Nota Histórico-Artistica
A igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, que era comenda da Ordem de Avis, foi edificada entre 1569 e 1606 (embora ainda se registem notícias de trabalhos a decorrer em 1642), por ordem do rei D. Sebastião. Foram mestres de pedraria e, muito possivelmente, autores do risco, Gonçalo Dias de Carvalho e Paulo Afonso, dirigindo as obras António Gomes Soares (ESPANCA, 1978). Substituía-se, assim, a pequena igreja medieval existente no castelo por esta, de grandes dimensões, que se impunha isoladamente na praça de armas. Poucos anos depois, em 1646, este templo transformou-se num importante símbolo nacional, quando D. João IV entregou o reino nas mãos de Nossa Senhora da Conceição, desde então Padroeira de Portugal. A sua imagem, presente nesta igreja, recebeu a coroa dos reis de Portugal, que nunca mais a voltaram a usar.
Não há notícias de campanhas de obras no corpo do templo até à segunda metade do século XVIII, embora as capelas tenham sido objecto de intervenções decorativas que lhes conferiram uma linguagem maneirista e barroca.
Mais tarde, o Terramoto de 1755 provocou fortes danos, entre os quais se destaca a queda da abóbada de ogivas, que provocou a morte a vinte e nove mulheres. Os trabalhos de recuperação foram muito lentos e feitos parcialmente, pelo que no século XIX ainda se procedia à reedificação da fachada, apenas concluída cerca de 1870.
Apesar das intervenções de que foi objecto, em consequência do Terramoto, a igreja de Vila Viçosa revela, ainda, alguns pontos de contacto com a igreja maneirista de Santa Maria de Estremoz.
De planta longitudinal, a igreja apresenta três naves de cinco tramos com arcaria suportada por colunas dóricas, capelas laterais, e capela-mor mais estreita, flanqueada por absidíolos. A fachada, rematada por frontão triangular, é seccionada por pilastras de cantaria, que se prolongam pelo tímpano do frontão, definindo três panos. O central é mais largo, mas todos eles são marcados pela abertura de um portal de verga recta e por uma janela rectangular. O eixo principal é ainda mais acentuado por uma janela quadrangular que se abre no tímpano. À esquerda, e num plano ligeiramente recuado, ergue-se a torre sineira, com cunhais de cantaria e remate em coruchéu.
No interior do templo merece especial referência a capela-mor, com abóbada de cruzaria de ogivas de cerca de 1570 (não foi destruída pelo Terramoto) e com retábulo-mor, de desenho maneirista mas executado em 1716 sob traçado do Padre Manuel Pereira, da Congregação do Oratório (ESPANCA, 1978). No primeiro registo, as pinturas oriundas do Convento das Chagas alusivas à Ressurreição e à Aparição de Cristo à Virgem (porque as originais desapareceram) enquadram a tribuna com a imagem de Nossa Senhora da Conceição. Correspondem-lhes, no registo seguinte, e também separadas por colunas estriadas de capitéis compósitos, o Presépio e a Apresentação da Virgem no templo, com Cristo Crucificado, ao centro. Termina em semicírculo, com o brasão e a coroa real sobre o medalhão representando a Virgem.
Algumas das capelas laterais, que revelam grande unidade decorativa, com azulejos seiscentistas, com pinturas murais na abóbada e retábulos de talha dourada, também do século XVII. Entre elas, destaca-se a capela do Santíssimo Nome de Jesus, que apresenta panos murários revestidos por painéis de azulejo assinados por Policarpo de Oliveira Bernardes, pintura mural na abóbada e retábulo de talha dourada, barroco.
(Rosário Carvalho)