Nota Histórico-Artistica
A Casa da Breia, propriedade da família Leite de Barros, constitui um dos muitos solares que se encontram na região de Cabeceiras de Basto. A documentação conhecida faz remontar a sua existência ao século XV, embora o edifício que hoje conhecemos seja datável da centúria de Seiscentos, com alterações e remodelações introduzidas nos dois séculos seguintes.
O edifício habitacional, e porventura o mais antigo (apenas parcialmente restaurado no século XIX por Manuel Filipe Martins Leite de Barros), desenvolve-se numa planta em forma de U, com alçados depurados, apenas animados pela presença de pilastras e uma série de vãos moldurados. Na fachada principal, as portas do piso térreo têm entre si óculos ovais, e as janelas de sacada do andar nobre apresentam lintel curvo. A entrada encontra-se, no entanto, no corpo lateral, onde uma escadaria recta conduz ao alpendre de planta quadrangular, que antecede a porta.
A primeira referência documental à capela, surge nos arquivos paroquiais do século XVII, onde de afirma a sua dedicação a Santa Quitéria, e que a sua administração estava a cargo de Martins Leite de Barros, cujo brasão de armas se encontra no altar de madeira deste templo (STOOP, 2000, p. 119). Foi alvo de uma intervenção no século XVIII, que terá, muito possivelmente, alterado a fachada, seguindo o modelo da capela da Casa da Fonte da Breia, instituída em 1750 (IDEM). Com pilastras nos cunhais, coroadas por pináculos, este alçado termina em empena e é aberto por portal de verga recta, apenas encimado por motivos de cordas entrelaçadas, unidas por uma vieira rematada por cruz. É flanqueado por dois óculos, e encimado por um outro, de maiores dimensões e polilobado. A fachada da capela tem continuidade num muro alto, onde se reproduzem os mesmos dois óculos, e onde se abre o portão de acesso ao pátio interno. Este, foi objecto de um restauro no decorrer do século XIX , que se integra na campanha já referida que reformulou a ala direita do edifício. Flanqueado por pilastras, o portão de verga recta, é encimado por frontão contracurvado, em cujo tímpano se ostenta o brasão da família - escudo esquartelado dos Leites Pereira, Barros. Os fogaréus, de cuidada escultura, e estilo D. Maria I, rematam o conjunto, que é complementado pelos merlões, de efeito meramente decorativo, que encimam o muro.
Uma longa alameda de sebes separa este portão de um outro, mais próximo da via pública, e edificado mais tardiamente. Datável do século XIX, este é definido por pilares rematados por fogaréus semelhantes ao que acabámos de descrever, e fechado por uma grade trabalhada. Do lado direito, o brasão pertenceu a António Oliveira Leite de Barros, fervoroso partidário de D, Miguel, tendo desempenhado importantes cargos durante a sua regência.
(Rosário Carvalho)