Nota Histórico-Artistica
A ermida de Santa Clara foi erguida sobre as ruínas de uma capela tercentista, primitiva matriz da povoação, e cuja construção tem estado atribuída a Mestre Tomé, tesoureiro da Sé de Braga e servidor de D. Afonso III, de quem recebeu os direitos sobre a Vidigueira e a obrigação do seu povoamento. O templo actual foi mandado construir por D. Francisco da Gama, 2º Conde da Vidigueira, e por sua mulher, D. Guiomar de Vilhena, entre 1540 e 1555; a invocação de Santa Clara não deve ser anterior a esta reconstrução quinhentista.
Trata-se de uma pequena ermida de planta rectangular, com nave única coberta por abóbada de berço, e arcadas cegas rasgadas na espessura dos muros, ao modo de grandes nichos, tal como acontece em outros templos da região, caso Santa Luzia, em Serpa. O arco triunfal, de volta perfeita, assenta sobre capitéis de volumetria e ornamentação manuelina. A capela-mor está coberta por abóbada artesoada, estrelada, em cujos panos se podem ainda encontrar vestígios de pinturas murais de grande interesse, que se estendem pelas paredes, cujo repertório integra anjos e cenas da vida de Santa Clara, e permite estabelecer ainda outro paralelo com a citada ermida de Santa Luzia. Estas pinturas prolongavam-se pelas paredes da nave, e estão em boa parte cobertas por cal.
Na fachada principal destaca-se o portal em arco quebrado, com dois colunelos encimados por capitéis ornamentados com cordões entrelaçados. Acima deste rasga-se uma fresta estreita, e ao centro da empena eleva-se a torre sineira. O alçado Sul é vazado por um portal de verga recta. Toda a construção é coroada por merlões chanfrados, e reforçada nos ângulos com contrafortes prismáticos rematados por coruchéus cónicos, inscreve-se assim no género regional dos pequenos templos quinhentistas alentejanos, de ressonâncias mudéjares, possuindo contrafortes robustos, pináculos cónicos e volumes escalonados e ameiados. Apesar da época conhecida para a sua construção, um pouco tardia, é ainda notória a influência do estilo manuelino neste género de construção, patente igualmente nos boleados que decoram os contrafortes da capela-mor, no abobadamento da mesma, e numa série de pequenos elementos ornamentais, bem como na decoração de elementos arquitectónicos como capitéis, mísulas e molduramentos. SML
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível