Nota Histórico-Artistica
Descrição da localiuzação, constante dio diploma de classificação, de 1953: Situado no cerro do mesmo nome, a uns 18 km a nordeste da Guarda, com a sua linha exterior de muralhas, que passa a norte junto ao actual marco geodésico, e abrangendo; a este, uns 20 m de calçada romana, fora das muralhas, com os vestígios da antiga Fonte da Moura, e uma sepultura cavada na rocha, que se encontra perto dos terrenos onde se ergueu a Igreja de Santa Maria do Jarmelo; a sul, a área ocupada hoje pela Igreja de S. Pedro, cemitério, campanário e antiga casa da Câmara, até um muro que limita esta área por sudoeste, e incluindo duas sepulturas cavadas na rocha, uma situada ao norte da referida Igreja e outra entre esta e o cemitério mencionados; a oeste, o terreno que compreende a Igreja de S. Miguel, uma fonte de mergulho situada na propriedade de Adelino Barreiros e mais uma outra fonte, também de mergulho, situada a sul da dita Igreja de S. Miguel, junto a uma viela.
Implantado a cerca de 950 m de altitude, num cabeço com amplo domínio visual sobre toda a paisagem envolvente, este povoado fortificado da Idade do Ferro foi objecto de reutilizações funcionais durante o período romano e Idade Média, numa altura em que D. Fernando (1345- 1383) o terá reconstruído por ocasião das batalhas mantidas com o Reino de Castela.
Para além de um troço complementar composto de afloramentos graníticos de consideráveis dimensões, o sistema defensivo deste castro seria originalmente constituído por duas linhas de muralha bastante espessas, ao topo das quais se acederia por uns degraus localizados na zona Norte deste complexo proto-histórico, do qual fariam ainda parte duas portas localizadas a Oeste e a Sul, e que demarcariam dois caminhos que se cruzam no centro da área intra-muros. E é precisamente no interior destes sistema defensivo que se podem observar os alicerces de algumas construções habitacionais de planta predominantemente quadrangular e rectangular, além das ruínas da Igreja de Santa Maria e da Fonte da Moura
Foi na segunda linha de muralha, junto à porta Sul, que se ergueram várias estruturas, como a Igreja de São Pedro (com o seu respectivo cemitério e campanário), uma capela, a antiga Casa da Câmara e duas sepulturas escavadas na rocha. Situados numa cota mais abaixo, encontramos a Igreja de São Miguel (com o correspondente cemitério), bem como duas fontes e vestígios de outras construções. A par destas evidências, é ainda possível observar a existência de um troço de calçada romana, que ligaria este sítio à antiga rede viária romana e conduziria à entrada do recinto muralhado.
No seu conjunto, estas edificações e reconstruções evidenciarão bem o vincado carácter estratégico deste local, cujas potencialidades foram claramente reutilizadas ao longo dos séculos até, sensivelmente, meados de oitocentos.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 39 175, DG, I Série, n.º 77, de 17-04-1953 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível