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Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

A fachada principal do Hospital de São Marcos e a da respectiva Igreja

Arquitectura Civil / Hospital

Designação
Designação Atual
A fachada principal do Hospital de São Marcos e a da respectiva Igreja
Outras Designações
Hospital de São Marcos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Hospital
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A edificação do Hospital de São Marcos remonta ao ano de 1508, e deve-se à dinâmica do governo eclesiástico de D. Diogo de Sousa, cujo sentido foi posteriormente retomado, sob o governo de D. Gaspar de Bragança, que finalizou as obras e a própria mensagem iconográfica. Esta última encontra-se intimamente relacionada com a edificação de um monumento, evocativo do martírio do orago e dos restantes discípulos de Cristo, presentes na balaustrada. De facto, a leitura do apostolado (atribuído a Landim) e a sua ligação às evocações centralizadoras da planta e da fachada celebram e destacam a ligação entre o orago (o apóstolo São João Marcos) "com o Cenáculo e com os Apóstolos, seus assíduos frequentadores" (DUARTE, 1996, p. 176). Recorde-se que São João Marcos, discípulo de Cristo e evangelizador com São Paulo e São Barnabé, era o proprietário da casa onde Cristo celebrou a Última Ceia e onde ocorreu o Pentecostes. A presença em Braga das suas relíquias (o túmulo venera-se na capela-mor da igreja) e toda a controvérsia associada, não impediram que o seu culto fosse muito celebrado na cidade, e os milagres por si perpetuados eram de tal ordem que o largo da igreja, sob a sua invocação, passou a ser conhecido como Campo dos Remédios.
Mas, regressando à história do Hospital, este foi erguido no local onde existia uma ermida, pelo menos desde o século XII, dedicada a São Marcos, e ainda uma albergaria e um convento templário. Como já referimos, foi D. Diogo de Sousa quem fundou o Hospital, reunindo neste novo organismo todos os outros existentes na cidade, num esforço de centralização das instituições assistenciais de Braga, que se enquadra num quadro mental mais amplo, relacionado com "a ideologia renascentista e italianizante, pela qual o prelado se orientava" (DUARTE, 1996, p. 156). A primeira administradora do Hospital foi a Câmara Municipal, mas em 1559 essa responsabilidade foi transferida para a Misericórdia, por intervenção de Frei Bartolomeu dos Mártires.
Mais tarde, e já no século XVIII, o edifício foi objecto de uma grande ampliação, cujas obras tiveram início no claustro grande (1721-23) e enfermarias, estendendo-se, pouco depois, à igreja e ao claustro pequeno. O projecto foi concebido por Manuel Pinto Vilalobos, e executado por Pascoal Fernandes e Manuel Fernandes da Silva (este último já havia trabalhado no edifício, em 1706, numa intervenção de menor envergadura) (ROCHA, 1996, p. 157). Todavia, problemas com os desenhos levaram a que, em 1733, Carlos António Leoni apresentasse um novo projecto para a igreja e claustro pequeno, cuja concretização se prolongou, pelo menos, até à década de 1750. Sabe-se que André Soares também colaborou nesta construção, mas não foi ainda possível conhecer a extensão da sua contribuição (DUARTE, 1996, p. 158).
Esta sequência de obras, com atrasos motivados pela falta de recursos financeiros, conduz-nos, já na segunda metade do século XVIII, à figura de Carlos Amarante, cuja intervenção permanece ainda por esclarecer. É inequívoca a vontade da Misericórdia em terminar o edifício, apesar da nova igreja ter ficado concluída apenas em 1836, ano em que foi inaugurada. Todavia, não é possível perceber se Amarante concebeu um projecto de raiz ou se, pelo contrário, apenas concluiu e respeitou a estrutura pré-existente, e nesse caso, da autoria de Vilalobos. De qualquer forma, os investigadores parecem concordar nos elogios à solução encontrada, reveladora de uma forte unidade, que conjuga o templo central, de fachada convexa, com os dois blocos civis que o enquadram, numa linguagem clássica, influenciada por outras igrejas (como a de Nosso Senhor dos Passos, em Guimarães, de André Soares, ou a do convento de São Bento de Avé-Maria, no Porto) e pela tratadística francesa, mas cujo carácter barroco é inegável (DUARTE, 1996, p. 170). (Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 40 684, DG, I Série, n.º 146, de 13-07-1956 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP Portaria n.º 589/2011, DR, 2.ª Série, n.º 119, de 22-06-2011 (com ZNA) (ver Portaria)
Despacho de homologação de 7-10-2009 da Ministra da Cultura
Parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR, I.P. de 1-10-2008
Proposta de 28-08-2008 da DRC do Norte para a revisão da ZEP
Portaria de 24-04-1970, publicada no DG, II Série, n.º 105, de 5-05-1970
Afectação 12707538
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Braga / Braga / Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto)
Largo Carlos Amarante
Braga -
Polícia:
LATITUDE
41.548901
LONGITUDE
-8.423252
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1508
1508, e deve-se à dinâmica do governo eclesiástico de D. Di
1559
1559 essa responsabilidade foi transferida para a Misericórdia, por intervenção de Frei Bartolomeu dos Mártires. Mai
1706
1706, numa intervenção de menor envergadura) (ROCHA, 1996, p. 1
1721
1721-23) e enfermarias, estendendo-se, pouco depois, à igreja e ao claustro pequeno.
1733
1733, Carlos António Leoni apresentasse um novo projecto para a igreja e claustro pequeno, cuja concretização se prol...
1750
1750.
1836
1836, ano em que foi inaugurada.
1956
1956 (ver Decreto) A edificação do Hospital de São Marcos remonta ao ano de 1508, e deve-se à dinâmica do governo ecl...
1996
1996, p.
9
IMAGENS
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
Memórias para a história eclesiástica do Arcebispado de Braga ARGOTE, Jerónimo Contador de Edição 1734
"Hospital de S. João Marcos em Braga", Arquivo Pitoresco, vol. VII BARBOSA, Inácio de Vilhena Edição 1964 Lisboa
Memórias de Braga FREITAS, Bernardino José de Sena Edição 1890 Braga
Estudos sobre o século XVIII em Braga: história e arte OLIVEIRA, Eduardo Pires de Edição 1993 Braga
Uma figura nacional: Carlos Amarante (insigne arquitecto e engenheiro): 1748-1815 FEIO, Alberto Edição 1951 Braga
"D. Diogo de Sousa, grandioso Arcebispo Primás (1505-1532), fundador e benfeitor da Irmandade de N. Senhora da Misricórdia e Hospital de São Marcos de Braga", Lumen FERREIRA, José Augusto Edição 1935 Lisboa
"Ampliação e transformação do edifício do Hospital de S. Marcos de Braga, no século XVIII, segundo as plantas do Eng. Manuel Pinto Vilalobos e do arquitecto (?) Carlos Antonio Leoni", Lumen FERREIRA, José Augusto Edição 1939 Lisboa
"Carlos Amarante", Dicionário da Arte Barroca em Portugal ALVES, Joaquim J. Ferreira Edição 1989 Lisboa
Carlos Amarante e o final do classicismo (Dissertação de mestrado em História da Arte, apresentada à FCSH) DUARTE, Eduardo Edição 1996 Lisboa
Carlos Amarante (1748-1815) e o final do classicismo : um arquitecto de Braga e do Porto / DUARTE, Eduardo Edição 2000 Porto

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