Nota Histórico-Artistica
Comenda da Ordem de Santiago no início do século XVI, a vila de Castro Verde situa-se junto ao lugar de São Pedro das Cabeças, onde terá decorrido a Batalha de Ourique. A ordem mandou construir na povoação um templo, edificado desde os finais da Idade Média.
Uma visitação dos freires de Santiago em 1510 refere a existência dessa igreja, implantada no local da actual matriz, descrevendo-a como um edifício de menores dimensões e com diferenças estruturais significativas em relação ao templo que hoje serve Castro Verde.
Segundo André de Resende foi D. Sebastião que, cerca de 1573, mandou "destruir" o antigo templo, mandando edificar no seu lugar uma nova igreja que relembrasse dignamente a "memorável victória" de D. Afonso Henriques em Ourique (COSTA, João J.A.,1996,p. 30).
Iniciou-se então a edificação da nova matriz, à época designada basílica, numa obra que se terá prolongado pela centúria seguinte. A estrutura edificada apresenta muitas semelhanças com os templos edificados pelo arquitecto João Antunes, pelo que alguns autores lhe atribuem a autoria da traça (FALCÃO, José,1991).
A planimetria do templo apresenta uma tipologia chã, ao gosto da arquitectura religiosa do último quartel do século XVI. No entanto, a fachada terá sido alterada na segunda metade do século XVIII, bem como o programa decorativo interior.
A planimetria, que se desenvolve longitudinalmente, é composta por volumes diferenciados. A nave única, de secção rectangular, é procedida pelo espaço da capela-mor, também de planta rectangular mas de menores dimensões, ladeada por dois anexos de iguais dimensões.
O espaço interior apresenta evidentes semelhanças com a igreja de Santiago de Alcácer do Sal, também atribuída a João Antunes. As paredes da nave são cobertas por painéis de azulejo setecentistas divididos por dois registos, o primeiro com composições de albarradas, o segundo com painéis figurativos que narram a história da Batalha de Ourique.
A capela-mor, coberta por abóbada de berço pintada com motivos barrocos policromos, é também revestida por painéis de azulejo de fabrico lisboeta, datados de 1713 e pintados com episódios da vida de Cristo.
A fachada, de linhas sóbrias, é dividida em três registos distintos. No primeiro foi rasgado o portal principal, precedido por escadaria e adro, de moldura rectangular, ladeado por pilastras jónicas e rematado por frontão interrompido, com as armas da Ordem de Santiago. Sobre este foi rasgada uma janela de moldura rectangular. O conjunto é terminado em empena.
A fachada é ladeada por duas torres sineiras, que se destacam na estrutura pela sua monumental volumetria. De secção quadrada, são rematadas por pináculos e coruchéus campaniformes.
Catarina Oliveira
Diploma de Classificação
Decreto n.º 18/2023, DR, 1.ª série, n.º 136, de 14-07-2023 (reclassificou como MN e redenominou para Basílica Real de Castro Verde) (ver Decreto)
Anúncio n.º 21/2022, DR, 2.ª série, n.º 29, de 10-02-2022 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 15-12-2021 do diretor-geral da DGPC
Proposta favorável de 13-10-2021 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 2-07-2021 da DRC do Alentejo para a reclassificação como MN e a redenominação para Basílica Real de Castro Verde, também designada Igreja de Nossa Senhora da Conceição, matriz de Castro Verde
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (classificou a Igreja Matriz de Castro Verde) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível