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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, incluindo o claustro e a capela nele existente com o recheio da talha e imaginária da mesma capela

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, incluindo o claustro e a capela nele existente com o recheio da talha e imaginária da mesma capela
Outras Designações
Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Após a realização do Concílio de Trento a Igreja Católica utilizou a arte para propagar a doutrina católica reformada, definindo regras de produção artística. As ordens religiosas procuraram ser o veículo de propagação dos ensinamentos da Igreja, utilizando as suas comunidades locais e a arquitectura edificada na época para esse fim.
Em 1616, numa época em que a Europa cristã defendia em pleno os valores da Contra-Reforma, o Capítulo Provincial Carmelita, reunido em Lisboa, decidiu fundar um convento da ordem em Viana da Foz do Lima, uma terra na época enriquecida pelo dinheiro do comércio ultramarino, que preocupava os homens da Igreja pelo seu contacto estreito com as comunidades protestantes do Norte da Europa. Algum tempo depois um grupo de frades carmelitas instalou-se em Viana, sendo nomeado responsável pela edificação do novo convento Frei António do Santíssimo Sacramento. O local escolhido ficava situado algumas ruas acima do rio, para a zona a este da igreja matriz da vila, designado por sítio dos Mendonças, onde a comunidade comprou alguns terrenos. No ano de 1621 iniciavam-se as obras de construção, e alguns anos depois, em 1625 os religiosos mudavam-se para o convento. As obras iriam arrastar-se pelos anos seguintes; a área de dormitórios era terminada em 1628, enquanto a igreja foi construída entre 1634 e 1647, ano em que foi aberta ao culto.
Baseada na linguagem do maneirismo reformado, a estrutura do convento de Nossa Senhora do Carmo obedece ao protótipo das igrejas conventuais carmelitas, com planta em cruz latina, de transepto reduzido, nave com capelas comunicantes, coberta por abóbada de berço, e cruzeiro com cúpula.
A fachada foi desenhada também segundo as soluções anticlássicas, desenvolvendo-se num modelo austero de grande sobriedade e verticalidade, em que os diferentes corpos da fachada são separados por pilastras toscanas e os poucos elementos decorativos inspiram-se na tratadística flamenga, como as aletas laterais do frontão ou os pináculos de remate da torre sineira e das pilastras. O corpo central da fachada é marcado pela arcada no primeiro registo e pela janela rasgada no terceiro registo, que ilumina o interior do templo, ligados no registo intermédio por um nicho, e terminado em empena. Adossadas à fachada lateral direita estão as antigas dependências conventuais.
O interior do templo é decorado por painéis de azulejo de padrão e talha dourada. O espaço da capela-mor, cujo projecto decorativo foi executado entre 1688 e 1694, ano em que o convento pagou o douramento das talhas, é decorado com retábulo e sanefas de estilo nacional da fase inicial. Os altares laterais foram executados mais tarde em talha rococó. O espaço da sacristia é também decorado com talha seiscentista.
O espólio documental da comunidade de Nossa Senhora do Carmo refere alguns elementos que mostram a intenção de serem executadas obras no espaço do convento nos últimos anos do século XVII, que envolviam a construção de um edifício anexo ao convento e de instalações à volta de um claustro interior. Cerca de 1725 haveria a necessidade de ampliação de alguns espaços anexos ao templo, nomeadamente o refeitório, lavandaria, dispensa e enfermaria. No entanto esta obras não teriam sido executadas, embora restem os projectos arquitectónicos das mesmas, e no espaço exterior ao convento, a comunidade carmelita apenas patrocinou a edificação de um fontanário público.
Em 1834, após a extinção das ordens religiosas, o convento foi confiscado e a comunidade dispersa, e dois anos depois a igreja foi cedida à Confraria de Nossa Senhora do Carmo, enquanto as dependências conventuais foram adquiridas pelo Visconde de Porto Covo. Em 1857 a igreja passava para a tutela da Ordem Terceira do Carmo. Desde 1953 o espaço anexo ao templo funciona como seminário.
Catarina Oliveira
IPPAR/2004
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela
Rua do Carmo
Santa Maria Maior -
Polícia:
LATITUDE
41.696694
LONGITUDE
-8.822835
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1616
1616, numa época em que a Europa cristã defendia em pleno os valores da Contra-Reforma, o Capítulo Provincial Carmeli...
1621
1621 iniciavam-se as obras de construção, e alguns anos depois, em 1625 os religiosos mudavam-se para o convento. A
1625
1625 os religiosos mudavam-se para o convento.
1628
1628, enquanto a igreja foi construída entre 1634 e 1647, ano em que foi aberta ao culto.
1634
1634 e 1647, ano em que foi aberta ao culto.
1647
1647, ano em que foi aberta ao culto.
1688
1688 e 1694, ano em que o convento pagou o douramento das talhas, é decorado com retábulo e sanefas de estilo naciona...
1694
1694, ano em que o convento pagou o douramento das talhas, é decorado com retábulo e sanefas de estilo nacional da fa...
1725
1725 haveria a necessidade de ampliação de alguns espaços anexos ao templo, nomeadamente o refeitório, lavandaria, di...
1834
1834, após a extinção das ordens religiosas, o convento foi confiscado e a comunidade dispersa, e dois anos depois a ...
1857
1857 a igreja passava para a tutela da Ordem Terceira do Carmo.
1953
1953 o espaço anexo ao templo funciona como seminário. C
1977
1977 (ver Decreto) Após a realização do Concílio de Trento a Igreja Católica utilizou a arte para propagar a doutrina...
2004
2004
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Esboço histórico. Viana do Castelo GUERRA, Luís Figueiredo da Edição 1878 Coimbra
Viana Monumental e Artística: espaço urbano e património de Viana do Castelo FERNANDES, Francisco José Carneiro Edição 1990 Viana do Castelo
"Fundação do Convento do Carmo e construção da igreja", in Cadernos Vianenses, vol. 1 FERNANDES, Filipe Edição 1985 Viana do Castelo
Viana do Castelo CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela Edição 1990 Lisboa
"Caminhos da História da Arte no Noroeste de Portugal no primeiro quartel do século XVIII", in Cadernos Vianenses, tomo 19 REIS, António Matos Edição 1995 Viana do Castelo

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