Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Localizado a Oeste do jardim do Casino do Estoril, numa pequena encosta e em perfeita harmonia com a topografia do terreno, este conjunto destaca-se pela forma como o edifício e o jardim surgem integrados numa só unidade de grande qualidade arquitetónica e paisagística, uma verdadeira "Obra de Arte Total" da autoria de Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957), e um dos mais notáveis monumentos do concelho de Cascais.
A entrada, que se faz à cota mais baixa do terreno, dá acesso a um caminho sinuoso em calçada. A aproximação à casa é desenhada num agradável percurso entre as árvores que pontuam a propriedade. O edifício principal, de conceção moderna, possuiu três pisos com uma cobertura em terraço. A entrada destaca-se, em relação ao volume principal, pela presença de uma elegante pala em ferro pintado a negro e vidro fosco que serve de proteção à porta também em ferro e onde foram utilizados os mesmos motivos "art deco". As fachadas, em calcário branco, surgem pontualmente decoradas com baixos-relevos e, as janelas, com molduras e persianas castanhas, contrastam com o alvo da moradia. No piso superior observam-se "bow-windows" e varandas arredondadas nos cantos que alteram a volumetria e o ritmo das fachadas. Na fachada posterior implanta-se uma varanda que, através de uma escada, permite também o acesso ao jardim.
O embasamento corresponde a uma cave destinada a arrumos, sendo o primeiro piso concebido como zona social: biblioteca, escritório, sala de estar e sala de jantar. A área poente, na parte traseira do lote, integra a cozinha bem como áreas de serviço. O segundo piso, por sua vez, é reservado às áreas privadas da casa: quarto principal, quartos de vestir, quarto de hóspedes, quartos dos empregados e algumas zonas de serviço. De notar que todo o notável mobiliário (móvel e integrado) executado em materiais de grande qualidade foi igualmente concebido por Pardal Monteiro e encontra-se em muito bom estado de conservação. As esculturas que ornamentam os espaços são de Leopoldo de Almeida e, os vitrais, de Ricardo Leone, ilustres artistas deste período.
Em 1957 os proprietários pedem ao arquiteto Raul Rodrigues Lima (1909-1980) que conceba um corpo contíguo, respeitando a volumetria e linguagem do edifício original. Destinava-se este corpo a alojar os funcionários da casa que antes partilhavam os espaços com a família.
O jardim é acessível a partir da moradia tanto por escadas, como por rampas, sendo o seu desenho, ao contrário do edifício, constituído por diferentes linguagens, não deixando no entanto de apresentar uma notável harmonia, reforçando os apontamentos artísticos existentes, nomeadamente com a inclusão de esculturas, azulejos, mosaicos e fontes. Este jardim encontra-se organizado a partir de um eixo de simetria composto por uma fonte romântica surgindo ainda, na parte mais baixa do terreno, uma pequena área de pinhal com recantos de falsas ruínas e grutas.
História
O projeto destinado a uma moradia unifamiliar nasce em 1929 de uma encomenda feita pelo Eng.º Álvaro Pedro de Sousa (1891-1966) a Cristino da Silva (1896-1976) e Pardal Monteiro. Desse primeiro projeto praticamente nada restou dada a remodelação de Pardal Monteiro em 1932 que aqui concretiza um dos seus projetos mais relevantes e um dos maiores expoentes da arquitetura, do design e da conceção de jardins do início do século XX em Portugal. De notar que parte do jardim foi ainda concebido pelo arquiteto Cristino da Silva, antes da concretização do projecto final de Pardal Monteiro.
O Casal de Monserrate é também um retrato vivo e praticamente único, dado o seu estado de conservação, do modo de habitar de determinada classe social.
Após a morte de Irene Ferreira do Amaral, esposa de Álvaro Sousa em 1974, a casa é doada à "Fundação de Souzas" para fins sociais, tendo sido ocupada, até época recente, pelo "Centro de Dia Engenheiro Álvaro de Sousa".
Maria Ramalho/DGPC/2018.
Diploma de Classificação
Anúncio n.º 44/2025, DR, 2.ª série, n.º 36, de 20-02-2025 (ver Anúncio)
Despacho de 22-11-2024 do presidente do Património Cultural, IP a determinar a abertura do procedimento de alteração da classificação
Proposta de 6-06-2023 da Divisão de Inventário, Classificações e Arquivo da DGPC para a alteração da área classificada
Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Edital de 18-03-1994 da CM de Cascais
Despacho de homologação de 21-03-1984 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 21-03-1984 da presidente do IPPC
Parecer de 20-03-1984 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 2-02-1984 do IPPC
Processo iniciado em 1982 no IPPC
Número do Processo
Não disponível