Nota Histórico-Artistica
Geograficamente ligado ao Rio Tâmega e às Serras do Marão e da Aboboreira, o território correspondente, na actualidade, ao concelho de Amarante destaca-se, não apenas pela beleza das suas paisagens, como pelos testemunhos da passagem e fixação de diferentes comunidades humanas ao longo dos tempos, numa evidência dos recursos cinegéticos que proporcionava à sua sobrevivência.
Mas estas terras distinguiram-se de igual modo pela forma como desenvolveram variantes regionais de alguns estilos arquitectónicos, a exemplo do românico que aqui assumiu uma expressão bem vincada, ainda que influenciada pelos conhecimentos procedentes de Santiago Compostela, que aqui chegavam através de Tui, cuja diocese dominou parcialmente o Alto Minho.
Não deixa de ser, no entanto, curioso que o Rio Tâmega funcionasse, nesta região, quase como uma fronteira que define duas áreas do românico, sendo que a localizada na margem esquerda exibe exemplares de linhas e decoração bastante mais simples, quando comparados aos erigidos na margem oposta, mais consonantes aos cânones gerais, de conteúdos e formas mais elaboradas.
Uma diversidade que poderá ser explicada à luz das diferenças observáveis no âmbito dos próprios recursos existentes, quer materiais, quer económicos (daqueles decorrentes), reveladas na própria estrutura de alguns templos.
É este o caso da "Igreja do Salvador, de Lufrei", templo medieval edificado em zona rural, porém na passagem dos denominados "Caminhos de Santiago", abrigando os peregrinos que os percorriam.
Construída num material - granito - que lhe conferiu um aspecto robusto e sóbrio, a igreja, com adro delimitado por pequeno muro pétreo e com arca tumular, terá sido fundada aquando do Mosteiro beneditino do Salvador de Lufrei, no século XII, até que, em quinhentos, as freiras foram transferidas para o convento de S. Bento de Avé Maria, na cidade do Porto ("Lufrei", 1976, p. 377).
De planta simples pavimentada e coberta com madeira, a nave única culmina no arco triunfal (sem lavores) que a separa da capela-mor. Aqui, surge o retábulo-mor executado em talha dourada e policroma tripartido por colunas com fustes decorados com acantos e querubins e capitéis coríntios, albergando, ao centro, tribuna emoldurada com motivos vegetalistas a enquadrar nicho de verga curva com trono de três degraus ladeado por painéis pintados representando S. Pedro, no lado do Evangelho, e S. Paulo, no lado da Epístola.
No exterior, sobressai o portal com duas arquivoltas apoiadas em bases salientes e sobrepujado por fresta rasgada em arco de volta perfeita.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 516/71, DG, I Série, n.º 274, de 22-11-1971 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível