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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja de São Miguel e cruzeiro do século XVII, no adro da mesma

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja de São Miguel e cruzeiro do século XVII, no adro da mesma
Outras Designações
Igreja Paroquial de Milharado / Igreja de São Miguel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja de São Miguel de Milharado é um dos muitos templos do concelho de Mafra que conserva elementos manuelinos, circunstância que lhe confere um lugar de destaque no processo de renovação (e de construção) de muitos monumentos religiosos durante a primeira metade do século XVI no nosso país. Nos séculos seguintes, foi objecto de várias reformas que contribuíram para enriquecer o conjunto monumental, alterando, quase por completo, a primitiva fisionomia quinhentista.
O mais importante vestígio é o portal principal, hoje inserido na galilé do templo. De duas arquivoltas, com ampla moldura interior entre elas, é de curvatura tripartida relativamente complexa, definida por dois arcos laterais a pleno centro, sem completar a volta inteira, que se ligam a um central, canopial, rematado por grinalda florida. Outras duas grinaldas partem da arquivolta exterior, coroando verticalmente o conjunto e conferindo-lhe um aspecto simétrico. As bases e os capitéis, de perfil oitavado, são bem marcados e a moldura interior é amplamente decorada com cestos e cachos de uvas, tendo por base as hastes de uma videira, sendo estas composições tuteladas axialmente pela figura de um anjo. Do período manuelino conserva-se ainda uma pia de água benta, de taça circular decorada com três bustos de anjos e assente em mísula cónica invertida, e um modilhão representando um busto humano, que originalmente estaria no exterior do edifício, mas cujas modificações posteriores fizeram com que integrasse a galeria de acesso à nave da igreja (VILAR, 2000, p.77).
A principal campanha reformadora aconteceu na viragem para o século XVII. De acordo com uma inscrição colocada sobre a porta de acesso ao púlpito, comprova-se que esta foi construída em 1609, ano aproximado de finalização do essencial das obras, partindo do princípio que o enriquecimento do interior terá tido lugar após a conclusão da renovação arquitectónica.
É no interior que se testemunham as principais obras Seiscentistas. De nave única, as suas paredes laterais são ritmadas por dois arcos de volta perfeita sobre pilastras, onde se incluem retábulos barrocos de talha dourada. Igual forma tem o arco triunfal, de desenvolvido embasamento e impostas e fecho axial bem vincados. O púlpito é circular, protegido com balaustrada de mármore, e a ele se acede através de uma porta de lintel recto. Estamos menos informados a respeito da reforma seiscentista do exterior, mas é de crer que a actual solução baixa da fachada principal, com corpo central em forma de galilé, aberto a poente por arco de volta perfeita, possa corresponder a esse período. Igualmente do século XVII é o cruzeiro do adro, sobre soco quadrangular de triplo degrau, com base cúbica decorada e cruz de arestas lisas sem decoração.
Nos séculos seguintes, as obras não cessaram no monumento, mas resumiram-se a trabalhos menores de arquitectura e a campanhas complementares de enriquecimento do interior. Sabemos que, em 1748, se revestiram as paredes da nave com azulejos, de padrão geométrico quadrangular. Em 1755, o mega-terramoto que assolou o centro e o Sul do país provocou o desabamento de uma casa de habitação anexa à igreja, que servia de apoio a peregrinos, mas não danificou grandemente o templo, pois nenhuma obra é mencionada em 1760, ano em que um visitador determina apenas a reconstrução da albergaria. Por essa mesma altura devem ter-se realizado os retábulos de talha dourada, uma vez que alguns apresentam já características rococós, e é possível que a quadrangular torre sineira, que coroa a galilé da frontaria, date deste mesmo século XVIII, ainda que o seu coroamento nos pareça já posterior.
Restaurada integralmente em 1960, a paroquial de São Miguel espelha bem a evolução artística das construções religiosas da região rural a Norte de Lisboa que, partindo muitas vezes de um pequeno templo tardo-medieval, passaram a sede de paróquia e foram, por isso, alvo de numerosos melhoramentos nos séculos XVII e XVIII.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Edital N.º 149/84 de 3-08-1984 da CM de Mafra
Despacho de homologação de 15-03-1984 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 14-03-1984 da presidente do IPPC
Parecer de 9-03-1984 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Informação favorável de 1-02-1984 do IPPC
Proposta de classificação de 7-11-1983 da CM de Mafra
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Mafra / Milharado
Largo de São Miguel
Milharado -
Polícia:
LATITUDE
38.948266
LONGITUDE
-9.200589
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1609
1609, ano aproximado de finalização do essencial das obras, partindo do princípio que o enriquecimento do interior te...
1748
1748, se revestiram as paredes da nave com azulejos, de padrão geométrico quadrangular. E
1755
1755, o mega-terramoto que assolou o centro e o Sul do país provocou o desabamento de uma casa de habitação anexa à i...
1760
1760, ano em que um visitador determina apenas a reconstrução da albergaria. P
1960
1960, a paroquial de São Miguel espelha bem a evolução artística das construções religiosas da região rural a Norte d...
1983
1983 da CM de Mafra A igreja de São Miguel de Milharado é um dos muitos templos do concelho de Mafra que conserva ele...
1984
1984 da CM de Mafra Despacho de homologação de 15-03-1984 do Ministro da Cultura Despacho de concordância de 14-03-19...
1986
1986 (ver Decreto) Edital N.º 149/84 de 3-08-1984 da CM de Mafra Despacho de homologação de 15-03-1984 do Ministro da...
2000
2000, p.77).A principal campanha reformadora aconteceu na viragem para o século XVII.
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo Edição 2009 Mafra
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira) AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
Monografia de Mafra LUCENA, Armando de Edição 1987 Mafra
Mafra. Monografia LUCENA, Armando de Edição 1963 Lisboa
"4. Arquitectura e escultura monumental manuelina na região de Mafra", Boletim Cultural 2000, pp.65-82 VILAR, Maria do Carmo Edição 2000 Mafra
"Carta do Património do Concelho de Mafra. 1. O Manuelino", Boletim Cultural '94, pp.309-318 VILAR, Maria do Carmo Edição 1994 Mafra
Mafra. Efemérides do concelho ASSUNÇÃO, Guilherme José Ferreira de Edição 1967 Lisboa
Apontamentos sobre o Manuelino no Distrito de Lisboa BASTOS, Fernando Pereira Edição 1990 Lisboa

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Visualização Geográfica

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Mafra

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1.ª e 2.ª Linhas de Defesa a Norte de Lisboa durante a Guerra Peninsular, também conhecidas como Linhas de Torres Vedras
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