Implantada no centro da vila e rodeada por edifícios do século XVIII e XIX, a capela do Senhor remonta a épocas bastante mais recuadas embora seja difícil determinar com exactidão a data da sua construção. Na verdade, as sucessivas campanhas arquitectónicas e decorativas, algumas das quais apenas podem ser intuídas, foram alterando a sua configuração original observando-se hoje vestígios de períodos muito diferenciados.
De planta longitudinal, com nave e capela-mor rectangular, a capela apresenta fachada em empena, com cunhais rematados por pináculos. Ao centro, o portal é de verga recta, sobrepujado por uma janela de dimensões reduzidas. As marcas deixadas neste alçado permitem colocar a hipótese deste ter beneficiado, em tempos, de um alpendre que culminaria na janela do coro, e de um portal mais largo, de volta perfeita, cujo contorno é ainda bem visível.
A uma primeira campanha do século XVI, certamente a da edificação da capela, tem correspondência, no interior, uma intervenção decorativa, talvez a original, apenas há pouco descoberta. Na verdade, quando em 2003 se procedeu ao restauro do retábulo-mor descobriram-se, atrás, os frescos representando São Francisco das Chagas e São Cristóvão, datados de 1588. A presença deste ano nas pinturas que antecederam a actual campanha do interior ajuda a balizar as intervenções na capela, podendo muito bem ter sido esta a primitiva decoração do templo.
O interior da capela destaca-se pela actualização estética operada no decorrer do século XVIII, ainda que alguns elementos revelem o apego a um gosto mais tradicional. É o caso do retábulo-mor, que deveria substituir as pinturas a fresco e que foi executado depois de 1588, mas conservando uma estrutura retabular mais próxima do maneirismo do que do barroco ou rococó que se observa nos restantes altares. É possível que corresponda a uma campanha anterior à da nave, datável do século XVII, e contemporânea dos azulejos de tapete que revestem os panos murários.
No corpo do templo ganha especial importância o tecto de caixotões de talha dourada com representações de episódios do Antigo Testamento e os dois altares colaterais, de talha dourada e polícroma, de linguagem rococó.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 42 007, DG, I Série, n.º 265, de 6-12-1958 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
12707538
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Vila Real / Mondim de Basto / São Cristóvão de Mondim de Basto
-- no centro de Mondim de Basto
Mondim de Basto -
Polícia:
LATITUDE
41.412241
LONGITUDE
-7.95413
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1588
1588.
1958
1958 (ver Decreto) Implantada no centro da vila e rodeada por edifícios do século XVIII e XIX, a capela do Senhor rem...
2003
2003 se procedeu ao restauro do retábulo-mor descobriram-se, atrás, os frescos representando São Francisco das Chagas...
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