Nota Histórico-Artistica
Conhecem-se poucas referências históricas relativas à Quinta de Manique, embora seja commumente referido que a propriedade pertencia, no século XVII, ao marquês de Minas. O núcleo mais antigo da casa deverá, efectivamente, reportar-se a esta centúria, incluindo-se aqui a capela e a cozinha. A ala restante é posterior. Nos interiores do imóvel, e nos jardins que o envolvem, ganha especial importância o vastíssimo conjunto de painéis de azulejo que incluem os revestimentos tipo "tapete", com padronagem seiscentista, as composições figurativas de cerca de 1740 e, por último, alguns exemplares polícromos de linguagem já rococó. Muito embora estes não possam datar com precisão as diversas fases construtivas de que o edifício foi objecto, permitem-nos, com relativa segurança, determinar uma série de campanhas decorativas.
Apesar de ligada à casa de habitação, a capela destaca-se por ter uma entrada independente, aberta para a via pública. A sua fachada encontra-se adossada ao muro da quinta, elevando-se através das duas torres sineiras com cúpulas semi-esféricas.
A galilé do primeiro registo é formada por três arcos, a que se sobrepõe, no registo seguinte, um balcão com balaustrada. A janela do coro, ao centro, é ladeada por nichos, figurando, entre estes vãos, dois painéis de azulejo representando passos da Paixão de Cristo. A composição é azul e branca, mas a moldura, sinuosa e com o motivo de asa de cesto característico do rococó, é já polícroma. Deverá ser o conjunto azulejar mais tardio. No interior, a nave e a capela-mor são cobertas por abóbada de berço. Os panos murários são revestidos, até à sanca, por azulejaria seiscentista dividida em dois padrões distintos. Na capela-mor destaca-se o retábulo, com colunas torsas, de mármore, mais tardio em relação ao restante equipamento decorativo.
No que diz respeito à casa, desenvolve-se em planta em forma de U, com alçados bastante austeros. Pautam-se por uma grande linearidade, embora alguns permitam um efeito de maior impacto, como acontece na fachada diante da qual se desenvolve o lago rectangular e, no pano seguinte, os jardins.
Nos interiores, a cozinha denuncia a sua maior antiguidade pelo revestimento azulejar, de época idêntica ao da capela, articulando diferentes padrões que cobrem as paredes e integram todos os vãos e outros pormenores arquitectónicos. Nas restantes salas, encontramos painéis de azulejo azul e branco, de cerca de 1740, com composições campestres ou cenas de caça. Os tectos em caixotões exibem composições geométricas, octogonais e triangulares, acompanhando a sanca e inscrevendo no mesmo desenho o mobiliário integrado, como acontece na sala de jantar.
Uma última referência aos jardins, entendidos como espaços a serem vividos e fruídos, beneficiando, como tal, de um vasto equipamento, onde se incluem pequenas fontes e bancos, ganhando especial interesse, neste caso, a fonte monumental.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 266/2010, DR, 2.ª Série, n.º 73, de 15-04-2010 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 3-09-2009 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 8-11-2007 do diretor-geral da DGPC
Parecer favorável de 31-10-2007 do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P.
Proposta de 17-08-2007 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como IIP
Edital n.º 227/07 de 8-05-2007 da CM de Cascais
Edital 196/2004 de 12-02-2004 da CM de Cascais
Despacho de abertura de 16-07-2003 da vice-presidente do IPPAR
Proposta de 12-07-2003 da DR de Lisboa do IPPAR para a abertura de procedimento de classificação da Quinta de Manique, ou Quinta do Marquês das Minas
Proposta de 9-12-1981 da CM de Cascais para a classificação do Palácio de Manique como VC