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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela de Santa Eulália

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela de Santa Eulália
Outras Designações
Capela de Santa Eulália (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A capela de Santa Eulália está ligada ao mosteiro de Refoios do Lima, instituição com provável origem no período condal, mas da qual não temos indicadores suficientes de caracterização. Parece certo que, na Baixa Idade Média, o cenóbio "viu muito alargada a sua influência", dispondo de uma vasta área fundiária e de uma assinalável importância regional (ALVES, 1982, pp.92-93). A construção da capela é ainda discutida, mas tudo leva a crer que tenha ocorrido em plena fase de afirmação do mosteiro.
Com efeito, não existem dados seguros acerca da época em que se levantou o templo, nem tão pouco informações sobre os seus patrocinadores e consequentes recursos. Durante muito tempo, pensou-se que a capela poderia datar do final do século XIV, a partir de uma leitura errada da inscrição funerária do abade Estêvão Lourenço (que se fez sepultar no interior, em arcossólio mandado fazer por si em 1292, e não em 1392, como a maioria dos autores entendeu), o que a colocaria num ponto terminal de construir "ao românico" (ALMEIDA, 1978, vol.2, p.256; 1987, p.116; GRAF, 1986, vol.2, p.41). No entanto, como teve oportunidade de salientar Mário Barroca, a inscrição diz apenas respeito ao arcossólio e, se o monumento se tivesse ficado a dever ao abade, então dificilmente "este facto não seria silenciado pela inscrição" (BARROCA, 2000, p.1090).
Também duvidosa é a função primeira da capela. A maioria dos autores, baseando-se no conteúdo sepulcral da epígrafe de 1292, equacionou uma vocação funerária. Mesmo Jorge Rodrigues, que não partilha da ideia de ter sido construída pelo Abade Estêvão Lourenço, admite que ela seja o resultado de "alguma família da mais antiga nobreza portucalense da região do Lima", eventualmente relacionada com a torre medieval dos Azevedos (RODRIGUES, 1995, p.306).
As respostas a estas questões estão longe de estar esclarecidas. Desde Manuel de Aguiar Barreiros que se tem colocado em paralelo esta capela com a de Moreira de Lima, especialmente pelas analogias da decoração dos modilhões (BARREIROS, 1926, p.46). O templo de Moreira de Lima apresenta também dificuldades de datação, mas é de crer que a actual configuração tardo-românica se deva aos finais do século XIII, não obstante as reservas de Ferreira de Almeida. Os finais de Duzentos coincidem, precisamente, com a intenção do abade Estêvão Lourenço se sepultar em Santa Eulália, indicadores que, conjugados, sugerem uma cronologia por esta altura.
As características da capela parecem confirmar esta tardia datação. Planimetricamente, o templo articula nave única com capela-mor quadrangular, mais baixa que o corpo e iluminada por estreitas frestas. O portal principal é em arco duplo em volta perfeita, com arquivolta exterior e impostas decoradas com semi-esferas. Encima-o uma fresta ligeiramente descentrada, terminando a empena em linha recta, sobre a qual deveria existir, originalmente, um campanário.
A principal característica do templo é a sua cachorrada. Os modilhões apresentam uma decoração variada, muito figurativa e humanizada, onde é possível reconhecer um relativo eruditismo, patente, por exemplo, nas duas figuras orantes que Jorge Rodrigues sugeriu tratar-se de "um casal de fundadores / doadores do pequeno templo" (RODRIGUES, 1995, p.305).
Na época moderna, várias foram as alterações verificadas. Da segunda metade do século XVI é o retábulo-mor, maneirista, de estrutura tripartida e integrando quatro tábuas. Um século depois, (re)fez-se a sacristia (cujo lintel do arco de passagem ostenta a data de 1677) e, muito provavelmente, o anexo Norte (que corre ao longo do corpo do templo). De uma cronologia avançada no século XVIII são os retábulos laterais, em talha dourada a anunciar já o rococó. Em adiantado estado de ruína nos meados do século XX, a Comissão Fabriqueira patrocinou uma campanha de obras que não obteve concordância da DGEMN (NOÉ, 1992, DGEMN on-line), mas que, em todo o caso, não parece ter adulterado significativamente o imóvel.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 44 675, DG, I Série, n.º 258, de 9-11-1962 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Ponte de Lima / Refóios do Lima
EN 202
Refóios do Lima -
Polícia:
LATITUDE
41.793448
LONGITUDE
-8.536513
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1090
1090).Também duvidosa é a função primeira da capela. A m
1292
1292, e não em 1392, como a maioria dos autores entendeu), o que a colocaria num ponto terminal de construir "ao româ...
1392
1392, como a maioria dos autores entendeu), o que a colocaria num ponto terminal de construir "ao românico" (ALMEIDA,...
1677
1677) e, muito provavelmente, o anexo Norte (que corre ao longo do corpo do templo).
1926
1926, p.46).
1962
1962 (ver Decreto) A capela de Santa Eulália está ligada ao mosteiro de Refoios do Lima, instituição com provável ori...
1978
1978, vol.2, p.256; 1987, p.116; GRAF, 1986, vol.2, p.41).
1982
1982, pp.92-93).
1986
1986, vol.2, p.41).
1987
1987, p.116; GRAF, 1986, vol.2, p.41).
1992
1992, DGEMN on-line), mas que, em todo o caso, não parece ter adulterado significativamente o imóvel.PAF
1995
1995, p.306).As respostas a estas questões estão longe de estar esclarecidas. D
2000
2000, p.1090).Também duvidosa é a função primeira da capela. A m
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Jornadas de um curioso pelas margens do Lima". O Arqueólogo Português, vol..XXVIII, pp.49-51 PEREIRA, Félix Alves Edição 1929 Lisboa
Arquitectura Românica de Entre Douro e Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1978 Porto
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Necrópoles e sepulturas medievais de Entre-Douro-e-Minho: séculos V a XV BARROCA, Mário Jorge Edição 1987 Porto
Epigrafia medieval portuguesa (862-1422) BARROCA, Mário Jorge Edição 2000 Lisboa
Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima BARREIROS, Manuel de Aguiar Edição 1926 Porto
Roteiro da Ribeira Lima AURORA, Conde de Edição 1959 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima", Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118 ALVES, Lourenço Edição 1982 Caminha
Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols. ALVES, Lourenço Edição 1987 Viana do Castelo
Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima) Edição 1974 Porto

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