Nota Histórico-Artistica
Não se sabe ao certo a que data remonta o Palácio da Rosa, embora seja certo que o imóvel que hoje conhecemos resulta de uma profunda intervenção arquitectónica, ou mesmo total remodelação e reconstrução, ocorrida no século XVIII, a expensas de Xavier de Lima, ascendente dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira e Marqueses de Ponte de Lima, família que foi proprietária do Palácio até 1970, data em que a mesma o vendeu à Câmara Municipal de Lisboa (PINTO, s.d., p. 1).
A heráldica da família encontra-se presente por todo o Palácio, desde o portal principal, de acesso ao pátio, até aos azulejos que figuram neste espaço, recordando a todos quantos por ali passassem a importância do imóvel e dos seus proprietários, o que implicaria, em última análise, uma forma de propaganda e exibição de poder.
De planta em L, mas irregular, o edifício estrutura-se em função do pátio, caracterizando-se as fachadas e respectivos vãos por uma grande sobriedade e depuração. É sabido que sofreu danos em consequência do Terramoto de 1755, que afectou profundamente a igreja paroquial, cuja fachada lateral se encontra no alinhamento do frontispício do Palácio. É possível que esta depuração encontre a sua razão de ser na reparação dos estragos provocados pelo sismo (GONÇALVES, 1994, p. 783).
O já referido portal, de linguagem barroca, é rematado por um frontão triangular, a que se sobrepõe uma cartela rococó, com o brasão esquartelado dos Limas, Nogueiras, Vasconcelos e Britos, ou seja, dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira e Marqueses de Ponte de Lima. Flanqueiam-no dois leões, numa composição que se prolonga pela janela superior. O restante alçado, dividido em dois corpos, não apresenta elementos dignos de nota, à excepção do primeiro exibir um friso a separar os três pisos e, o segundo, mais baixo, acompanhando o declive do terreno, ser coroado por uma balaustrada.
Os últimos andares remontam à mais recente intervenção de que o imóvel foi alvo, ocorrida entre 1904 e 1906. É desta campanha, também, o revestimento azulejar do pátio interno, pintado e assinado por Pereira Cão em 1904 e 1906 e executado na Fábrica da Viúva Lamego (PINTO, s.d.). A obra, patrocinada pelo Marquês de Castelo Melhor Varzea, pretendia assinalar alguns episódios importantes da história do país e da família, a par da representação de diferentes brasões, alusivos aos seus proprietários, cujo estudo permite perceber as ligações internas desta família (PINTO, s.d.). A riqueza do património azulejar do Palácio não se esgota, no entanto, nestes painéis polícromos e azuis e brancos do pátio, mas estende-se a todo o imóvel, onde é possível encontrar exemplares de épocas diferenciadas.
No interior, marcado por amplos salões, com comunicação entre si, a decoração adapta-se à função de cada um, destacando-se os estuques pintados do final do século XVIII e inícios do XIX, ou o revestimento em boiserie da antiga biblioteca.
Depois da aquisição do imóvel, em 1970, pela Câmara Municipal de Lisboa, muitos foram os projectos que aqui se pensaram implementar, quase todos de cariz cultural. O Gabinete de Estudos Olissiponenses esteve aqui instalado, tal como a Academia de História. Mais recentemente, a autarquia tem ponderado a possibilidade da venda do Palácio, tendo em vista transformá-lo num hotel de luxo. Apenas a título de curiosidade, refira-se que, escavações recentes (2001), na contígua igreja de São Lourenço, trouxeram ao conhecimento geral importantes vestígios de janelas góticas e capelas do século XIV, a par de sepulturas e outros materiais arqueológicos (RIBEIRO, O Público, 23 de Março de 2001).
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Portaria n.º 740-J/2012, DR, 2.ª série, n.º 248 (suplemento), de 24-12-2012 (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 14-09-2012 do diretor-geral da DGPC
Anúncio n.º 12827/2012, DR, 2.ª série, n.º 114, de 14-06-2012 (ver Anúncio)
Despacho de concordância de 2-02-2012 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer favorável de 23-01-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 30-12-2011 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo para a classificação como MIP
Procedimento prorrogado até 31-12-2012 pelo Decreto-Lei n.º 115/2011, DR, 1.ª série, n.º 232, de 5-12-2011 (ver Diploma)
Procedimento prorrogado pelo Despacho n.º 19338/2010, DR, 2.ª série, n.º 252, de 30-12-2010 (ver Despacho)
Despacho de concordância de 17-01-2007 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 20-12-2006 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 4-07-2006 da DR de Lisboa para a classificação como IIP
Edital N.º 76/2005 de 16-09-2005 da CM de Lisboa
Despacho de abertura de 27-01-2005 do presidente do IPPAR
Proposta de 20-12-2004 da DR de Lisboa para a abertura de procedimento de classificação de âmbito nacional (delimitação diferente da que está classificada como de IM)
Nota: este conjunto foi classificado como IM pela CM de Lisboa (Boletim Municipal de 30-12-2004)
Deliberação de 7-12-2004 da AM de Lisboa a aprovar a classificação como de IM
Deliberação de 10-11-2004 da CM de Lisboa a aprovar a classificação como de IM
Despacho de 11-08-2004 do presidente da CM de Lisboa a determinar a abertura do processo de instrução para a eventual classificação como de IM