lados, conferindo-lhe uma grandeza e cenografia que reflectem a imagem de poder e de prestígio que os seus proprietários pretendiam transmitir.
É certo que o brasão, ao centro do alçado, somente pode ter sido aí colocado após 1847, ano em que D. Maria concedeu o título a Simão da Costa Pessoa, natural de Vinhais e com uma carreira militar de relevo, que já anteriormente havia sido distinguido com os títulos de Barão e Visconde. Todavia, pensamos que o solar é anterior, embora seja natural que nesta época tenha sido objecto de uma remodelação, capaz de tornar o edifício mais digno do título então recebido pelo proprietário. No interior, os vestígios de uma pintura no tecto de um dos compartimentos, é claramente neoclássica, remontando, com certeza, a esta campanha de obras.
À semelhança da grande maioria dos solares setecentistas, é na fachada que se concentra todo o dinamismo próprio do barroco. No caso de Vinhais, a procura da simetria é uma das marcas do imóvel, cujo alçado principal é seccionado por pilastras que definem três corpos: dois laterais, com porta e varanda de sacada de planta curva, apresentam uma configuração idêntica aos vãos que formam o eixo central, coroado pelo brasão, e para onde converge o ritmo de toda a composição. Um friso que percorre todo o alçado, marca a divisão entre os dois pisos, equilibrando as linhas verticais das pilastras e dos vãos do rés do chão e do andar nobre.
Numa das extremidades, a capela apresenta alçado diferenciado em relação ao da casa, mas conservando uma grande depuração. A fachada prolonga-se, ainda, pelo longo bloco que corresponderia às antigas cavalariças, este de traçado funcional e muito linear.
No interior, o espaço é distribuído em função da escadaria de lanço único, mas que se desdobra em dois, e que permite o acesso ao andar nobre, onde ainda se conserva um tecto de madeira, original.
Adquirido pela Câmara Municipal de Vinhais, o solar deverá ser objecto de uma intervenção com vista à sua de reabilitação como sede do município.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível