Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O Palácio dos Condes da Guarda, atual Paços do Concelho, situa-se na Praça 5 de Outubro, defronte à Baía de Cascais. É uma construção de dois pisos marcada pela horizontalidade e sobriedade. Ostenta um ritmo uniforme de pilastras, cunhais de cantaria e vãos de molduras homogéneas. A fachada principal apresenta, ao nível do andar inferior, um revestimento em silhares de pedra bem aparelhada e um portal principal com arco de cantos arredondados. No andar nobre a austeridade dos perfis repetidos das sacadas e dos ferros forjados surge, no entanto, iluminada pelos revestimentos com painéis de azulejo que alternam com os vãos das janelas.
O edifício tem origem setecentista tendo sido ampliado em sucessivas campanhas de obras realizadas ao longo do século XX, nomeadamente em 1918, pela junção de três edifícios distintos, sendo que a entrada principal do palácio se situava a norte, onde ainda hoje se mantém.
Nos anos 40, quando a Câmara de Cascais já está na posse do imóvel, iniciam-se algumas obras de adaptação às novas funções, sobretudo ao nível dos interiores. Durante os anos 60 o edifício é de novo intervencionado, prolongando-se para sul, área ocupada até então por um imóvel de três andares, sendo que o corpo acrescentado reproduz fielmente a fachada existente. O que mais se destaca neste edifício é o programa decorativo de azulejos, considerada a maior coleção de registos de Santos alguma vez aplicados nas fachadas de um único imóvel.
Segundo José Meco (MECO, 2009), os azulejos mais antigos terão sido produzidos na Real Fábrica de Louça do Rato em 1790, mostrando afinidades com a obra de Francisco de Paula e Oliveira. Nos painéis de menores dimensões, observa-se uma expressão plástica mais rígida que, segundo o mesmo investigador (ob. cit), se assemelha ao modo de pintar do mestre Jorge da Costa. Por sua vez, os painéis de azulejos do corpo acrescentado em 1969, foram executados pelo artista João Alves de Sá, da Fábrica Viúva Lamego.
O interior do edifício, apesar de muito alterado, apresenta ainda alguns elementos notáveis que remontam à estrutura original, nomeadamente o pátio de entrada com cobertura abobadada e a escadaria de acesso ao primeiro piso decorado com azulejos dos finais do século XVIII. No patamar do primeiro lanço da escada encontra-se o mais notável exemplar de azulejaria deste edifício, a "figura de convite" de um alabardeiro. Ao nível do primeiro piso os espaços foram decorados nos anos 40 em estilo neobarroco, destacando-se o mobiliário, os trabalhos de madeira e os azulejos produzidos na fábrica Viúva Lamego da autoria de Eduardo Leite que, com mestria assinalável, reproduz alguns dos painéis existentes em S. Vicente de Fora. No patamar intermédio da escadaria é ainda visível um outro painel de azulejos do pintor João Alves de Sá, artista da mesma fábrica.
História
Os trabalhos arqueológicos realizados em 1992 na zona da entrada principal, deram a conhecer vestígios de ocupação sazonal de comunidades piscatórias entre os séculos XIII a XVII. Em finais do século XVIII surgem as primeiras informações sobre a existência de um palácio propriedade de D. Inês Margarida da Cunha o qual, durante as invasões napoleónicas, foi escolhido pelo governador de Cascais para albergar o Almirante da marinha britânica, Sir Charles Cotton.
Em 1810, o imóvel é vendido a João Lopes Calheiros de Menezes que aí fixa residência. Somente a partir de 1860, quando um dos herdeiros do proprietário recebe o título de Conde da Guarda é que a casa passa a ser conhecida como Palácio dos Condes da Guarda. Em 1918 o palácio é adquirido pelo advogado Herlander Ribeiro que aí pretendia instalar um hotel, casino, casa de banhos, restaurante etc. atividades destinadas ao turismo que se afirmava na época. Falhado este empreendimento, o edifício passa a ser propriedade da Sociedade Comercial de Cascais que, em 1932, vende à Câmara Municipal de Cascais.
Maria Ramalho/DGPC/2015. Colaboração da CMC.
Diploma de Classificação
Aviso de 5-05-2006 da CM de Cascais publicado no Boletim Municipal de 10-05-2006
Despacho de 3-03-2006 da Vereadora da Cultura, Educação e Assuntos Sociais e Saúde da CM de Cascais foi homologada a classificação como de IM
Em 17-09-2004 foi dado conhecimento do despacho à CM de Cascais
Despacho de concordância de 7-09-2004 do presidente do IPPAR, com o consequente encerramento do procedimento de classificação de âmbito nacional
Proposta de 23-07-2004 da DR de Lisboa para que se considere que o imóvel não tem valor cultural para uma classificação de âmbito nacional
Pedido de parecer de 31-07-2003 da CM de Cascais sobre a eventual classificação como de IM
Deliberação de 30-06-2003 da CM de Cascais a determinar o interesse na abertura de procedimento de classificação como de IM
Número do Processo
Não disponível