Nota Histórico-Artistica
Tal como nas demais categorias patrimoniais, a região viseense apresenta-se particularmente rica em vestígios arqueológicos, nomeadamente da Idade do Ferro, de entre os quais sobressaem os relativos a povoados fortificados, mais vulgarmente conhecidos por "castros".
Neste aspecto particular, o concelho de Castro Daire revela-se assaz profícuo, até pelas condições geomorfológicas das quais desfruta, pautadas pelo predomínio da paisagem de montanha, ainda que não pareçam abundar as ruínas indicadoras da presença da denominada "cultura castreja", apesar da sobrevivência de alguns topónimos a ela relativos, como no caso da própria localidade de Castro Daire.
Em termos genéricos, a Idade do Ferro no actual território português caracteriza-se pela emergência da metalurgia que lhe deu nome, ao mesmo tempo que pelo surgimento de uma gramática decorativa predominantemente geométrica, pela difusão da incineração, como ritual funerário prevalecente, e, sobretudo, pela implementação de uma estrutura social assente no modelo de chefaturas militares, o que poderia, em última análise, justificar a eleição generalizada destes lugares elevados para edificação dos seus povoamentos, investidos de um sistema aparentemente defensivo.
Não surpreenderá, por conseguinte, que o "Castro do Cabeço dos Mouros" nos surja no topo de uma colina sobranceira aos ribeiros de Levadas e Tenente, de difícil acesso, conquanto desprovida de um domínio visual muito assinalável sobre a paisagem envolvente.
Das estruturas erguidas ao longo do primeiro período ocupacional do arqueossítio, ocorrido durante a 1.ª Idade do Ferro estabelecida para esta região do país, iniciada por volta do século VII a. C., remanescem tão somente escassos troços de muralhado constituídos por material pétreo de pequenas dimensões, assim como vestígios de duas habitações de planta circular, localizadas, como habitualmente nestes povoados de altura, na área interna delimitada pelo pano de muralha que circundava o monte.
E como sucede nos restantes exemplares desta tipologia arqueológica, os fragmentos cerâmicos abundam à superfície da área de expressão do povoado, numa prova inequívoca da sua função primordial.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Portaria n.º 903/2014, DR, 2.ª série, n.º 210, de 30-10-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 6-08-1980
Parecer de 1-08-1980 da COISPCN a propor a classificação como IIP
Em 16-05-1980 foi enviada a documentação relativa ao castro, recolhida por António Baptista Lopes
Em 21-11-1979 foi solicitada informação sobre o castro ao Dr. Armando Coelho e ao Dr. Rui Centeno da Universidade do Porto
Número do Processo
Não disponível