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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

A fachada <i>rocaille</i> e escadaria do Palácio do Raio

Arquitectura Civil / Solar

Designação
Designação Atual
A fachada <i>rocaille</i> e escadaria do Palácio do Raio
Outras Designações
Tipologia
Solar
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
O Palácio do Raio deve a sua designação a um dos proprietários - Miguel José Raio, Visconde de São Lázaro -, que adquiriu este imóvel em 1867 (PASSOS, 1954, p. 85). No entanto, a sua edificação é bem anterior, remontando aos anos de 1754-1755. Nesta época, um poderoso comerciante de Braga, João Duarte de Faria, deverá ter encomendado a traça do solar a André Soares, o arquitecto (que desenvolveu actividade noutras áreas, como a talha) oriundo de Braga, que foi um dos expoentes máximos do desenvolvimento da cidade dos Cardeais, no decorrer da segunda metade do século XVIII. Ao reformular um estilo já introduzido no Porto por Nasoni, Soares baseou-se na interpretação de gravuras franco-alemãs, construindo "(...) umas das expressões mais distintas e poderosas do rococó europeu" (SMITH, 1973, p. 496). A sua obra caracteriza-se pela monumentalidade, pela plasticidade das formas, e pelo emprego de uma gramática decorativa naturalista, muito característica, de concheados, jarros, grinaldas e festões (SMITH, 1968, p. 305) (que denuncia a influência das gravuras de Augsburgo ou do francês Meissonier, entre outros). No contexto da arte portuguesa, André Soares enquadra-se entre o final do barroco e o início do rococó, situação que se reflecte nas suas arquitecturas, onde a estrutura é barroca mas a decoração rococó (PEREIRA, 1989, p. 456).
Assim, e embora não subsista documentação relativa a esta obra, parece consensual a sua atribuição a André Soares. Este, havia trabalhado anteriormente no Santuário do Bom Jesus e na igreja de Santa Maria Madalena da Falperra, sendo que a Casa do Raio pode ser entendida enquanto prolongamento do "carácter festivo da Falperra" (SMITH, 1973, p. 502).
Considerada como uma das mais importantes obras deste artista, a Casa do Raio apresenta uma fachada profusamente decorada, em que a simetria geral contrasta com as assimetrias introduzidas pelos frontões das janelas (FERNANDES, 1989, p. 456). Neste alçado, assume particular relevância a secção central, à semelhança do modelo utilizado quer na igreja da Falperra, quer na Câmara Municipal, ambas coevas do Palácio do Raio. A janela que se sobrepõe ao portal liga-se a um frontão curvo, que lembra o da igreja de Santa Maria Madalena, mas aqui a decoração é projectada, destacando-se fortemente da restante fachada (SMITH, 1973, p. 503). Os azulejos que a revestem foram uma incorporação já do século XIX.
Vítor Serrão refere, ainda, que é através do "sensual e poderoso sentido de des-construção das aberturas que "quase anuncia a arte de um Gaudí "(WOHL, 1993) , que o edifício se impõe em novidade e aparato, numa pujança sensual de ritmações rocaille que se prolonga à bem lançada escadaria nobre, ornada pelo singular turco como exótica figura de convite" (SERRÃO, 2003, p. 272).
No interior, destaca-se a referida escadaria, com três arcos e a escultura do turco, obra comparável às quatro estátuas da esplanada da igreja do Bom Jesus, cuja concepção Smith atribuí a André Soares, e a execução aos pedreiros José e António de Sousa (SMITH, 1973, p. 505). No patamar, os azulejos que retratam cenas galantes devem ter sido executados por Bartolomeu Antunes, sendo curioso verificar as diferentes interpretações do rocaille - uma mais tradicionalista, oriunda de uma oficina de Lisboa e outra em que predomina a agitação característica do norte do país, nomeadamente de Braga (SMITH, 1973, p. 504).
RC
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 684, DG, I Série, n.º 146, de 13-07-1956 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 589/2011, DR, 2.ª Série, n.º 119, de 22-06-2011 (com ZNA) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 7-10-2009 da Ministra da Cultura (a alteração só entra em vigor após publicação no DR)
Parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. de 1-10-2008
Proposta de 28-08-2008 da DRC do Norte para a revisão da ZEP
Portaria de 24-04-1970, publicada no DG, II Série, n.º 105, de 5-05-1970
Afectação 12707538
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Braga / Braga / Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)
Rua do Raio
Braga -
Polícia:
LATITUDE
41.548387
LONGITUDE
-8.42268
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1754
1754-1755.
1755
1755.
1867
1867 (PASSOS, 1954, p.
1954
1954, p.
1956
1956 (ver Decreto) O Palácio do Raio deve a sua designação a um dos proprietários - Miguel José Raio, Visconde de São...
1968
1968, p.
1973
1973, p.
1989
1989, p.
1993
1993) , que o edifício se impõe em novidade e aparato, numa pujança sensual de ritmações rocaille que se prolonga à b...
2003
2003, p.
14
IMAGENS
7
BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
O Barroco SERRÃO, Vítor Edição 2003 Lisboa
"O barroco do século XVIII", História da Arte Portuguesa, vol.3 PEREIRA, José Fernandes Edição 1995 Lisboa
"SOARES, André", Dicionário da Arte Barroca em Portugal PEREIRA, José Fernandes Edição 1989 Lisboa
História da Arte em Portugal, vol. 9 BORGES, Nelson Correia Edição 1986 Lisboa
André Soares, arquitecto do Minho SMITH, Robert C. Edição 1973 Lisboa
"Três artistas de Braga (1735-1775)", Bracara Augusta (Actas do Congresso a Arte em Portugal no século XVIII) SMITH, Robert C. Edição 1973 Braga
"A Casa da Câmara de Braga (1753-1756)", Bracara Augusta SMITH, Robert C. Edição 1968 Braga

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