Nota Histórico-Artistica
Dominado, a Norte, pela Serra de Montejunto e, a Sul, essencialmente pelo Monte Redondo e pela Serra de Ota, o território correspondente na actualidade ao concelho de Alenquer exibe uma geografia muito própria, tripartida pelas zonas serrana, sub-serrana e de planície, directamente influenciadas pela presença da Serra de Montejunto, proporcionando, assim, as condições essenciais à sobrevivência de comunidades humanas que aqui procuraram fixar-se, e cujas actividades são atestadas pela identificação de inúmeras estações arqueológicas datadas da mais alta antiguidade.
Com uma geografia particularmente propícia à defesa, não surpreende que Alenquer fosse dotada de um castelo no período medieval, tendo sido conquistada por D. Afonso Henriques (1109-1185), em pleno processo de Reconquista, antes de se proceder à conquista de Lisboa, constituindo, na verdade, um dos principais sistemas defensivos então existentes a Norte daquela cidade, até integrar a "Casa das Rainhas".
Procurada por nobres em busca de um local relativamente próximo e, ao mesmo tempo, distante da capital do Reino, Alenquer transformou-se, já na segunda metade de oitocentos, num local dilecto de algumas produções fabris, nomeadamente de lanifícios, a exemplo da "Fábrica da Chemina", incentivadas por uma burguesia em franco crescimento.
Mas foi também o caso da "Fábrica Nova da Romeira", a partir do nome de uma azenha vendida, em 1868, por José da Costa, a Francisco José Lopes, dois anos antes de se proceder à sua edificação.
Inaugurada dois anos depois, em 1872, projectou-se, de imediato, a expansão da unidade fabril, adquirindo-se, para o efeito, terrenos adjacentes, convertendo-se, num curto espaço de tempo, num dos epicentros económicos da região, ao empregar, no início dos anos noventa, próximo de três centenas de pessoas, até que o falecimento de F. J. Lopes, ocorrido em 1899, ditou o seu declínio paulatino, cessando de produzir já em plena década de sessenta.
Embora abrangendo todas as estruturas (desde os armazéns e maquinismos hidráulicos, passando pela mãe-de-água, até às áreas residenciais) directa e indirectamente relacionadas com a produção dos lanifícios, a classificação destaca-se pelo edifício principal, organizado em dois edifícios adossados, de planta rectangular, com dois e três registos, respectivamente, e cujos alçados exteriores são ritmados por portas e janelas emolduradas. O interior, como é característico desta tipologia arquitectónica, encontra-se despojado de qualquer compartimentação, exibindo apenas, a intervalos regulares, pilares de ferro fundido para suporte pavimentar, como de ferro fundido é a guarda da escadaria de madeira, de dois lanços e patamar intermédio.
Adquirido pela municipalidade, o edifício foi convertido num dos equipamentos culturais mais relevantes do concelho, abrindo as suas portas em 1995 como espaço consagrado a exposições organizadas pelo município.
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