Classificado como "Imóvel de Interesse Público" desde 1982, o "Penedo de Lexim" constitui um dos sítios arqueológicos mais relevantes da Arqueologia Mafrense e do Calcolítico peninsular. Localizado junto a um pequeno núcleo habitacional da freguesia da Igreja Nova e na margem esquerda da Ribeira de Cheleiros, o Penedo terá oferecido condições de habitabilidade suficientemente apelativas para que, entre o IV.º e o III.º milénios a. C., uma comunidade agro-pastoril o tivesse escolhido para aí se instalar.
Identificado ainda no final de oitocentos pelo eminente arqueólogo algarvio, Estácio da Veiga (1828 - 1891), o sítio só voltaria a centralizar o interesse de investigadores já durante os anos setenta do século XX, altura em que se procedeu a uma escavação de emergência em face do sério perigo de se perder para sempre este testemunho do Calcolítico peninsular devido aos trabalhos executados numa pedreira aberta nas suas imediações.
Ocupando uma área de cerca de três hectares, os materiais recolhidos até ao momento permitem corroborar a existência de uma subdivisão da sua ocupação em três fases. Assim, a primeira fase registada até à altura corresponde ao Neolítico final (finais do IV.º milénio a. C.), encontrando-se associada a uma estrutura habitacional sub-circular e a fragmentos ceramológicos lisos, de taças de bordo denteado, vaso carenados e de outros exemplares cerâmicos já integrados no Calcolítico inicial, como nos casos dos copos e das taças caneladas, estando ausentes quaisquer testemunhos metálicos e de adorno.
A segunda etapa, atribuída ao Calcolítico Pleno (III.º milénio a. C.), surge-nos como o nível ocupacional melhor representado no sítio em termos de quantidade e qualidade dos artefactos exumados, reflectindo, eles próprios, a extensão da área ocupada e o número dos seus habitantes. Dos materiais identificados, destaca-se a presença de testemunhos de actividade metalúrgica e de fragmentos cerâmicos significativamente decorados com folha de acácia, caneluras largas e motivos geométricos, além de componentes pertencentes a "queijeiras" e a pesos de tear. Numa época em que, grosso modo, se assistia à introdução de elementos tão essenciais para a consolidação das comunidades agro-pastoris, como a agricultura, o aproveitamento dos lacticínios (atestado neste caos pelas denominadas "queijeiras" - vide supra) e, sobretudo, a metalurgia do cobre - confirmado neste povoado pela presença de punções, de um furador e pingos de fundição -, as condições naturais de defesa do "Penedo de Lexim" foram reforçadas através da construção de muralhas.
Finalmente, a terceira fase equivale à Idade do Bronze, altura em que parece observar-se uma diminuição na actividade humana desenvolvida no "Penedo", embora evidenciada em diversos artefactos metálicos e ceramológicos, estes últimos predominantemente representados por exemplares com carenas acentuadas e vasos de colo alto.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
9914630
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Mafra / Igreja Nova e Cheleiros
-- acesso por desvio na Estrada Igreja Nova - Alcainça Pequena
Igreja Nova -
Polícia:
LATITUDE
38.891981
LONGITUDE
-9.311419
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1828
1828 - 1891), o sítio só voltaria a centralizar o interesse de investigadores já durante os anos setenta do século XX...
1891
1891), o sítio só voltaria a centralizar o interesse de investigadores já durante os anos setenta do século XX, altur...
1982
1982 (ver Decreto) Classificado como "Imóvel de Interesse Público" desde 1982, o "Penedo de Lexim" constitui um dos s...
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
Antiguidades de Mafra ou relação archeologica das características relativas aos povos que senhoreavam aquelle território antes da instituição da Monarchia Portuguesa
VEIGA, Sebastião Filipe Martins Estácio da
Edição
1879
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