Nota Histórico-Artistica
A igreja de Nossa Senhora da Guia teve origem na confraria com a mesma invocação, que integrava mercadores e clérigos, e que foi instituída na muito remota ermida de São Vicente Mártir, entre o final de Quinhentos e o início do século XVII. O crescimento da confraria conduziu a que, no segundo quartel de Seiscentos, os irmãos sentissem a necessidade de construir uma igreja mais ampla, facto ainda mais imperioso pela ruína que se apoderava da antiga ermida, motivada pela proximidade do rio. Foi assim que, com a aquisição, em 1628, à Misericórdia, do chão e das pedras pertencentes ao antigo Hospital dos Gafos, teve início a construção da igreja de Nossa Senhora da Guia. Cerca de um século mais tarde, em 1746, o templo foi objecto de nova campanha de obras, acrescentando-se então a galilé e a casa anexa. Ao nível das campanhas decorativas, é possível distinguir uma primeira fase de azulejaria de padrão seiscentista, outra de talha proto-barroco, e outra ainda de talha e trabalhos de estuque de influências neoclássicas.
A igreja desenvolve-se numa planta longitudinal, com galilé, nave única e capela-mor, encontrando-se do lado direito a sacristia, a casa paroquial e a torre sineira, de planta quadrada.
A galilé é aberta em três lados, por arcos de volta perfeita. No alçado principal, com pilastras nos cunhais, exibe ainda uma janela oval e é rematado por nicho central com a imagem de Nossa Senhora da Guia, enquadrada por volutas e fogaréus. O portal, de verga recta, com pilastras e fogaréus, é ladeado por duas janelas.
O interior contrasta vivamente com a depuração do exterior, conjugando a qualidade reflectora do azulejo com a talha dourada e os trabalhos de estuque. A nave e a capela-mor são percorridas por um silhar de azulejos de padrão polícromo, identificado por Santos Simões, no âmbito do corpus da azulejaria portuguesa como o P-605, limitado pelo friso F-6 (SIMÕES, 1971, p. 21).
A talha proto-barroca extravasa já o âmbito dos retábulos, estendendo-se, ainda que de modo relativamente contido, às sanefas sobre as janelas de iluminação do templo e ao arco triunfal. Na nave, para além dos dois altares, coexistem ainda dois púlpitos e o coro-alto. Por sua vez, a capela-mor, coberta por abóbada de caixotões pintados, exibe também retábulo de talha dourada.
(Rosário Carvalho)
Diploma de Classificação
Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível