Nota Histórico-Artistica
Criada em 1397 por D. João Anes, arcebispo de Lisboa, em terras situadas, então, no termo da capital, a freguesia dos Olivais compreendia à época pequenos aglomerados urbanos, espalhados por uma vasta área, que ia desde o Grilo, a sul, até Sacavém, a norte, incluindo Marvila e Cabo Ruivo. A extensão da freguesia só viria a ser alterada em meados do século XVIII, com a criação da freguesia do Beato.
A igreja paroquial dos Olivais terá sido edificada no início da centúria seguinte, e a malha do conjunto urbano que hoje é conhecida como Olivais Velho começou a definir-se no século XVI, com a construção de casas em redor da matriz.
A partir do século XVII, a nobreza lisboeta começou a construir as suas quintas de recreio em terras da freguesia dos Olivais, que até então estavam maioritariamente inseridas nos domínios de comunidades religiosas. Foi também na centúria de Seiscentos que se instalou na freguesia uma comunidade de frades arrábidos, que aí fundou o Convento de S. Cornélio, do qual não restam quaisquer vestígios.
O violento terramoto de 1755 destruiu a igreja paroquial, prontamente reconstruída. Foi nesta época que se delineou o Rossio - que mais tarde seria nomeado Praça Viscondessa dos Olivais - no antigo campo da feira, situado na zona posterior da igreja matriz, abrindo-se também os primeiros arruamentos, como a Calçadinha dos Olivais, a Rua Nova ou a Rua das Casas Novas.
Delimitando a praça, dispõem-se várias casas de dois pisos, edificadas na sua maioria na segunda metade do século XIX. Algumas destas habitações foram mandadas construir pelo industrial Francisco Alves Gouveia, dono da fábrica de estamparias, à época sediada na Rua das Casas Novas, para albergar os seus funcionários.
No conjunto urbano destaca-se a Casa Viscondessa dos Olivais, situada num dos topos da praça, um edifício de dimensões consideráveis, com quatro portões no piso térreo e nove janelas de sacada com varandins de ferro no piso superior. Este edifício, datado de 1866, foi adquirido por D. Maria Rosa da Veiga Araújo, Viscondessa dos Olivais, que aí fundou em 1896 um asilo para crianças pobres. Actualmente, funciona no local uma creche e jardim de infância, pertencentes à Fundação D. Pedro IV.
O centro da praça, delineado por um rectângulo calcetado, com árvores, foi sendo aproveitado, ao longo dos tempos, para as actividades recreativas do bairro. Em 1896, foi erigido um coreto em ferro fundido, assente sobre uma base de tijolo, onde a Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense, criada em 1886, realizava concertos. O coreto foi sendo restaurado por inúmeras vezes ao longo do século XX. Junto a este, foi erguido em 1891 pela Câmara Municipal de Lisboa um chafariz de tanque circular, com guarda de ferro e coluna central, também em ferro, com duas torneiras.
Catarina Oliveira
DIDA / IGESPAR, I.P./ 16 de Novembro de 2007
Diploma de Classificação
Decreto n.º 8/83, DR, I Série, n.º 19, de 24-01-1983 (ver Decreto)
Edital N.º 172/81 de 9-11-1981 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 16-03-1981 do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 10-03-1981 da Comissão "ad hoc" do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de classificação de 10-09-1980 do IPPC
Número do Processo
Não disponível