Nota Histórico-Artistica
A fundação e construção do Bairro Grandela está ligada ao desenvolvimento industrial da cidade de Lisboa entre meados do século XIX e as primeiras décadas do século XX, e o consequente crescimento social que daí adveio. Na realidade, o advento da indústria lisboeta fez com que o número de habitantes da capital duplicasse entre 1860 e 1910, embora o tecido urbano não estivesse preparado para receber semelhante número de habitantes.
Até ao início da centúria de Novecentos, estes novos operários e as suas famílias, vindos maioritariamente do mundo rural, ocuparam casas nobres abandonas e conventos devolutos, terrenos livres e logradouros de prédios nas zonas mais antigas da capital.
Esta ocupação, muitas vezes desordenada, que deu origem aos chamados "pátios", originou vários problemas relacionados com a higiene e a saúde pública, aos quais o poder político não soube dar resposta.
Desta forma, foram os particulares, nomeadamente os industriais, que tiveram a iniciativa de construir vilas e bairros para que aí se fixassem os seus operários.
Foi, pois, neste contexto que Francisco de Almeida Grandela ordenou, em 1902-1904, que se iniciasse a construção da sua fábrica e do respectivo bairro de operário na antiga Quinta dos Loureiros, junto à Estrada de Benfica e à ribeira de Alcântara.
O bairro, terminado em 1910, é constituído por um conjunto de 70 habitações, dispostos em dois grandes corpos edificados que formam igual número de quarteirões. Estes corpos dividem-se em dois pisos, nos quais a habitação superior tem acesso directo à rua através de escada com alpendre. Numa outra zona dos quarteirões foram edificadas as moradias unifamiliares, destinadas aos encarregados da fábrica.
No topo de cada um destes blocos, foram construídos dois edifícios de grandes proporções, cuja fachada é precedida por escadaria, possuindo pórtico apoiado em seis colunas, com frontão decorado com a insígnia de Francisco Grandela, acompanhada pela divisa "Sempre Por Bom Caminho e Segue". Estes espaços estavam destinados primitivamente à escola primária e à creche dos filhos dos operários da Fábrica Grandela ; actualmente, a creche funciona na antiga escola primária, e o edifício do anterior infantário é agora ocupado pela Biblioteca-Museu República e Resistência.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR, I.P./ Setembro de 2007
Diploma de Classificação
Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)
Edital N.º 176/82 de 22-12-1982 da CM de Lisboa
Despacho de concordância de 29-03-1982 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 20-10-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 8-10-1981 do IPPC
Número do Processo
Junto à Estrada de Benfica, abrangendo as Ruas de Santa Matilde, do Dr. Gregório Fernandes e a Avenida dos Empregados dos armazéns Grandela.
Estrada de Benfica
Rua Francisco Grandela
Rua Santa Matilde
Rua Dr. Gregório R. Fernandes
Avenida Empregados dos Armazéns Grandela