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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Quinta e Palácio de Nossa Senhora da Piedade, incluindo todos os elementos que se encontram intramuros e a igreja

Arquitectura Civil / Quinta

Designação
Designação Atual
Quinta e Palácio de Nossa Senhora da Piedade, incluindo todos os elementos que se encontram intramuros e a igreja
Outras Designações
Quinta de Nossa Senhora da Piedade (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Quinta
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
Desde meados do século XIV e até 1916 na posse da mesma família, a Quinta de Nossa Senhora da Piedade é, desde 1979, propriedade da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Para a reconstituição da sua longa história socorremo-nos dos mais recentes estudos conduzidos por Celso Mangucci (1994; 1998).
A propriedade primitiva era bastante mais extensa do que o núcleo que hoje conhecemos, composto pelo jardim murado que inclui o palácio, a ermida antiga de Nossa Senhora da Piedade, o oratório de São Jerónimo, a Lapa do Senhor Morto, e a igreja nova de Nossa Senhora da Piedade.
A sua origem remonta a 1348, ano em que o cónego da Sé de Lisboa, Vicente Afonso Valente, instituiu, em testamento, este vínculo. Por matrimónio entre os Valente e os Castelo Branco, a Quinta passou para a posse dos segundos, nobilitados como Condes de Vila Nova de Portimão. Na segunda metade do século XVII, transitou para um ramo secundário dos Lencastres que, entre outros títulos, se tornaram, a partir de 1789, Marqueses de Abrantes. Numa primeira fase, importa reter o nome de um dos senhores da Quinta, D. Francisco de Castelo Branco Valente, camareiro-mor de D. João III, pela sua importância na configuração de uma propriedade de cariz intimista, meditativo, e totalmente dedicada, através de um amplo programa iconográfico, à evocação do Senhor Morto e de Nossa Senhora da Piedade. De acordo com a inscrição patente na ermida, em 1531 estaria concluído o referido programa, que incluía o oratório de São Jerónimo, a lapa e a ermida de N. Sra. da Piedade. Esta última, testemunha a construção de um pequeno templo manuelino (de matriz classicizante) associado a uma casa nobre, campestre (1998, p. 44). O oratório, com cúpula de gomos sobre a capela-mor e as armas do seu encomendador sobre o mainel do nartex, é um espaço que foi concebido para a oração individual e meditação de D. Francisco, situando-se numa zona rodeada por bosques, tal como a ermida. Conserva-se no local parte do conjunto de azulejos, nomeadamente os do século XVIII, alusivos a São Jerónimo, executados por Valentim de Almeida e seu filho Sebastião Inácio (1998, p. 49). Por último, a Lapa do Senhor Morto, reedificada no final do século XVII, é revestida por painéis evocativos de milagres de N. Sra. da Piedade, executados pelos mesmos pintores. No seu interior, o grupo escultórico em pedra de Ançã representa a Lamentação sobre Cristo Morto.
É possível que existisse uma casa de habitação anterior, mas foi, com certeza, na época do filho de D. Francisco que se constituiu o núcleo habitacional, a partir do qual se desenvolveu o edifício setecentista. Na realidade, sobrevivem estruturas medievais de um palácio fortificado, mas profundamente remodelado em data próxima de 1550, aproximando-se, então, de um "paço abaluartado ao gosto italiano" (PEREIRA, SOBRAL, 1994, p. 14). No final do século XVII, iniciou-se a edificação da nova igreja, cujo traçado tem vindo a ser atribuído a João Antunes; ideia corroborada pela documentação recentemente revelada. Nesta fase, a responsabilidade das obras recaiu sobre Frei António da Conceição, sendo proprietários D. Luís de Lencastre, cuja morte, ocorrida em 1704, atrasou o bom andamento dos trabalhos. Assim, a renovação setecentista foi levada a cabo por D. Pedro de Lencastre. A igreja foi sendo objecto de várias campanhas, com o retábulo de 1724-26 (hoje modificado) e os azulejos figurativos de c. 1728, atribuídos a Teotónio dos Santos. Entre 1749 e 1752 um novo surto construtivo foi motivado pela ascensão social de D. Pedro de Lencastre, que renovou parcialmente a igreja e iniciou uma vasta campanha de obras no jardim e no palácio, com o objectivo de normalizar e integrar ambas as estruturas. A sua morte, em 1752, veio interromper o processo. Neste contexto, merece especial importância o conjunto de azulejos que reveste o interior do Palácio, com cenas figurativas e de padrão, executadas pelos já referidos pintores Valentim e Sebastião de Almeida.(RC)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)
Edital N.º 58/83 de 18-08-1983 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de homologação de 18-10-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica
Parecer de 15-10-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Despacho de 29-10-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar o agendamento da elaboração de nova proposta de ZEP
Proposta de 7-10-2015 da DGPC para revogação do despacho de homologação da ZEP, por se desconhecer a sua delimitação
Em 6-12-1974 foi dado conhecimento do despacho à CM de Vila Franca de Xira e solicitada a afixação e publicação do respectivo edital
Despacho de homologação de 18-10-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica
Parecer de 15-10-1974 da 4.ª Sub-Secção da 2.ª Secção da JNE a propor a fixação da ZEP
Afectação 181502
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Lisboa / Vila Franca de Xira / Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa
Quinta da Piedade
Póvoa de Santa Iria -
Polícia:
LATITUDE
38.862163
LONGITUDE
-9.069786
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1348
1348, ano em que o cónego da Sé de Lisboa, Vicente Afonso Valente, instituiu, em testamento, este vínculo. Po
1531
1531 estaria concluído o referido programa, que incluía o oratório de São Jerónimo, a lapa e a ermida de N. Sra.
1550
1550, aproximando-se, então, de um "paço abaluartado ao gosto italiano" (PEREIRA, SOBRAL, 1994, p. 1
1704
1704, atrasou o bom andamento dos trabalhos.
1724
1724-26 (hoje modificado) e os azulejos figurativos de c.
1728
1728, atribuídos a Teotónio dos Santos. E
1749
1749 e 1752 um novo surto construtivo foi motivado pela ascensão social de D.
1752
1752 um novo surto construtivo foi motivado pela ascensão social de D.
1789
1789, Marqueses de Abrantes.
1916
1916 na posse da mesma família, a Quinta de Nossa Senhora da Piedade é, desde 1979, propriedade da Câmara Municipal d...
1974
1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica Parecer de 15-10-1974 da 4.ª Subsecção ...
1979
1979, propriedade da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
1983
1983 da CM de Vila Franca de Xira Despacho de homologação de 18-10-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturai...
1984
1984 (ver Decreto) Edital N.º 58/83 de 18-08-1983 da CM de Vila Franca de Xira Despacho de homologação de 18-10-1974 ...
1994
1994; 1998).A propriedade primitiva era bastante mais extensa do que o núcleo que hoje conhecemos, composto pelo jard...
1998
1998).A propriedade primitiva era bastante mais extensa do que o núcleo que hoje conhecemos, composto pelo jardim mur...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"O pintor Valentim de Almeida (1692-1779) e o programa de conservação e restauro da azulejaria da Quinta de Nossa Senhora da Piedade", Cira - Boletim Cultural, n.º 8, pp. 63-74 DUARTE, Ana Luisa, MANGUCCI, Celso Edição 1999 Vila Franca de Xira
"Quinta de Nossa Senhora da Piedade", Al-Madan - Arqueologia, Património e História Local, IIª série, n.º 3, Almada, pp. 125-131 MANGUCCI, Celso Edição 1994 Almada
Quinta de Nossa Senhora da Piedade - história do seu palácio jardins e azulejos MANGUCCI, Celso Edição 1998 Vila Franca de Xira
"French Models for Portuguese Tiles", Apollo SMITH, Robert C. Edição 1973 Londres
"A Quinta da Piedade entre o Manuelino e o Renascimento", Cira, Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, n.º 6, pp. 9-30 PEREIRA, Fernando António Baptista, SOBRAL, Carlos Edição 1994 Vila Franca de Xira
Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira) AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de Edição 1963 Lisboa
Santuário Mariano SANTA MARIA, Frei Agostinho de Edição 1933 Lisboa
"Inventario do Patrimonio Arqueologico e construido do Concelho de Vila Franca de Xira. Parcela 403-8", Boletim Cultural, n.º 1pp. 116-117 PARREIRA, Rui Edição 1985 Vila Franca de Xira
"O Palácio da Quinta da Piedade", Cira - Boletim Cultural, nº 8, pp. 75-80 ALMEIDA, José Carlos Ferreira de Edição 1999 Vila Franca de Xira
"Igreja da Piedade: depoimento", Notícias da Póvoa, pp. 5-6 ROTA, J. Edição 1984 Póvoa
"Municipalização e valorização das Quintas de Subserra e Piedade em Vila Franca de Xira", Poder local: património cultural (conferência do PCP sobre o Poder Local, Almada, 18 de Outubro de 1981), pp. 75-77 NUNES, M. Edição 1981 Lisboa

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