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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto

Arquitectura Civil / Cadeia

Designação
Designação Atual
Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto
Outras Designações
Cadeia e Tribunal da Relação do Porto / Centro Português de Fotografia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Cadeia
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
[Edifício mandado construir em 1765, por João de Almada e Melo, para cadeia no Porto e que hoje abriga também o Tribunal da Relação do Porto]
Concebido numa época marcada por profundas alterações ao nível da doutrina penal e do sistema prisional, o espaço interior foi modificado consoante as necessidades funcionais evidenciadas, pontualmente, por cada instituição.
Com cerca de duzentos anos de história, o edifício encerra algumas das memórias mais relevantes da cidade do Porto Em 1797, ocorreu a primeira sessão do tribunal, terminando com um período demasiado longo, ponteado de inúmeras dificuldades que, desde os finais de seiscentos, obstaram à obtenção de um edifício próprio para funcionamento do Tribunal, que chegou a funcionar na Casa da Câmara, no Colégio de São Lourenço e no Palácio dos Condes de Miranda.

Entretanto, em 1608, fora acomodado num edifício expressamente erguido para o efeito, no Morro da Vitória, junto à "Porta do Olival" (a segunda mais importante da cidade), numa zona que passaria a estar intimamente relacionada com questões do foro jurídico. Contudo, poucos anos depois, em 1632, o forte movimento opositor ao governo espanhol terão estado na origem de um incêndio que o devastou parcialmente, ao qual se seguiu uma reconstrução revestida de maior monumentalidade que o professo Manuel Pereira de Novais elogiara rasgadamente. Em 1643, D. João IV (1634-1685) autorizava a transição dos presos para a nova Cadeia, enquanto o Tribunal seria instalado no mesmo edifício passados sete anos, em 1650.

Em face do avançado estado de degradação que o imóvel já apresentava em 1747, as autoridades régias ordenaram a aquisição de várias estruturas adjacentes, a fim de se proceder à construção das denominadas "novas cadeias", para as quais se solicitou o risco do conhecido arquitecto toscano Nicolau Nasoni (1691-1773), enquanto se demolia gradualmente o anterior edifício. Mas como a Casa do Despacho da Relação derruíra, o Tribunal foi obrigado a recolher-se, de novo, à Casa da Câmara, até ser deslocado para o palacete da Praça das Hortas. E por razões ainda desconhecidas, o projecto inicial de Nasoni foi substituído pelo do arquitecto-engenheiro Eugénio dos Santos e Carvalho (1711-1760), a quem o Marquês de Pombal (1699-1782) incumbira de reconstruir a parte da cidade de Lisboa destruída pelo terramoto de 1755.

Em finais de 1796, o príncipe regente e futuro D. João VI (1767-1826), ordenou a mudança do Tribunal para o actual imóvel, cuja construção se iniciara trinta anos antes. Na verdade, este terá sido o primeiro grande edifício civil erguido na cidade do Porto no âmbito da renovação urbanística promovida pelo governador geral da província e da cidade do Porto, João de Almada e Melo (1757-1786), primo de Pombal, o que poderá, de alguma forma, explicar toda a simbologia evocativa do despotismo iluminado impressa na sua estrutura.
Mas o imóvel espelha também a história portuense, pois certos nomes das Artes e Letras foram aí presos, a exemplo de Camilo Castelo Branco (1825-1890). Além disso, encerra páginas marcantes do Portugal oitocentista, desde a ocupação de Andoche Junot (1771-1813) até às lutas liberais.

E foi esta memória que se tentou recuperar mais recentemente, quando o imóvel passou a sede do Centro Nacional de Fotografia, depois da cadeia ter sofrido um longo período de decadência. Assinado pelo arquitecto portuense Humberto Vieira, o projecto previu a valorização parcial das áreas originais, onde se pode admirar este edifício de planta poligonal, em cujo alçado principal ressalta um vestíbulo grandioso encimado por frontão triangular com tímpano decorado com as armas reais, a par de três figuras esculpidas, uma das quais representando a Justiça, enquanto a fachada voltada para o Campo dos Mártires da Pátria ostenta um chafariz adossado.

[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 6/2017, DR, 1.ª série, n.º 43, de 1-03-2017 (reclassificou como MN e alterou a designação para "Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto") (ver Decreto)
Reclassificação aprovada na reunião do Conselho de Ministros de 5-01-2017
Reenviado em 10-08-2016 ao Gabinete do Ministro da Cultura para a ponderação da publicação da classificação
Processo devolvido sem qualquer decisão
Em 7-07-2015 foi enviado o projeto de diploma à SEC
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 15-06-2015 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 281/2014, DR, 2.ª série, n.º 230, de 27-11-2014 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 20-10-2014 do diretor-geral da DGPC
Parecer favorável de 15-10-2014 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Informação favorável de 3-10-2013 da DRC do Norte
Proposta de 1-02-2013 do Centro Português de Fotografia para a reclassificação como MN
Proposta de 3-01-1994 da DR do Porto do IPPAR para a reclassificação como MN
Decreto n.º 22 619, DG, I Série, n.º 122, de 2-06-1933 (classificou como IIP com a designação de "Edifício mandado construir em 1756, por João de Almada e Melo, para cadeia no Porto, e que hoje abriga também o Tribunal da Relação do Porto") (ver Decreto)
Número do Processo
Campo Mártires da Pátria, Rua de S. Bento da Vitória e Travessa de S. Bento.
Proteção
Classificado
Classificado como MN - Monumento Nacional

ZEP Despacho de concordância de 20-10-2014 do diretor-geral da DGPC
Parecer de 15-10-2014 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor que a ZEP seja revista
Proposta de 3-10-2013 da DRC do Norte
Afectação 12615952
Localização
Porto / Porto / Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, São Nicolau e Vitória
Rua de São Bento da Vitória
Porto -
Polícia:
Travessa de São Bento
Porto -
Polícia:
Largo Amor de Perdição
Porto -
Polícia:
LATITUDE
41.144604
LONGITUDE
-8.615919
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1608
1608, fora acomodado num edifício expressamente erguido para o efeito, no Morro da Vitória, junto à "Porta do Olival"...
1632
1632, o forte movimento opositor ao governo espanhol terão estado na origem de um incêndio que o devastou parcialment...
1634
1634-1685) autorizava a transição dos presos para a nova Cadeia, enquanto o Tribunal seria instalado no mesmo edifíci...
1643
1643, D.
1650
1650.
1685
1685) autorizava a transição dos presos para a nova Cadeia, enquanto o Tribunal seria instalado no mesmo edifício pas...
1691
1691-1773), enquanto se demolia gradualmente o anterior edifício.
1699
1699-1782) incumbira de reconstruir a parte da cidade de Lisboa destruída pelo terramoto de 1755.
1711
1711-1760), a quem o Marquês de Pombal (1699-1782) incumbira de reconstruir a parte da cidade de Lisboa destruída pel...
1747
1747, as autoridades régias ordenaram a aquisição de várias estruturas adjacentes, a fim de se proceder à construção ...
1755
1755.
1756
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1757
1757-1786), primo de Pombal, o que poderá, de alguma forma, explicar toda a simbologia evocativa do despotismo ilumin...
1760
1760), a quem o Marquês de Pombal (1699-1782) incumbira de reconstruir a parte da cidade de Lisboa destruída pelo ter...
1765
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1767
1767-1826), ordenou a mudança do Tribunal para o actual imóvel, cuja construção se iniciara trinta anos antes. Na
1771
1771-1813) até às lutas liberais. E
1773
1773), enquanto se demolia gradualmente o anterior edifício.
1782
1782) incumbira de reconstruir a parte da cidade de Lisboa destruída pelo terramoto de 1755.
1786
1786), primo de Pombal, o que poderá, de alguma forma, explicar toda a simbologia evocativa do despotismo iluminado i...
1796
1796, o príncipe regente e futuro D.
1797
1797, ocorreu a primeira sessão do tribunal, terminando com um período demasiado longo, ponteado de inúmeras dificuld...
1813
1813) até às lutas liberais. E
1825
1825-1890).
1826
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1890
1890).
1933
1933 (classificou como IIP com a designação de "Edifício mandado construir em 1756, por João de Almada e Melo, para c...
1994
1994 da DR do Porto do IPPAR para a reclassificação como MN Decreto n.º 22 619, DG, I Série, n.º 122, de 2-06-1933 (c...
2013
2013 da DRC do Norte Proposta de 1-02-2013 do Centro Português de Fotografia para a reclassificação como MN Proposta ...
2014
2014, DR, 2.ª série, n.º 230, de 27-11-2014 (ver Anúncio) Despacho de concordância de 20-10-2014 do diretor-geral da ...
2015
2015 foi enviado o projeto de diploma à SEC Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 15-06-2015 do di...
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2017
2017, DR, 1.ª série, n.º 43, de 1-03-2017 (reclassificou como MN e alterou a designação para "Antiga Cadeia e Tribuna...
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IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Porto na época dos Almadas. Arquitectura. Obras Públicas AA. VV. Edição 1988 Porto
"Cadeia da Relação", in Guia de Portugal, v.4, t. I : Entre Douro e Minho, Douro Litoral PROENÇA, Raul Edição 1983 Lisboa
Inventário Artístico de Portugal: Cidade do Porto QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho Edição 1995 Lisboa
Porto a Património Mundial - Processo de Candidatura da Cidade do Porto à Classificação pela UNESCO como Património Cultural da Humanidade LOZA, Rui Ramos Edição 1993
"A Cadeia e Tribunal da Relação do Porto. Quatro documentos para a história da sua construção", Boletim do Arquivo Distrital do Porto ALVES, Joaquim J. Ferreira Edição 1985 Porto
O Palácio da Relação e Cadeia do Porto COELHO, Margarida Santos Edição 1993 Porto

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