Nota Histórico-Artistica
Um dos mais impressionantes castelos algarvios, localizado numa zona excêntrica da província, mas de enorme importância regional, é, simultaneamente, uma das mais desconhecidas fortalezas nacionais. A sua localização, sobranceira à actual vila, privilegiou a defesa do rio de Aljezur, curso que, na época islâmica, era navegável e cujo aglomerado populacional detinha um importante porto (GOMES, p.120). As origens da fortificação são, porém, bem anteriores ao período islâmico. As escavações aqui conduzidas por Carlos Tavares da Silva revelaram níveis de ocupação das Idades do Bronze e do Ferro, o que testemunha a importância deste cerro para as sucessivas populações que habitaram o sudoeste do actual território nacional.
Mas foi, com certeza, com o consulado islâmico que se construiu a primitiva fortaleza. Independentemente das alterações posteriores, Rosa Varela Gomes identificou, em traços gerais, essa estrutura: o castelo apresentava planta poligonal e dele subsistem, ainda, importantes troços de muralhas, uma torre de planta circular e a cisterna. De acordo com as escavações aqui efectuadas, a época muçulmana tardia dotou o recinto de diversas estruturas habitacionais, assim como dois silos, elementos datáveis dos séculos XII-XIII (GOMES, p.120).
Em 1246, com a conquista definitiva do Algarve, o castelo passou para a posse do rei português, que deverá ter empreendido algumas reformas. Desconhecemos a marcha de intervenções na Baixa Idade Média, mas o que é certo é que em pleno século XV, em 1448, as informações são as de que o castelo está já em ruínas. Perdida a função militar, e desvalorizada a importância estratégica da vila, a fortaleza foi abandonada. Em vão a Ordem de Santiago tentou proceder à sua reconstrução, ordenando a reparação das muralhas, facto que voltou a ser vincado pelo novo ordenamento do reino determinado por D. Manuel. Dois séculos depois, o Terramoto de 1755 arruinou grande parte da vila, arrastando consigo uma significativa parte do castelo, incluindo as habitações do recinto.
Até há escassos anos, a história do castelo de Aljezur foi a de uma lenta e progressiva degradação. Diversas notícias dos séculos XVI a XIX são unânimes em assinalar a sua antiguidade e decadência, referindo-se, sistematicamente, a crescente ruína da sua estrutura.
No século XX, as comemorações do centenário do Infante D. Henrique foram o pretexto para o restauro. Tendo como pano de fundo o Sudoeste do país, como a Fortaleza de Sagres e a cidade de Lagos, também Aljezur viu intervencionado o seu velho castelo, cuja tradição alegava ter sido um dos que figuravam nas quinas nacionais. As obras então empreendidas não foram substanciais, limitando-se a reparar as muralhas (alteando e reinventando algumas partes), mas sem alterações assinaláveis ao nível da planta e adulteração do interior do recinto. Nos últimos anos, diversos programas de beneficiação foram elaborados, mas o castelo de Aljezur aguarda ainda a definição de um projecto de valorização integral.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 13-10-1956 do Subsecretário de Estado da Educação Nacional
Parecer de 12-10-1956 da 1.ª Subsecção da 6.ª Secção da Junta Nacional de Educação
Número do Processo
Não disponível