Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Forte de São Francisco Xavier foi erigido junto à rochosa foz do rio Douro, sobre o penedo do Queijo, cuja toponímia acabaria por dar origem ao nome pelo qual a fortaleza é habitualmente conhecida, Castelo do Queijo.
A fortaleza desenvolve-se numa planta trapezoidal "baseada num triângulo equilátero cujo vértice aponta ao mar" (MOREIRA, Rafael: 1986, p.77), o forte possui panos muralhados rodeados por fosso com canhoeiras e guaritas rematadas por cúpulas. O grande portal de acesso ao interior, com ponte, é encimado pelo escudo real, permitindo a comunicação com a praça de armas, onde se edificou a Casa do Governador e espaços de aquartelamento de um piso. Uma rampa, colocada numa das extremidades da praça, dá acesso à bateria.
HistóriaA construção do Forte de São Francisco Xavier do Queijo integrou-se no amplo plano de defesa da costa marítima de Portugal continental levado a cabo pela Coroa portuguesa no período pós-Restauração. O desenho primitivo foi delineado em 1651 pelo engenheiro francês Lassart, responsável por "inspeccionar as fortificações existentes e projectar as que fossem necessárias" na zona norte do país (MOREIRA, 1986, p.77). No entanto, o fraco interesse estratégico que a zona do Queijo apresentava em relação a outros importantes pontos costeiros fez com que a edificação fosse adiada, iniciando-se somente cerca de 1661, segundo plano do engenheiro Miguel de L'École e sob a direção do capitão Carvalhais Negreiros.
A obra foi edificada a expensas da edilidade local, que ficou também responsável pela sua manutenção futura, o que em muito desagradou aos vereadores da cidade do Porto. Estes acabariam por pedir ao rei D. João V, em 1717, que desativasse as funções defensivas da fortaleza e extinguisse a sua companhia, por considerarem que o Castelo do Queijo era "inútil e supérfluo, que nenhuma utilidade é a dele, pois aquela costa por si se defende". No entanto, e apesar dos argumentos apresentados, o monarca manteve a praça ativa.
No início do século XIX, por não tendo tido qualquer papel de relevância na defesa da cidade durante as Invasões Francesas, a estrutura da fortaleza acabaria por ser considerada obsoleta. Porém, durante o cerco do Porto, entre 1828 e 1834, as tropas miguelistas ocuparam o Castelo do Queijo, num período conturbado que em muito contribuiu para a destruição de parte da estrutura. Depois da derrota absolutista, o forte ficou votado ao abandono, chegando a ser saqueado pela população.
O Forte de São Francisco Xavier passou por diversas tutelas a partir da segunda metade do século XIX e ao longo do século XX, tendo sido classificado como de interesse público em 1934. No ano de 1978 o espaço foi entregue à Associação de Comandos e a sua estrutura primitiva foi restaurada. Atualmente, o Castelo do Queijo alberga um museu histórico-militar.
Catarina Oliveira
DGPC, 2022
Diploma de Classificação
Decreto n.º 23 684, DG, Série I, n.º 65, de 20-03-1934 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível