Nota Histórico-Artistica
Subsistem muitas dúvidas acerca da origem e história desta fortaleza. Durante muito tempo, pensou-se que as primeiras fases de ocupação do local datassem do período proto-histórico, mas tal interpretação alicerçou-se essencialmente numa vaga tradição difundida historiograficamente entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX, e não em efectivos vestígios. Em 1968, o Abade de Baçal contrariou esta perspectiva, ao concluir pela inexistência de qualquer fosso ao redor da fortaleza (um dos argumentos avançados por Pinho Leal e por Rocha Dias - e anacronicamente retomado pelo inventário da DGEMN (DGEMN, on-line, 2001) - para evidenciar a origem proto-histórica do monumento), assim como pela total ausência de vestígios cerâmicos dessa época (ALVES e AMADO, 1968, pp.212-213).
No entanto, se as observações do Abade de Baçal são elucidativas em relação a este aspecto, a verdade é que não se revelam mais objectivas quanto à fundação do reduto militar. As "covas espaçadas", identificadas como vestígios do tal fosso, aparecem em outras fortalezas brigantinas, em particular em redor de Bragança (IDEM, p.213), que é comprovadamente medieval. Por outro lado, o facto de a construção remanescente ter sido edificada com recurso a argamassa sugere uma cronologia mais recente, eventualmente na época moderna. Por uma conjugação de argumentos - nenhum dos quais efectivamente fundado numa análise arqueológica do monumento - é de presumir que esta simples atalaia tenha sido um secundário "ponto de observação sobre os lados do natural inimigo lionês (...) pertencendo ao sistema defensivo externo de Vimioso, embora pudesse ter servido de castelo roqueiro medievo" (IDEM).
Tendo em conta as tentativas de D. Sancho I para assegurar uma efectiva autoridade régia na região, não espantaria que as origens desta torre-atalaia se encontrassem nesse final de século XII, altura em que o leste transmontano foi alvo de alguma atenção, nomeadamente com a construção do castelo de Algoso e a instalação dos Templários em Mogadouro e Penas Róias. Esta, todavia, é apenas uma hipótese de trabalho e será necessário esperar pelo desenvolvimento de um coerente projecto de estudo arqueológico para que possamos encará-la com maior objectividade. De resto, a extrema proximidade para com o castelo de Vimioso, sugere mais uma construção na dependência desta fortaleza, que é seguramente posterior ao período românico.
O conjunto encontra-se largamente destruído, mas possui ainda alguns vestígios importantes. De planta circular regular, cujo diâmetro ronda os oito metros, inscreve-se numa tipologia que está decididamente mais próxima das atalaias, que dos castelos baixo-medievais. Na face Sul, apresenta ainda uma altura de aproximadamente doze metros. O aparelho é outro dos aspectos que merece um estudo mais atento. Disposto em fiadas horizontais de grande heterogeneidade, caracteriza-se pelo recurso a pedra miúda bastante irregular, intercalada com placas de xisto que ajudam a regularizar as fiadas. É, por isso, substancialmente diferente dos típicos aparelhos construtivos baixo-medievais, que privilegiavam a racionalidade construtiva de silhares bem aparelhados.
Em 1982, a DGEMN procedeu a algumas obras pontuais de reparação e consolidação, que adulteraram parcialmente o monumento. Assim, alteou-se ligeiramente o coroamento da torre, para lhe conferir maior monumentalidade, e regularizou-se o pavimento interior, que passou a poder visitar-se em condições mínimas de fruição. Paralelamente, procedeu-se a arranjos exteriores de pouca relevância.
Na actualidade, a atalaia conserva-se como um marco notável do passado militar do Vimioso, e aguarda ainda a realização de um objectivo projecto de estudo e de valorização, eventualmente relacionado com a própria revitalização do castelo da sede de concelho.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível