Nota Histórico-Artistica
Integrando, originalmente, a Quinta da Ribeirinha, a capela de Nossa Senhora da Vitória é uma edificação que remonta à segunda metade do século XVIII, destacando-se pela sobriedade da sua arquitectura exterior, que contrasta fortemente com os elementos decorativos do interior e, em particular, com os vastos painéis de azulejo que revestem todo o espaço.
A sua edificação, balizada pela data de 1769 exibida sobre o portal principal, deverá ser contemporânea da construção da casa de habitação. Assim o demonstra a campanha azulejar, ao que tudo indica, comum a todas as edificações. Na verdade, os azulejos do adro que se abre para o jardim, e que eram provenientes de algumas das salas, são muito semelhantes aos da capela, o mesmo acontecendo relativamente ao painel do espaldar do tanque, este com um monograma identificativo da Real Fábrica do Rato, da época de Tomaz Bruneto (SIMÕES, 1979, p. 293).
A fachada principal caracteriza-se por uma depuração que recorda a arquitectura chã, mas também as recentes construções pombalinas da capital. Seccionada por pilastras que formam três corpos, destaca-se o central, mais alto e terminando em empena ladeada por fogaréus. Este, é aberto por portal e janela do coro, ambas de verga em arco abatido. Nos corpos laterais, duas janelas de verga abatida e remate em empena.
No interior, de planta longitudinal, com nave única e capela-mor, o tecto, de madeira, é pintado, tal como a marcação de todos os vãos e arco triunfal. O retábulo ocupa a totalidade da parede fundeira da capela-mor, apresentando um altar com trono destacado por friso dourado e dois nichos com imagens nos ângulos.
Ganha especial importância o já referido revestimento azulejar, de cercaduras recortadas e policromas, e figurações a azul e branco. São datados de cerca de 1770, indicando a campanha decorativa que se seguiu à conclusão da edificação da igreja, em 1769. O programa iconográfico inclui algumas representações do Cântico dos Cânticos, do Livro de Judite, e do Livro de Ester, a que se reúne o Nascimento da Virgem. Observamos, assim, episódios retirados do Antigo Testamento que têm em comum o facto de serem entendidos como prefigurações de Nossa Senhora, culminando o ciclo com o Seu nascimento. As cartelas superiores e as filacteras inferiores, alusivas aos temas representados, marcam uma intertextualidade que deveria facilitar o seu correcto entendimento por parte de quem frequentava o espaço sagrado, os proprietários da quinta, mas também a população local a quem a capela era, com certeza, aberta.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível