Nota Histórico-Artistica
O lugar de Avis foi doado em 1211 por D. Afonso II à Milícia dos Freires de Évora, fundada em 1175, na condição de aí construírem um castelo e povoarem o espaço que daria origem à vila. Os freires transferiram a sua sede para esta povoação entre os anos de 1214 e 1223, passando posteriormente a denominar-se Ordem de São Bento de Avis.
Nos primeiros anos de estabelecimento na vila alto-alentejana houve da parte dos religiosos uma preocupação evidente com as questões do povoamento. Assim, durante a primeira metade do século XIII foi construído o castelo de Avis, bem como o conjunto conventual onde se sediou a ordem, considerando-se Fernão de Anes, primeiro Mestre de Avis, o grande edificador da vila.
A igreja, dedicada a São Bento, foi reconstruída no início do século XVII segundo um projecto do arquitecto Baltazar Álvares, "(...) o mais importante construtor português da viragem dos séculos [XVI e XVII]" (SERRÃO, Vítor, 2002, p. 210). Pensa-se que o arquitecto terá aproveitado as dimensões do primitivo templo, que originalmente teria uma estrutura de três naves, transformando-a então numa igreja-salão de estrutura chã.
Na mesma época foram ampliadas as dependências conventuais, incluindo o claustro e o novo dormitório de São Lamberto. A capela-mor foi reedificada já no reinado de D. Pedro II, cerca de 1694, mantendo o retábulo de talha dourada. A sacristia, construída no início do século XVI, é a parte mais antiga do templo actual, mantendo a estrutura renascentista.
O conjunto conventual é composto pela igreja, à volta da qual foram construídas a sacristia, o claustro e a antiga residência dos mestres da Ordem de Avis, de um lado, e do lado oposto, a hospedaria, o dormitório e o pátio das cisternas.
Depois da extinção das Ordens Religiosas, as dependências do convento foram vendidas a particulares, e a Câmara Municipal de Avis adquiriu a residência dos mestres da Ordem, instalando neste edifício os Paços do Concelho.
Na época a sede da paróquia foi transferida para a igreja do convento, embora esta tenha sido despojada da maior parte do seu recheio decorativo, tal como o coro-alto de talha dourada, que foi então doado à Academia Real das Ciências de Lisboa.
O conjunto que constitui o Convento de São Bento de Avis encontra-se actualmente descaracterizado, devido à fragmentação espacial de que foi alvo depois de 1834. Sede de uma das ordens militares mais poderosas da sociedade portuguesa, com um papel preponderante no Alto Alentejo medieval, o convento foi completamente modificado no início do século XVII, numa época em que um pouco por todo o país as ordens religiosas transformavam os seus espaços sagrados.
Desta obra reformadora resultou um templo de estrutura maneirista chã de linhas sóbrias, desenhada de acordo com os ditames da Contra-Reforma por um dos melhores arquitectos do tempo, para a qual foi posteriormente executado um programa decorativo erudito de gosto barroco, que bem demonstram o poder económico e social, bem como o esclarecimento artístico, da Ordem de Avis ao longo dos tempos.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005
Diploma de Classificação
Decreto n.º 37 450, DG, I Série, n.º 129, de 16-06-1949 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível