Nota Histórico-Artistica
Imóvel
A Fortaleza de Belixe, também conhecida como Forte de Santo António de Beliche, implanta-se no Cabo de São Vicente, sobre a falésia que se estende entre São Vicente e Sagres, dominando a baía do Beliche.
O que subsiste do complexo fortificado corresponde a uma estrutura de planta poligonal com dois torreões localizados a norte e duas baterias a sul, que se unem por um pano de muralha. No interior podem ver-se os espaços da antiga capela, que fica a este da praça de armas, o paiol junto à bateria mais a sul, a cisterna e os aquartelamentos, adossados à bateria localizada a sudoeste, e um grande edifício na muralha norte. Ergue-se também uma segunda cortina, que protege uma longa escadaria que dá acesso à praia. A capela, que originalmente era dedicada a Santa Catarina, apresenta uma planta centralizada composta por nave quadrangular coberta por cúpula e uma capela-mor de pequenas dimensões.
A entrada na fortaleza propriamente dita faz-se através de um arco de volta perfeita nessa linha fortificada interior e é dominada por uma torre quadrangular, com acesso através de passadiço. Sobre a porta de armas encontra-se uma inscrição alusiva à construção da fortaleza: "REEDIFI/COU ESTA FORTALE/ZA DEDICADA A SANTO ANTONIO / DOM LUIS DE SOUSA CONDE/ DE PRADO/ GOVERNANDO ESTE REINO/ ANO DE 1632".
História
Não se conhecem dados concretos acerca da primeira fortificação erigida sobre a baía do Belixe. Sabe-se apenas que existia no local um reduto defensivo na segunda metade do século XVI, já que em 1587, na sequência do ataque de Francis Drake à região do Algarve, registava-se que esta fortaleza havia sofrido sérios danos; como tal, pressupõe-se o forte estava erigido e artilhado desde, pelo menos, o reinado de D. Sebastião.
A atual estrutura remonta ao reinado de D. Filipe III, derivando de uma política de reforço defensivo da costa sudoeste portuguesa, que à época era frequentemente atacada por corsários e piratas a soldo oriundos do Norte da Europa. A inscrição sobre a porta de entrada da fortaleza alude precisamente à conclusão dos trabalhos, no ano de 1632, sob a égide do então governador da província D. Luís de Sousa, o segundo conde do Prado.
Apesar de parte da sua estrutura se encontrar arruinada, pode perceber-se que a fortaleza um modelo comum à arquitetura militar da época, com planta poligonal estrelada onde as baterias se colocaram estrategicamente voltadas ao mar. Estando em funções ao longo da centúria seguinte, o forte sofreu graves danos com o terramoto de 1 de Novembro de 1755, depois do qual foi sendo progressivamente abandonada.
Em meados do século XIX era notório o seu estado de ruína e a sua inoperância militar, pelo que foi vendida em hasta pública em 1849. A partir de então teve diferentes proprietários e funcionalidades.
Classificada como de interesse público em 1957, a Fortaleza de Belixe foi objeto de uma intervenção de reabilitação levada a cabo pela DGEMN, que transformou o conjunto em pousada, sendo construídos cerca de 1960 os diversos equipamentos de apoio à atividade hoteleira, como o restaurante.
Apesar de harmonicamente integrada na paisagem circundante, esta nova funcionalidade não evitou a erosão constante da falésia em que a fortaleza se ergue. Atualmente, o espaço encontra-se encerrado ao público.
Catarina Oliveira
DGPC, 2022
Diploma de Classificação
Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível