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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Capela românica de Moreira do Lima

Arquitectura Religiosa / Capela

Designação
Designação Atual
Capela românica de Moreira do Lima
Outras Designações
Capela do Espírito Santo
Capela de Moreira do Lima / Capela Românica de Moreira Lima / Capela do Espírito Santo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Capela
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A capela do Espírito Santo de Moreira de Lima é uma daquelas construções tardias mas (paradoxalmente ?) arcaizantes, que provam como o Românico foi o estilo de eleição das regiões centro e Norte do país durante largas décadas da Baixa Idade Média, cobrindo densamente vastas regiões interiores e periféricas.
Quer a sua origem, quer a sua função primeira não estão devidamente esclarecidas. Algumas opiniões recuam a primitiva edificação à década de 60 do século XI (Cf. GRAF, 1986, vol.2, p.39; RODRIGUES, 1995, p.226), momento que, a ser verdadeiro, dele nada sobreviveu. A localidade teve, nessa altura, uma igreja paroquial, dedicada a São Cipriano e de que resta apenas a "inscrição comemorativa da conclusão das obras (e da sagração?)" (BARROCA, 2000, p.78), em silhar avulso actualmente colocado na sacristia da igreja de Moreira de Lima. Mas, até ao momento, não se conhecem quaisquer vestígios materiais pré-românicos da capela do Espírito Santo.
Nos séculos seguintes, a história do templo não é melhor conhecida. A grande maioria dos autores reconhece que, na segunda metade do século XII, por patrocínio dos Templários, a capela foi edificada (BARREIROS, 1926, p.24), e faria parte de "um vasto complexo arquitectónico" (ALVES, 1982, p.98). As características estilísticas que evidencia, contudo, refutam esta tão remota antiguidade, e colocam o templo em finais do século XIII (IDEM, p.98, nota 124) ou, em alternativa, em pleno período terminal da Idade Média, pelos séculos XIV ou XV (ALMEIDA, 1987, p.118). Estas opiniões contrárias podem não ser, efectivamente, contraditórias, pois é natural que, numa construção de finais do século XII (como parece querer indicar o perfil da maioria dos modilhões), se tenha refeito os portais, como pensou Gerhard Graf (1986, vol.2, p.39).
Estruturalmente, a capela insere-se numa tipologia típica do Românico tardio e de resistência: dois corpos rectangulares justapostos, sendo a nave mais alta e larga que a capela-mor, com cobertura interior de madeira e telhado de duas águas assentando sobre pesada cachorrada de modilhões bastante decorados.
Estilisticamente, todavia, comporta elementos já claramente conotados com o Gótico. O principal exemplo deste novo "modo" artístico é dado pelo portal principal, de arco quebrado sem tímpano e composto por três arquivoltas de decoração distinta: "a interior afunilada, a segunda canelada e a terceira chanfrada na aresta e decorada com esferas" (ALVES, 1982, p.98), este último um motivo frequente em muitas construções tardo-medievais do Norte do país. Sobrepõe-se-lhe uma janela igualmente apontada, terminando a frontaria em empena triangular encimada por cruz axial.
Para os diversos autores que se têm dedicado a esta capela, o principal motivo de interesse não é a sua cronologia, mas sim a variada decoração dos seus modilhões, que constitui "uma das mais interessantes galerias de tipos "humanos" do românico português" (RODRIGUES, 1995, p.226). Com efeito, e ainda que se duvide da datação românica da obra, não parecem restar muitas dúvidas de que os elementos escultóricos da cachorrada continuam, de forma clara e qualitativamente excepcional, o gosto românico. Aguiar Barreiros e Jorge Rodrigues dedicaram-lhes especial atenção e evidenciaram tipologias e intenções iconográficas diferenciadas: a ironia e a teatralidade de homens de faces deformadas; o carnavalesco do humanizado gato sorridente; a virtude de um homem orando; as alusões morais e satíricas de bustos representando diferentes atitudes quotidianas; etc. Uma referência importante neste contexto é a que é dada pelo capitel do lado Sul do portal principal, onde se retratou o pecado original: duas cabeças humanas (representações sumárias de Adão e de Eva) envoltos por uma serpente.
Na segunda metade do século XVII, o templo voltou a ser objecto de obras. Refez-se o arco triunfal, provavelmente em 1678, e seguiu-se a encomenda do retábulo-mor, obra datada de 1688, e do frontal de altar.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Ponte de Lima / Cabração e Moreira do Lima
EN 202 e E.N. 524
Moreira do Lima -
Polícia:
LATITUDE
41.787584
LONGITUDE
-8.61569
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1678
1678, e seguiu-se a encomenda do retábulo-mor, obra datada de 1688, e do frontal de altar.PAF
1688
1688, e do frontal de altar.PAF
1926
1926, p.24), e faria parte de "um vasto complexo arquitectónico" (ALVES, 1982, p.98).
1961
1961 (ver Decreto) A capela do Espírito Santo de Moreira de Lima é uma daquelas construções tardias mas (paradoxalmen...
1982
1982, p.98).
1986
1986, vol.2, p.39; RODRIGUES, 1995, p.226), momento que, a ser verdadeiro, dele nada sobreviveu.
1987
1987, p.118).
1995
1995, p.226), momento que, a ser verdadeiro, dele nada sobreviveu.
2000
2000, p.78), em silhar avulso actualmente colocado na sacristia da igreja de Moreira de Lima.
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico) ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1986 Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 2001 Lisboa
"Primeiras Impressões sobre a Arquitectura românica portuguesa", Revista da Faculdade de Letras do Porto, Série História, nº1, pp.3-56 ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1972 Porto
Alto Minho ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de Edição 1987 Lisboa
Egrejas e Capelas Românicas de Ribeira Lima BARREIROS, Manuel de Aguiar Edição 1926 Porto
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331 RODRIGUES, Jorge Edição 1995 Lisboa
Portugal roman, vol. II GRAF, Gerhard N. Edição 1986
"Igrejas e Capelas românicas da Ribeira Lima", Caminiana, ano IV, nº7, pp.47-118 ALVES, Lourenço Edição 1982 Caminha
Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols. ALVES, Lourenço Edição 1987 Viana do Castelo
"A capela românica de Moreira de Lima", O Comércio do Porto, 25/9/1977 LIMA, António Fernandes Edição 1977 Porto
Monografia de Calheiros e Moreira de Lima MORAIS, Adelino Tito de Edição 1990 Ponte de Lima
Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima) Edição 1974 Porto
A românica capela do Espírito Santo em Moreira de Lima Edição 1942 Viana do Castelo

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