Nota Histórico-Artistica
O primitivo templo de Camarate foi fundado no último quartel do século XIV por D. Agapito Colona, bispo de Lisboa entre 1371 e 1380. A pequena capela viria a ser reconstruída cerca de 1511, depois da paróquia de Sacavém ter sido desagregada. Desta edificação quinhentista nada resta, uma vez que o templo foi novamente reconstruído no início do século XVII.
Apresentando um modelo de tipologia chã de linhas regulares e sóbrias, muito utilizado na arquitectura religiosa da época, a Igreja de Santiago desenvolve-se em planta composta por dois volumes, correspondentes ao espaço da nave e ao rectângulo da capela-mor.
A fachada apresenta como único elemento decorativo o portal, de moldura rectangular rematado por frontão triangular e encimado por uma janela que ilumina o espaço do coro-alto. Do lado direito foi adossada a torre sineira, rematada por cúpula.
A sobriedade decorativa do espaço exterior contrasta com a exuberância barroca do interior do templo, de nave única. O espaço da nave é revestido por azulejos enxaquetados, possuindo quatro capelas colaterais, com altares de talha dourada, púlpito e tribuna com balaustrada. A nave é coberta por tecto de madeira em caixotões, pintado cerca de 1640 com cenas da vida de São Tiago e decorados com brutesco (SERRÃO, Vítor,1999,p.290).
O arco da capela-mor, ladeado por dois altares laterais de talha dourada, é pintado com figuras de anjos e festões, e possui pinturas emolduradas a talha. A capela-mor, coberta por abóbada de canhão decorada a estuque, possui duas telas nas paredes laterais, e retábulo de talha dourada com trono e camarim.
A campanha decorativa do interior pode dividir-se em duas grandes fases distintas. A primeira, executada no século XVII, corresponde ao revestimento azulejar da nave e da capela-mor, no qual se conjungam duas composições de enxaquetado, com efeitos de multiplicação espacial. A segunda data do início do século XVIII, época em que foram executados os altares de talha, de estilo nacional, bem como as telas da capela-mor, pintadas em 1710 por António Machado Sapeiro.
Nos finais do século XVIII foram ainda executados pequenos elementos decorativos, como as pinturas do arco triunfal e os estuques do tecto.
Catarina Oliveira
GIF/ IPPAR/ 2005
Diploma de Classificação
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital de 22-03-1985 da CM de Loures
Despacho de homologação de 14-02-1985 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 12-02-1985 do vice-presidente do IPPC
Parecer de 25-01-1985 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP da Igreja, incluindo todo o revestimento de azulejo, talha e pinturas das paredes, altares e tectos
Proposta de 2-01-1985 da CM de Loures para a classificação como MN
Número do Processo
Não disponível