Nota Histórico-Artistica
Edificada cerca de 1635, a Igreja de Nossa Senhora dos Mártires veio substituir a pequena capela com o mesmo orago edificada em meados do século XVI por ordem do bispo da Guarda na zona mais alta de Constância, então designada pelo topónimo de Punhete.
O templo foi mandado erigir a expensas da Confraria de Nossa Senhora dos Mártires, apresentando uma ampla estrutura de gosto maneirista, que convive harmoniosamente com o programa decorativo rococó, derivado da morosa campanha edificativa, que se arrastou até meados do século XVIII.
Em 1755, ainda decorriam as obras de reedificação, a capela quinhentista primitiva foi demolida, estando até então integrada na nova estrutura da igreja.
A fachada é marcada por três registos distintos de três panos, que dão a ilusão de espaço interior tripartido. No primeiro registo foram abertas três portas, a do meio mais elevada e de moldura mais elaborada, encimadas por três janelões com molduras de volutas. Em cada um dos panos laterais foram rasgados três janelos e do lado direito foi edificada uma sineira. O conjunto central do frontispício é rematado com frontão contracurvado.
O interior, de nave única, apresenta um opulento programa decorativo rococó, repleto de estuques policromados e estátuas de mármore representando doutores da igreja, dispostas sobre os pilares que ladeiam as oito capelas laterais, abertas no registo inferior.
O tecto que cobre a nave foi pintado por José Malhoa entre 1897 e 1899, representando a Assunção de Nossa Senhora junto aos rios de Constância.
A capela-mor, coberta com abóbada de aresta, possui retábulo de mármore policromo, e no programa pictórico destaca-se a tela de Nossa Senhora da Conceição, atribuída a Domingos Sequeira.
A Igreja de Nossa Senhora dos Mártires tornou-se matriz da vila de Constância a partir de 1822, depois de as tropas napoleónicas terem destruído a velha matriz de São Julião.
Catarina Oliveira
IPPAR/2006
Diploma de Classificação
Portaria n.º 61/2026/2, DR, 2.ª série, n.º 20, de 29-01-2026 (alterou a categoria de classificação para MIP) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 13-01-2026 do presidente do Património Cultural, IP
Em 7-01-2026 a CCDR de Lisboa e Vale do Tejo informou que não foram apresentadas quaisquer observações
Anúncio n.º 340/2025, DR, 2.ª série, n.º 214, de 5-11-2025 (ver Anúncio)
Em 31-10-2025 o presidente do Património Cultural, IP determinou que se realizasse a audiência dos interessados
Parecer favorável de 10-12-2024 da SEPPAAI do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 3-10-2024 da Divisão de Cadastro, Inventário e Classificação do Património Cultural, IP para a alteração da categoria de classificação, de IIP para MIP, de acordo com a legislação em vigor
Despacho de 11-06-2013 da diretora-geral da DGPC a revogar o despacho de 24-11-2010, considerando de novo o imóvel classificado como IIP
Informação de 5-03-2013 do pároco, referindo que, apesar de a maior veneração da comunidade ser dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem, o padroeiro é São Julião Mártir, pelo que a designação deverá ser "Igreja de São Julião Mártir, matriz de Constância"
Despacho de concordância de 24-11-2010 do director do IGESPAR, I.P., determinando, em consequência, a abertura de procedimento de classificação
Parecer de 23-11-2010 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura, a propor, face à impossibilidade de proceder à correcção, a abertura de procedimento de classificação com os mesmos pressupostos do decreto de 1954, para corrigir a situação anterior
Parecer de 12-02-2010 do DJC do IGESPAR, I.P., considerando que a classificação não produziu efeitos por inexistência de objecto
Proposta de 20-01-2010 do DIED do IGESPAR, I.P. para se proceder à correcção da designação
Decreto n.º 39 521, DG, I Série, n.º 21, de 30-01-1954 (classificou como IIP) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível