No século XIII, Mourão foi disputado entre os reinos de Portugal e de Leão, um pouco à semelhança do que, por essa mesma altura, acontecia com a linha fronteiriça do rio Côa. É assim que possuímos duas distintas doações da localidade: a primeira data de 1226 e refere-se à carta de foral passada por D. Gonçalo Viegas, prior da Ordem do Hospital; a segunda ocorreu na década de 80, por intermédio do monarca Sancho IV, que a doou a uma de suas barregãs - D. Teresa Gil de Riba Vizela.
Com a assinatura do Tratado de Alcanices, Mourão passou definitivamente para a posse de Portugal, tendo D. Dinis confirmado a pertença da localidade a D. Teresa de Riba Vizela. Anos depois, em 1313, o mesmo monarca doou a vila a D. Raimundo de Cardona e sua mulher, D. Beatriz, com a condição expressa de não construírem qualquer fortaleza, sintoma de que as estruturas defensivas senhoriais ameaçavam a segurança do rei e do seu teórico domínio sobre a totalidade do reino.
O actual castelo foi começado a construir no reinado de D. Afonso IV, sendo responsável pelos trabalhos Mestre João Afonso, conforme atesta a inscrição junto da porta principal: "ERA DE MIL CCC OITENTA E I ANOS PRIMO DIA DE MARÇO DOM AFONSO O QUARTO REI DE PORTUGAL MANDOU COMEÇAR E FAZER ESTE CASTELO DE MOURÃO E O MESTRE QUE O FAZIA HAVIA NOME JOÃO AFONSO (...)". O recinto é de planta trapezoidal algo irregular, defendido por torreões comunicantes por adarve. A porta principal rasga-se do lado ocidental e é protegida por duas torres quadrangulares, como foi usual nos projectos militares góticos. No interior, destacam-se as casas do antigo alcaide, localizadas na vertente setentrional e adossadas à muralha.
Na primeira metade do século XVI, o conjunto foi intervencionado por dois importantes arquitectos régios, os irmãos Francisco e Diogo de Arruda. Será da sua responsabilidade a barbacã e o fosso que envolviam parte do castelo trecentista, sendo-lhes ainda atribuídas numerosas obras de actualização e de reforço, documentadas pelos desenhos de Duarte d'Armas.
A derradeira fase de obras no castelo ocorreu imediatamente após a proclamação da independência de 1640. A posição fronteiriça de Mourão determinou a reforma do seu dispositivo defensivo, com trabalhos a cargo de Nicolau de Langres e Pierre de Saint-Colombe. O projecto seguido, que obedeceu às concepções de Vaubin, dotou o velho castelo medieval de uma dupla cintura de muralhas, adaptadas ao tiro horizontal da guerra de Seiscentos, com revelins pontiagudos e outros espaços defensivos de planta tendencialmente estrelada.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
ZEP
n/a
Afectação
181502
Abrangido
em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra
Classificação
Sem registos associados
Localização
Évora / Mourão / Mourão
Rua Frei António das Chagas
Mourão -
Polícia:
LATITUDE
38.385137
LONGITUDE
-7.346652
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1226
1226 e refere-se à carta de foral passada por D.
1313
1313, o mesmo monarca doou a vila a D.
1640
1640.
1957
1957 (ver Decreto) No século XIII, Mourão foi disputado entre os reinos de Portugal e de Leão, um pouco à semelhança ...
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Bibliografia
Título
Autor(es)
Tipo
Data
Local
Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses
ALMEIDA, João de
Edição
1948
Lisboa
Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I)