Nota Histórico-Artistica
As mais antigas referências que se conhecem relativamente à Quinta do Barão e respectiva casa remontam ao século XVIII e informam-nos que os terrenos foram adquiridos pelo mestre de obras responsável pela direcção das obras do Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras, Jacinto Isidoro de Sousa. Teria sido ele a construir o primeiro edifício habitacional (DIAS, 1993, p. 51). Após a sua morte, a viúva vendeu, em 1794, toda a propriedade ao Barão de Moçâmedes, que pertencia à família Almeida e Vasconcelos. Este, foi responsável por alguns melhoramentos na casa, nomeadamente a pintura dos brasões nos tectos, imputando-se-lhe, ainda, a plantação da vinha.
A Quinta e as actividades agrícolas aí desenvolvidas, entre as quais se destaca a produção da vinha, foram conhecendo, ao longo dos anos, épocas melhores e outras piores, ganhando especial importância o período que se seguiu ao ataque de filoxera das primeiras décadas do século XX. As adegas foram reconstruídas em 1917, sendo então dotadas do mais recente equipamento.
Até esta data, a Quinta do Barão parece ter sido uma propriedade rústica, com casa de habitação caracterizada por uma grande depuração, a que se reuniam as dependências e anexos de feição agrícola, como a adega. O seu aspecto actual deve-se à campanha de obras ocorrida em 1944, e que ampliou o imóvel dotando-o de um conjunto de painéis azulejares setecentistas que lhe imprimem a feição nobre e solarenga que hoje observamos.
Com três pisos de vãos simétricos e de grande depuração, a casa ganha especial interesse no seu alçado Sul, com dois lanços de escadas que convergem num alpendre de acesso ao primeiro piso. Todas elas, incluindo o alçado das escadas, aberto por arco de volta perfeita, são revestidas por painéis de azulejo de molduras polícromas com concheados rococó e cenas figurativas a azul e branco. Retirados de outros imóveis demolidos, são exemplares datados de cerca de 1770. A varanda coberta, num dos ângulos desta mesma fachada, exibe azulejos semelhantes.
No interior observam-se novos conjuntos de azulejos, monócromos, de época ligeiramente anterior, mas também de gosto rococó. Na capela, há a assinalar um altar de talha dourada e os azulejos com a representação de São Jacinto, São Joaquim e São Paulo.
A partir de 1951, a atenção recaiu sobre os jardins, intervencionados neste período, e exibindo apontamentos azulejares, esculturas e bustos diversos.
Uma última referência para as instalações dos empregados, onde os tons de amarelo realçam as linhas de força dos edifícios, na generalidade, muito depurados.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)
Edital N.º 494/98 de 28-09-1998 da CM de Cascais
Despacho de homologação de 19-11-1997 do Ministro da Cultura
Proposta de 26-02-1993 da DR de Lisboa do IPPAR para que a classificação se circrunscreva aos elementos que mereceram a concordância do Secretário de Estado da Cultura
Proposta de 3.0-4-1992 da CM de Cascais para correcção dos limites do bem a classificar
Despacho de concordância de 16-05-1990 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de concordância de 10-05-1990 do presidente do IPPC
Parecer de 15-02-1990 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Em 4-04-1989 a CM de Cascais enviou elementos para a instrução do processo de classificação
Proposta de classificação de 13-04-1988 da Comissão do Património Histórico Cultural da CM de Cascais
Número do Processo
Não disponível