Nota Histórico-Artistica
Imóvel
O complexo fortificado da praia e da ilha do Pessegueiro, em Porto Covo, é composto por dois fortes: o Forte de Nossa Senhora da Queimada, também conhecido como Forte do Pessegueiro, implantado num declive rochoso na área sul da praia, e o Forte de Santo Alberto, também denominado Forte da Ilha de Dentro, que foi erigido no centro da ilha do Pessegueiro, frente à costa e numa posição mais a norte em relação ao primeiro.
De planta poligonal estrelada, com dois baluartes poligonais e uma bateria poligonal virada à costa, o Forte do Pessegueiro é envolvido por fosso circundado por muro. No interior, o conjunto de construções está disposto em U, sendo estas cobertas por terraços. A capela, dedicada a Nossa Senhora da Queimada, e a zona de bateria sobre as casamatas ficaram danificadas durante o terramoto de 1755.
O Forte da Ilha de Dentro encontra-se muito arruinado, podendo no entanto perceber-se que obedecia a uma planta estrelada com quatro baluartes triangulares, dispostos simetricamente em cada um dos vértices. As casamatas dispunham-se na zona central da fortaleza, e frente à entrada foi edificada uma ermida, dedicada a Santo Alberto.
História
Fronteiro à ilha com o mesmo nome, o Forte do Pessegueiro foi planeado em 1588 por Filippo Terzi, fazendo parte de um projeto de construção de um porto artificial que faria a ligação entre a ilha e a costa de Porto Covo.
Dois anos depois o engenheiro Alexandre Massay substituía Terzi na direção das obras, sendo então iniciada a edificação da fortaleza, uma vez que o porto artificial estava já em construção. No ano de 1598 Massay ficava encarregue de iniciar a construção do forte de Vila Nova de Mil Fontes, o que fez com que as obras do Pessegueiro fossem interrompidas.
Ao longo do século XVII as obras foram suspensas e reiniciadas diversas vezes, adiando a conclusão da estrutura, que só estaria terminada em 1690, no reinado de D. Pedro II. A estrutura então erigida acabou por apresentar um modelo planimetricamente mais simples do que o desenhado no projeto maneirista original, certamente fruto das alterações vividas ao longo dos cem anos que separaram a traça de Terzi e a conclusão do forte.
Foi também nestes anos finais de Seiscentos que o monarca mandou edificar a fortaleza da Ilha do Pessegueiro, o designado Forte da Ilha de Dentro. Ao construir este segundo baluarte, a intenção da Coroa era reforçar a linha de fogo da defesa costeira de Porto Covo.
As fortalezas terão mantido as suas funções militares até meados do século XIX. Sabe-se que em 1877 o Forte do Pessegueiro foi ocupado pela Guarda Fiscal, que aí se manteve até ao ano de 1942, depois da qual foi abandonado.
O Forte do Pessegueiro viria a ser classificado como de interesse público em 1957, classificação que em 1974 se estendeu ao Forte da Ilha de Dentro.
Em 1983 a DGEMN encetou obras de beneficiação da estrutura; no entanto, uma vez que os espaços não foram reocupados, o forte entraria novamente em decadência. No ano de 2008 voltava novamente a ser intervencionado, fruto de uma parceria entre o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade e a Câmara Municipal de Sines.
Catarina Oliveira
DGPC, 2022
Diploma de Classificação
Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (esclareceu que a classificação abrange o Forte da Ilha de Dentro) (ver Decreto)
Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (classificou o Forte do Pessegueiro, incluindo a ilha do mesmo nome) (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível