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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Fortaleza de Abrantes

Arquitectura Militar / Fortaleza

Designação
Designação Atual
Fortaleza de Abrantes
Outras Designações
Castelo de Abrantes / Fortaleza de Abrantes (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Fortaleza
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Desconhecem-se, ainda, as origens do castelo de Abrantes e, consequentemente, a génese do povoamento da localidade. A maioria dos autores aponta para a existência de um castro pré-romano, logo conquistado pelas tropas imperiais e sucessivamente ocupado por Visigodos e Árabes (MORATO, 1860, ed. 1981, p.43). A verdade, contudo, parece ser bem diferente, uma vez que, como deixou expresso Eduardo Campos, o curso médio do Tejo não possui, verdadeiramente, qualquer organização ligada aos principais poderes peninsulares até ao século XII (CAMPOS, 1984, p.6).
A elevação de Abrantes a localidade-referência nesta parcela do território terá de se buscar aos primeiros anos do reino de Portugal e à necessidade de defesa da linha do Tejo. Na mesma altura em que os Templários dotavam o curso médio do maior rio peninsular de uma linha defensiva sem precedentes no panorama da arquitectura militar medieval portuguesa, D. Afonso Henriques passava carta de foral a Abrantes, instrumento régio que visou, acima de tudo, "atrair colonos para uma região despovoada" (CAMPOS, 1984, p.9) ou, diríamos, nós, desprovida de uma estrutura populacional-administrativa centralizadora.
O castelo que ainda hoje coroa a vila de Abrantes deve ter tido a sua primeira fase construtiva pela segunda metade desse século XII. Ainda que desconheçamos, por completo, a sua fisionomia, é possível que a influência templária se tivesse feito sentir e que o modelo adoptado se caracterizasse já por um esquema plenamente românico. Pelo final do século, a fortaleza devia ser já relevante, uma vez que foi um dos locais de assédio das tropas almóadas, no contra-ataque islâmico que obrigou ao recuo da fronteira portuguesa no reinado de D. Sancho I.
No século XIII, o castelo foi objecto de muitas reformas, que culminaram na materialização de uma fortaleza gótica. Com obras documentadas no reinado de D. Afonso III, foi no tempo de seu filho, D. Dinis, que ocorreram as mais importantes alterações. Este monarca doou a vila a sua mulher, D. Isabel de Aragão, passando a integrar o vasto património das rainhas portuguesas. Paralelamente, actualizou a fortificação, patrocinando a construção da torre de menagem e de grande parte da cerca do castelo.
A torre é, ainda, o elemento que melhor documenta esta fase. De planta quadrangular, de rigorosa simetria, elevava-se originalmente em três pisos, mas os dois superiores ruíram no terremoto de 1531 (MORATO, 1860, ed. 1981, p.59). Ela encontra-se bastante adulterada por obras efectuadas no século XIX, mas possui uma característica que não é frequentemente na arquitectura militar gótica: implanta-se no centro do recinto fortificado (à maneira românica) e não se adossa a qualquer das portas ou dos torreões. Este facto poderá ter-se ficado a dever à reutilização de uma anterior estrutura, pré-existente à reforma dionisina, mas sem uma escavação arqueológica, nada se poderá saber ao certo.
No século XV, no mesmo impulso que levou a grande nobreza a transformar antigos castelos em paços senhoriais, a secção ocidental das muralhas do castelo foi aproveitada para albergar o palácio dos condes de Abrantes, edificado na década de 30 por Diogo Fernandes de Almeida, alcaide-mor da vila. Este paço foi substancialmente transformado no século XVIII, por vontade do 1º marquês de Abrantes, D. Rodrigo Anes de Meneses. Infelizmente, dessa construção barroca restam apenas as ruínas, mas é ainda possível perceber que se tratava de um conjunto de grande impacto cenográfico, elevando-se acima das muralhas e compondo-se por uma longa arcaria simétrica de 11 vãos, ladeada por duas torres igualmente simétricas.
No século XIX, a transformação da praça abrantina em Presídio Militar determinou a radical adulteração das suas estruturas. Novas obras tiveram lugar nos meados do século XX, de que se destaca a reconstrução parcial da torre de menagem, mas só em 2002 se reuniram condições para o avanço de um projecto global de intervenção e de valorização.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12736327
Abrangido em ZEP ou ZP
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Santarém / Abrantes / Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede
Parada General Abel Hipólito
Abrantes -
Polícia:
LATITUDE
39.464197
LONGITUDE
-8.19498
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1531
1531 (MORATO, 1860, ed.
1860
1860, ed.
1957
1957 (ver Decreto) Desconhecem-se, ainda, as origens do castelo de Abrantes e, consequentemente, a génese do povoamen...
1981
1981, p.43).
1984
1984, p.6).A elevação de Abrantes a localidade-referência nesta parcela do território terá de se buscar aos primeiros...
2002
2002 se reuniram condições para o avanço de um projecto global de intervenção e de valorização.PAF
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses ALMEIDA, João de Edição 1948 Lisboa
Notas históricas sobre a fundação de Abrantes CAMPOS, Eduardo Edição 1984 Abrantes
Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém SEQUEIRA, Gustavo de Matos Edição 1949 Lisboa
O concelho de Abrantes MACHADO, Carlos de Sousa, FERRINHO, João da Costa Edição 1952 Lisboa
Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes MORATO, António Manuel Edição 2002 Abrantes
Abrantes a vila e seu termo no tempo dos Filipes (1580-1640) SILVA, Joaquim Candeias Edição 2000 Lisboa
Abrantes medieval (1300-1500) séculos XIV-XV VILAR, Hermínia Vasconcelos Edição 1988 Abrantes

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