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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ruínas da muralha das Portas de Montemuro

Arqueologia / Povoado Fortificado

Designação
Designação Atual
Ruínas da muralha das Portas de Montemuro
Outras Designações
Povoado das Portas de Montemuro / Ruínas da muralha das Portas de Montemuro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Povoado Fortificado
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Referido nos documentos desde, pelo menos, o século XIII, como atestam as Inquirições de 1258 ("Castro Daire", 1944, p. 996), o sítio arqueológico de Montemuro encontra-se implantado no topo da serra que lhe deu nome, ela própria delimitada pelos cursos de água do Paiva, Douro, Mouramorte e Balsemão. Serra esta que foi frequentemente utilizada como ponto de referência geográfico da delimitação das propriedades existentes em seu redor, surgindo em documentos oficiais do século X com a designação de Monte Geronzo, para dar lugar, logo na centúria seguinte, ao nome pelo qual é actualmente conhecido: mons muro (CORREIA, A., ALVES, Alexandre, VAZ, J. I., 1995, p. 98). Na verdade, esta sua condição limítrofe conferiu-lhe um estatuto muito especial de fronteira, ainda que oficiosa, resultando, por exemplo, no facto da estação arqueológica das "Ruínas da Muralha das Portas de Montemuro" ser, precisamente, partilhada por dois concelhos confinantes, os de Castro Daire e Cinfães, uma situação perfeitamente compreensível se pensarmos que os acidentes naturais, sobretudo desta envergadura, foram sempre aproveitados para actos de localização e/ou delimitação de aglomerados populacionais, mais ou menos expressivos.

Mas, de onde provem o termo Portas, quando aplicado ao arqueosítio em epígrafe? A designação terá surgido oficialmente, e pela primeira vez, no foral da vila de Bustelo, concedido no século XIII (Ibid.), possivelmente utilizando a forma como era (e ainda é) apelidado pelos pastores e caçadores locais, que o conheciam por Muro das Portas ou simplesmente Muro, e que certamente o atravessavam com alguma frequência, pois constituía um dos locais mais assinalados pela passagem (para a qual nos remete a denominação Portas) de rebanhos transumantes da Serra da Estrela ("Castro Daire", 1944, p. 996). E a pertinência deste caminho tornou-se tão evidente ao longo dos tempos, que orientou o actual traçado viário desta zona, recuperando, no fundo, uma realidade preexistente, como seria a da via romana localizada nas suas imediações. Não obstante, encontramo-nos numa área relativamente escassa em termos arqueológicos, conquanto a edificação de uma capela nas proximidades do sítio revele a priori uma apropriação de um local anteriormente sacralizado, nomeadamente em tempos pré e/ou proto-históricos, como se se pretendesse sobrepor às anteriores convicções e rituais pagãos (que tendiam a privilegiar lugares isolados e de altura) a nova mundividência cristã, ao mesmo tempo que de assimilação da força simbólica que o mesmo representava para as populações locais, agora direccionadas noutro sentido do poder espiritual e (quase por inerência) secular.

E quanto à função e período(s) de construção e fruição do sítio? Segundo alguns autores, estaremos perante vestígios (se bem que escassíssimos) de um povoado fortificado da Idade do Ferro, inserido no que é vulgarmente conhecido por cultura castreja, posteriormente reutilizado (à semelhança de tantos outros castros) durante o período romano e, mais tarde, já em plena Reconquista, pelas forças de Afonso Henriques (1109-1185). Uma proposição que não será totalmente absurda, até porque Egas Moniz desfrutava de amplas propriedades nos concelhos circunvizinhos, sinal de que este território fora conquistado aos mouros e posteriormente (re)povoado. E talvez provenha destes acontecimentos o termo pelo qual é mais amplamente conhecido, ou seja, de Portas, que assim integrariam uma eventual fortaleza, pois "Só percorrendo todo o perímetro da muralha nos apercebemos da sua verdadeira dimensão e só uma sociedade muito bem estruturada poderia construir tal monumento." (CORREIA, A., ALVES, Alexandre, VAZ, J. I., 1995, p. 100), até que foi definitivamente abandonado no século XIII.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 9914648
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viseu / Castro Daire; Cinfães / Parada de Ester e Ester; Alhões, Bustelo, Gralheira e Ramires
EN 321, no cimo da serra de Montemuro
- -
Polícia:
LATITUDE
40.966953
LONGITUDE
-8.007029
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1109
1109-1185).
1185
1185).
1258
1258 ("Castro Daire", 1944, p.
1944
1944, p.
1974
1974 (ver Decreto) Referido nos documentos desde, pelo menos, o século XIII, como atestam as Inquirições de 1258 ("Ca...
1995
1995, p.
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
Castro Daire VAZ, João Luís da Inês, CORREIA, Alberto, ALVES, Alexandre Edição 1995 Castro Daire
Roteiro Arqueológico da Região de Turismo Dão Lafões VAZ, João Luís da Inês, PEDRO, Ivone dos Santos da Silva, ADOLFO, Jorge Edição 1994 Viseu
Castro Daire. Roteiro Turístico CORREIA, Alberto Edição 1995 Castro Daire
História do Bispado e Cidade de Lamego, vol. 4, Renascimento (II) COSTA, Manuel Gonçalves da Edição 1984 Lamego
Montemuro. A mais desconhecida serra de Portugal GIRÃO, V. A. de Amorim Edição 1940 Coimbra
"Castro Daire", Guia de Portugal, vol. III - Beira, t. II - Beira Baixa e Beira Alta Edição 1944 Lisboa

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