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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Nossa Senhora da Lapa, hospedaria de peregrinos, moradia do capelão e do eremita

Arquitectura Religiosa / Conjunto

Designação
Designação Atual
Igreja de Nossa Senhora da Lapa, hospedaria de peregrinos, moradia do capelão e do eremita
Outras Designações
Santuário da Senhora da Lapa / Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Milagres (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Conjunto
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Fundada a Irmandade de Nossa Senhora da Lapa em 1756, nesse mesmo ano se deu início à edificação da igreja, em terrenos doados para o efeito por Manuel Diogo da Silveira Meneses, no Carrascal (ESPANCA). De acordo com os estudos de Túlio Espanca, a iniciativa da construção do templo e respectivos anexos, deveu-se a 3 padres missionários, um dos quais, Angelo de Sequeira, ofereceu a imagem de Nossa Senhora da Lapa, que se encontra no altar-mor.
O traçado da igreja foi desenhado pelo arquitecto alentejano, José Francisco Abreu, cuja biografia permanece, ainda, pouco conhecida (GOMES, 1988, p. 42; SERRÃO, 2004, p. 36; BORGES, 1993). Sabe-se que nasceu em Torres Vedras, e trabalhou em Mafra, na capela-mor da Sé de Elvas (1749), e também em Vila Viçosa, onde foram identificadas várias obras da sua autoria. Entre estes, encontram-se os planos para a capela-mor e altares colaterais da igreja dos Agostinhos (1753), para o edifico da Câmara Municipal (1754), e depois para o Santuário de Nossa Senhora da Lapa (BORGES, 1987, p. 110). A edificação deste último, decorreu entre 1756 e 1764, ano em que se deverá ter celebrado a procissão solene de sagração, mas houve que esperar cerca de 15 anos mais para que se concluíssem as campanhas decorativas do interior.
No panorama arquitectónico de Setecentos, esta igreja constituiu um importante testemunho da arquitectura barroca em terras alentejanas, que soube respeitar as características do local. Ao contrário do que acontecia no Norte do país, onde os santuários de peregrinação eram antecedidos por vastos escadórios, aqui optou-se por um largo adro, onde os peregrinos se reuniam e onde decorriam feiras, situação mais coincidente com a tradição local (BORGES, 1993, p. 109). Por outro lado, a depuração das linhas que aqui se verifica, situação aliás comum ao Alentejo, leva Paulo Varela Gomes (198, p. 42) a afirmar que a igreja de Nossa Senhora da Lapa é um dos mais significativos exemplos "do desaguar da tradição nacional num neoclassicismo não importado e, evidentemente, ecléctico", e onde "(...) o novo classicismo não se distingue da velha arquitectura chã".
A fachada é ladeada por duas torres sineiras, ligeiramente recuadas em relação ao corpo central, rematado por frontão triangular, sobre o qual se desenvolve uma platibanda, que imprime uma marca de horizontalidade. A decoração joanina, mas com uma elegância rococó, concentra-se na composição central formada pelo portal e pela janela superior.
O interior, de planta em forma de cruz latina, aproxima-se dos modelos das denominadas "igreja-caixa" (GOMES, 1988, p. 42). Na nave, coberta por abóbada de meio canhão, destaca-se o coro, com balaustrada de mármore, e o púlpito de mármore branco e negro, também desenhado pelo arquitecto José Francisco Abreu. O transepto, rectangular, separa-se da nave através de um arco de volta perfeita, que se repete na passagem para a capela-mor, este flanqueado por altares colaterais, igualmente em mármore, executados em data próxima de 1781.
Na capela-mor, bastante profunda, o retábulo neoclássico de mármores polícromos (vermelho, azul, e branco), foi executado pelo canteiro Gregório das Neves Leitão, cujo contrato com a Irmandade foi celebrado em 1759. As portas exibem lintéis com elementos decorativos rococó.
Uma última referência para a hospedaria dos peregrinos, as moradias do capelão e do eremita, que se encontram no jardim contíguo.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Despacho de 6-01-2014 da diretora-geral da DGPC a devolver o processo à DRC do Alentejo para reanálise
Proposta de 18-11-2013 da DRC do Alentejo para alteração da ZEP, no sentido de serem introduzidas restrições
Portaria n.º 527/2011, DR, 2.ª série, n.º 88, de 6-05-2011 (com ZNA) (como o Centro Histórico de Vila Viçosa não está classificado, fixou a ZEP conjunta dos imóveis classificados e em vias de classificação do centro histórico de Vila Viçosa e revogou o diploma anterior) (ver Portaria)
Portaria n.º 223/2010, DR, 2.ª série, n.º 57, de 23-03-2010 (fixou a ZEP conjunta do Centro Histórico de Vila Viçosa) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 12-06-2007 da Ministra da Cultura
Parecer favorável de 31-05-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 21-02-2006 da DR de Évora
Afectação 12699926
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Évora / Vila Viçosa / Nossa Senhora da Conceição e São Bartolomeu
- Campo da Restauração
Vila Viçosa -
Polícia:
LATITUDE
38.777589
LONGITUDE
-7.424197
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1749
1749), e também em Vila Viçosa, onde foram identificadas várias obras da sua autoria. En
1753
1753), para o edifico da Câmara Municipal (1754), e depois para o Santuário de Nossa Senhora da Lapa (BORGES, 1987, p. 1
1754
1754), e depois para o Santuário de Nossa Senhora da Lapa (BORGES, 1987, p.
1756
1756, nesse mesmo ano se deu início à edificação da igreja, em terrenos doados para o efeito por Manuel Diogo da Silv...
1759
1759.
1764
1764, ano em que se deverá ter celebrado a procissão solene de sagração, mas houve que esperar cerca de 15 anos mais ...
1781
1781.
1987
1987, p.
1988
1988, p.
1993
1993).
2002
2002, DR, I Série-B.
2004
2004, p.
3
IMAGENS
9
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Sondagens arqueológicas de emergência. Casa do Peregrino (Vila Viçosa). GONÇALVES, Ana Edição
O Barroco SERRÃO, Vítor Edição 2003 Lisboa
"O barroco do século XVIII", História da Arte Portuguesa, vol.3 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
"Abreu, José Francisco de", Dicionário da Arte Barroca em Portugal, pp. 13-14 PEREIRA, José Fernandes Edição 1989 Lisboa
"O período rococó - arquitectura", História da Arte em Portugal, vol. 9, pp. 93-121 BORGES, Nelson Correia Edição 1993 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I) ESPANCA, Túlio Edição 1978 Lisboa
"Igreja de Nª Sª da Lapa de Vila Viçosa", A Cidade de Évora, nº 58, pp. 181 - 186 ESPANCA, Túlio Edição Évora
A cultura arquitectónica e artística em Portugal no séc. XVIII GOMES, Paulo Varela Edição 1988 Lisboa
Memórias de Vila Viçosa, vol. IV ESPANCA, Pe. Joaquim da Rocha Edição 1987 Vila Viçosa

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