Nota Histórico-Artistica
Muito perto da Igreja de S. Miguel de Alcainça, no actual concelho de Mafra, ergue-se a pequena Capela do Espírito Santo, de arquitectura anódina, mas onde se destaca um interessante portal manuelino, de resto o único elemento classificado do conjunto. A data de fundação da capela original é desconhecida, sendo plausível imaginar que se tratasse de construção quinhentista, talvez coeva da atribuição de foral novo a Sintra, a cujo termo Alcainça ainda pertencia, em 1514 (Mafra recebera a mesma distinção régia no ano anterior). De qualquer forma, a construção ruiu aquando do terremoto de 1755, pelo que a presente capela, onde foi reintegrado o portal, e de construção posterior.
O portal é um exemplar manuelino típico, rematado em arco contracurvado rebaixado, constituído por quatro segmentos torsos sobrepostos, e decorado em tom feérico, embora conservando alguma sobriedade. Nas ombreiras, assentes sobre altas bases duplas de secção oitavada e decoração geometrizante, erguem-se dois colunelos torsos servindo de moldura exterior, que sobem até aos capiteis, também duplos e com temática vegetalista, onde assenta o arco, e se prolongam pela fachada até à altura do festão que o remata. Por dentro, os pés-direitos são rematados por colunelos lisos assentes nas mesmas bases, e continuando, depois dos capiteis, para formar o arco interior do portal, paralelo ao exterior. Os remates dos vários elementos incluem festões e cogulhos, pináculos torsos e rosetas. As ombreiras são decoradas com rosetões e alguma fauna, sendo esta composta por um curioso macaco no pé-direito do lado esquerdo, e um pássaro de talhe gordo no intradorso do arco. Estes exemplares juntam-se a uma outra representação de uma ave, esta devorando ou transportando algo no bico, e um peixe, ambos no extradorso do arco, e enquadrando uma cruz da Ordem de Cristo e um escudo de Portugal. A tratar-se a ave de um pelicano, o par ave-peixe constituiria uma clara alusão cristológica, e a sua presença junto do escudo e da cruz de Cristo repetiria um esquema manuelino perfeitamente coerente do ponto de vista ideológico. SML
Diploma de Classificação
Por indicação do Gabinete Jurídico da DGPC, considera-se que a publicação do diploma de ZEP, com a localização correta do portal, é suficiente para corrigir o assunto
Despacho de concordância de 22-05-2012 do diretor-geral da DGPC
Parecer favorável de 9-05-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de retificação de 28-03-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo
Proposta de 28-08-2003 da DR de Lisboa do IPPAR para a rectificação da planta anexa ao diploma de 2002, visto dizer respeito a uma igreja sita no mesmo largo
Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (alterou a designação para "Portal manuelino da antiga capela do Espírito Santo de Alcainça Grande) (ver Decreto)
Em 24-01-2000 a CM de Mafra propôs nova designação
Em 28-12-1999 foi solicitado o parecer da CM de Mafra
Despacho de 29-09-1999 do vice-presidente do IPPAR a determinar o início dos procedimentos necessários à alteração da designação
Proposta de 13-09-1999 da DGPE para a rectificação da designação
Decreto n.º 32 973, DG, I Série n.º 175, de 18-08-1943 (classificou o "Portal manuelino nas ruínas de uma antiga capela de Alcainça Grande") (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível