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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Igreja da Misericórdia de Redondo

Arquitectura Religiosa / Igreja

Designação
Designação Atual
Igreja da Misericórdia de Redondo
Outras Designações
Igreja do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Redondo / Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Redondo (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Igreja
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A igreja e edifício do hospital que hoje conhecemos é fruto de uma sequência de intervenções arquitectónicas e decorativas que foi transformando este imóvel num repositório de elementos de tempos distintos, sucessivamente adaptados e convertidos ao gosto das épocas subsequentes. Assim se explica que na capela-mor, manuelina, a cobertura de abóbada de nervuras polinervadas exiba pinturas fitomórficas maneiristas, e os panos murários tenham sido revestidos por azulejos azuis e brancos, da primeira metade do século XVIII, integráveis no barroco joanino.
As origens da Misericórdia remontam ao ano de 1443, quando Catarina Pires Folgada, viúva de Vicente Anes Colombo, estabeleceu uma albergaria, cujos bens reverteram a favor da Misericórdia, aquando da sua instituição, em 1521, por alvará de D. Manuel (ESPANCA, 1978). A igreja e hospital, onde se incluem a sacristia e a Sala do Consitório, forma edificadas, muito possivelmente, depois desta data. A exiguidade das suas dimensões terá conduzido a uma ampliação, já na segunda metade do século XVI, época em que o hospital do Redondo foi incorporado nesta instituição.
As características da já referida pintura da abóbada da capela-mor indicam uma campanha decorativa seiscentista, à qual sucedeu uma outra intervenção barroca, já no decorrer da centúria seguinte, de âmbito mais alargado. Embora se integre na depuração própria dos templos alentejanos, a fachada da igreja denota um gosto setecentista na sua empena contracurvada, com volutas no arranque. O alçado, delimitado por pilastras, encimadas por pináculos, nos cunhais, é aberto por um portal de verga recta e janela do coro, ambos com cornija numa composição muito próxima. Sobre esta, e enquadrado por uma moldura de motivos vegetalistas, exibe-se o escudo nacional, em estuque, ao qual falta a coroa, retirada em 1910, tal como a que deveria rematar o mesmo brasão, sobre o arco triunfal (ESPANCA, 1978).
No interior, a nave ganha especial importância pela tribuna dos mesários, cuja data - 1758 - revela o prolongamento da campanha decorativa barroca até à segunda metade de setecentos. Os seus elementos decorativos denotam mesmo um gosto rococó, encontrando-se atribuída à oficina do mestre eborense João da Mata Botelho (ESPANCA, 1978). As 13 cadeiras, de talha dourada e marmoreada, assentam sobre 6 cachorros de cantaria, destacando-se, pela maior magnificência, a da extremidade junto ao arco triunfal, destinada ao provedor. Do lado oposto, no interior de um dos três arcos que se abrem na parede da nave, encontra-se o púlpito, de mármore. O coro assenta sobre arco abatido, e é iluminado pela janela da fachada.
O arco triunfal, com o brasão nacional, antecede a capela-mor, porventura o espaço de maior interesse do conjunto. Já mencionámos as pinturas da abóbada. Resta referir o retábulo de talha dourada, de transição do estilo nacional para o joanino (ESPANCA, 1978), e em cuja tribuna se exibe um Cristo Crucificado ou, por vezes, uma tela com a representação da Visitação de Nossa Senhora. Por fim, os painéis de azulejo ilustram seis das sete obras de misericórdia corporais, distribuídas em dois níveis. Falta a última - enterrar os mortos. Santos Simões atribuiu este conjunto à oficina de Bartolomeu Antunes, datando-os de cerca de 1735-37 (SIMÕES, 1979, p. 417). Esta iconografia, que aqui recorre a alguns exemplos retirados do Antigo Testamento, foi muito utilizada nas igrejas das Misericórdias a partir do final do século XVI, tendo encontrado no azulejo um suporte privilegiado: contam-se vários exemplos deste género de representação, na primeira metade do século XVIII. Constituindo o fundamento e a razão de ser das Misericórdias, a iconografia das obras espirituais e corporais assumia-se como um elemento de propaganda de grande eficácia.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 22051577
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Évora / Redondo / Redondo
Rua do Castelo
Redondo -
Polícia:
LATITUDE
38.649301
LONGITUDE
-7.542781
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1443
1443, quando Catarina Pires Folgada, viúva de Vicente Anes Colombo, estabeleceu uma albergaria, cujos bens reverteram...
1521
1521, por alvará de D.
1735
1735-37 (SIMÕES, 1979, p.
1758
1758 - revela o prolongamento da campanha decorativa barroca até à segunda metade de setecentos. O
1910
1910, tal como a que deveria rematar o mesmo brasão, sobre o arco triunfal (ESPANCA, 1978).
1978
1978).
1979
1979, p.
1993
1993 (ver Decreto) A igreja e edifício do hospital que hoje conhecemos é fruto de uma sequência de intervenções arqui...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
A arquitectura manuelina DIAS, Pedro Edição 2009 Vila Nova de Gaia
Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I) ESPANCA, Túlio Edição 1978 Lisboa
Azulejaria em Portugal no século XVIII SIMÕES, J. M. dos Santos Edição 1979 Lisboa

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