Nota Histórico-Artistica
Desde 1939 na posse do Ministério da Justiça que fez dela Colónia Penal da Cadeia Civil do Porto, a Quinta de Santa Cruz do Bispo sofreu profundas obras de adaptação, quer ao nível do palácio, quer ao nível do seu território.
A história da Quinta de Santa Cruz de Riba Leça, como era conhecida, é muito longa, remontando à Infanta D. Mafalda, a filha de D. Sancho I, que se dedicou à vida monástica. A Infanta Santa doou os terrenos da propriedade à Sé do Porto, que os conservou na sua posse durante longo tempo. Mas foi durante o bispado de D. Rodrigo Pinheiro (1552-1572), que a Quinta conheceu grandes melhoramentos. A casa tornou-se uma "verdadeira mansão real" (FELGUEIRAS, 1958, p. 143) e o espaço oferecia tal magnificência que foram muitos os poetas e os escritores que não se cansaram de admirar, nos seus escritos, a beleza das árvores, das hortas, do bosque, ou das fontes. Entre eles, encontram-se Luís de Camões, Frei Luís de Sousa, Frei Bartolomeu dos Mártires, Barbosa Machado ou Cadabal Gravio (FELGUEIRAS, 1958, p. 144). Assim, nesta fase, Santa Cruz do Bispo encontra-se directamente ligada à figura de D. Rodrigo e a muitos dos vultos da cultura seiscentista que por lá passaram (PACHECO, 1986, p. 154).
A Quinta continuou a servir os prelados portuenses que, no verão, procuravam o sossego e a paz para as suas meditações, aumentando progressivamente a sua área e sumptuosidade. Neste sentido, e entre 1741 e 1752, Santa Cruz do Bispo conheceu nova intervenção em que se destacou a figura do Bispo Frei José da Fonseca e Évora. Terá sido este prelado que contratou Nicolau Nasoni para remodelar a Casa e a Quinta. Contudo, a sua morte, em 1752, terá obrigado à interrupção das obras.
A entrada principal da Quinta encontra-se no eixo da Casa. O seu conjunto é composto por um arco trilobado, encimado pelo brasão do Bispo Frei José da Fonseca e Évora. Ladeiam o portal dois nichos de forma oval. A Casa, também conhecida como Palácio de D. Mafalda, denota igualmente alguns elementos característicos de Nasoni, como os cunhais rusticados que recordam as portas da Torre da Prelada e da Bonjóia, os elementos assimétricos por cima dos cunhais, evocativos da escada de Fafiães, ou o motivo que serve de remate às duas janelas da fachada da ala oeste, muito semelhantes aos parapeitos laterais da igreja dos Clérigos ou da fachada do Palácio do Freixo (SMITH, 1967, p. 152).
Muito embora a intervenção de Nasoni tenha sido interrompida, e este não tenha concluído a intervenção inicialmente prevista, os elementos por si delineados são suficientemente fortes para marcar a paisagem e a arquitectura da Quinta, estabelecendo ainda relações com outras obras suas, na cidade e arredores por Porto.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Largo da Viscondessa