Nota Histórico-Artistica
Englobando a conhecida Lapa dos Esteios, palco de múltiplas reuniões literárias ligadas ao movimento romântico, a Quinta das Canas foi edificada sobre uma plataforma privilegiada que "(...) domina praticamente, todo o território da Quinta, estendendo a sua dominação visual para o Mondego, para a cidade de Coimbra, para a Quinta das Varandas, para Santa Clara, para o Marco dos Pereiros, para o aglomerado populacional das Lajes e para a curva nascente do rio" (NUNES, FRANÇA, 1990, p. 13).
O portão de entrada ostenta o brasão daqueles que foram os seus primeiros proprietários ainda no século XVII - a família Sá Pessoa. Ao longo dos tempos, a quinta conheceu diversos donos, devendo a sua designação actual aos duques de Canas, que aí casaram e viveram na segunda metade do século XIX. Data do início da centúria a ligação da Quinta ao Romantismo literário e aos intelectuais da época, mais tarde revalorizada através do Conde de Canas, D. José Maria de Vasconcelos Azevedo e Silva Carvajal. Neste contexto, destaca-se o nome de António Feleciano de Castilho, poeta e escritor, que celebrizou a já referida Lapa dos Esteios através da realização das festas de Primavera e Maio, promovidas por si e pelo grupo literário que lhe era associado, a primeira das quais remonta a 1822.
Adquirida pela Guarda Fiscal em 1979, a Quinta foi totalmente recuperada, conservando-se o Solar, situado ao cimo de uma alameda ladeada por abundante vegetação, ao centro da qual se ergue a fonte com o símbolo da Primavera, materalizado numa figura feminina que ostenta, sobre a cabeça, um cesto baixo com flores, e que assenta sobre um conjunto de quatro meninos que parecem dançar e cantar (NUNES, FRANÇA, 1990, p. 13).
A casa, de planta em U, apresenta uma escadaria de efeitos cenográficos na fachada do corpo principal, integrando-se nos modelos de habitação da nobreza, comuns à segunda metade do século XVII. De facto, e se o século XVI conheceu como principal forma planimétrica a denominada casa-torre, a centúria seguinte introduziu a planta em U, reveladora de uma concepção onde o rigor e a distribuição lógica do espaço predominam. Concepção essa que se estendeu aos alçados, mais simplificados e com repetição de vãos (AZEVEDO, 1988, pp. 57-63).
A capela da antiga residência da condessa de Canas, palco da sua união com D. José Maria, é uma edificação já do século XIX, com retábulo de talha dourada e policromada, exibindo uma tela com a representação do Senhor da Cana Verde. Quanto aos restantes elementos da Quinta, destaca-se o conjunto de esculturas do século XIX - Arquitectura ou Fortaleza, Diógenes e Ásia -, sobre os bancos de pedra revestidos por azulejos de padrão. Uma última referência para a fonte Castilho, em homenagem ao poeta, que apresenta um medalhão com a sua esfinge; e para as esculturas simbolizando a Fé, a Esperança, a Caridade (as três virtudes teologais) e a Morte (NUNES, FRANÇA, 1990, p. 15), no mesmo espaço da fonte.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 401/2011, DR, 2.ª série, n.º 43, de 2-03-2011 (sem restrições) (ver Portaria)
Edital N.º 050/2004 de 25-02-2004 da CM de Coimbra
Despacho de 8-08-1982 do Secretário de Estado da Cultura a determinar a classificação do Jardim - Lapa dos Esteios com os objectos nele actualmente integrados
Parecer de 29-06-1982 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Em 29-04-1981 a CM de Coimbra enviou elementos para a instrução do processo
Proposta de 4-03-1980 da CM de Coimbra, após deliberação camarária de 25-02-1980, para a classificação da Quinta das Canas