Construída no século XIII, a igreja da Granjinha é um dos mais interessantes templos românicos de Trás-os-Montes, pela singularidade da decoração empregue na construção. As origens de povoamento no local são bem anteriores, estando documentada uma fase romana, de que procedem bases e fustes de colunas, fragmentos de mosaicos e uma estátua de mármore, entre abundante cerâmica e outro material. Com grande probabilidade trata-se de uma villa, localizada num troço fértil da estrada que ligava Acquae Flaviae a Bracara Augusta. As sondagens aqui efectuadas revelaram ainda uma continuidade de ocupação pela Alta Idade Média, o que faz da Granjinha um local privilegiado para o estudo dos séculos obscuros da Reconquista.
A construção da capela ocorreu num momento posterior, em que se dava corpo a um amplo fenómeno de povoamento e de integração das terras transmontanas no reino de Portugal, apesar das diferentes sugestões cronológicas até agora apontadas: GRAF, 1986, p.310 coloca a edificação nos inícios do século XIII, enquanto que ALMEIDA, 1986, p.104 prefere situar o impulso construtivo nos finais daquela centúria.
Planimetricamente, o templo mantém a tipologia comum à grande maioria do nosso românico, compondo-se unicamente por nave rectangular e capela-mor de idêntico prolongamento, porém mais estreita que o corpo. O portal principal é a mais importante peça escultórica, nele se concentrando o essencial da decoração, que aqui assume uma exuberância pouco comum no leste do território setentrional, e que contém numerosos pontos de contacto com as soluções do portal principal da Sé de Braga. As suas duas arquivoltas são integralmente cobertas por animais afrontados e os capitéis que as sustentam apresentam motivos zoo e fitomórficos, que se prolongam no sector Norte por um pequeno nicho que enquadra um busto humano. À frontaria adossou-se, em tempos, um pequeno alpendre, rematando a empena em perfil triangular truncado a eixo por campanário de sineira única.
Restaurada nos anos 80 do século XX, a capela foi intervencionada arquitectónica e arqueologicamente, ao abrigo de um programa de valorização multidisciplinar, que logrou identificar a villa romana mas também uma necrópole e os indícios de continuidade ocupacional.
Paulo Fernandes | DIDA | IGESPAR, I.P.
14.08.2007
Diploma de Classificação
Decreto n.º 516/71, DG, I Série, n.º 274, de 22-11-1971 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
12707538
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Vila Real / Chaves / Vale de Anta
-- -
Granjinha -
Polícia:
LATITUDE
41.729038
LONGITUDE
-7.491145
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1971
1971 (ver Decreto) Construída no século XIII, a igreja da Granjinha é um dos mais interessantes templos românicos de ...
1986
1986, p.310 coloca a edificação nos inícios do século XIII, enquanto que ALMEIDA, 1986, p.104 prefere situar o impuls...
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
História da Arte em Portugal, vol. 3 (o Românico)
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de
Edição
1986
Lisboa
História da Arte em Portugal - O Românico
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de
Edição
2001
Lisboa
"Sondagens na capela da Granjinha, Chaves (1986/1987)", Cadernos de Arqueologia, nº5, pp.163-181
LEMOS, Francisco Sande
Edição
1988
Braga
A alma de um povo
VERDELHO, Pedro
Edição
1993
Chaves
"O mundo românico (séculos XI-XIII)", História da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.180-331