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Ulysses

Património Cultural, I.P.

Detalhes do Imóvel

Informação completa e documentação histórica.

Ermida de Nossa Senhora dos Mártires

Arquitectura Religiosa / Ermida

Designação
Designação Atual
Ermida de Nossa Senhora dos Mártires
Outras Designações
Ermida de Nossa Senhora dos Mártires (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Tipologia
Ermida
Itinerário Temático
N/A
Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
As informações acerca da capela de Nossa Senhora dos Mártires não são abundantes. A primeira notícia de que temos conhecimento, chegada aos nossos dias por via cronística - e, por isso, encarada com evidentes reservas - dá conta de uma primitiva fundação no reinado de D. Sancho I, durante os escassos três anos em que a cidade esteve em poder dos cristãos, onde inclusivamente se terão sepultado alguns companheiros de conquistas do nosso segundo rei. Desse primeiro edifício, que a ter sido construído seguiria certamente um figurino ainda bem românico, nada se conservou até hoje, facto que acentua as dúvidas acerca da real execução dessa campanha.
Os vestígios materiais mais antigos que ali se conservam datam dos séculos XIII ou XIV (DOMINGUES, 2ªed., 2002, p.87) e dizem respeito a lápides tumulares de homens importantes do burgo baixo-medieval, algumas mesmo de bispos.
Todavia, em termos arquitectónicos, o elemento mais antigo actualmente conservado é a capela-mor, edificada durante o ciclo manuelino. O arco triunfal, de perfil quebrado, possui três arquivoltas, a exterior das quais torsa. A abóbada da capela é estrelada, assente em quatro mísulas nas extremidades e com bocetes decorados, tendo-se representado, num deles, o camaroeiro, símbolo tão claramente indicativo da acção da rainha D. Leonor. Exteriormente, esta capela é bastante diferente do restante conjunto, construída segundo um plano rectangular bastante rigoroso e coroada com merlões que reforçam a sugestão de altura, mas também o tempo artístico em que foi levantada. Manuel Castelo Ramos supõe tratar-se de uma obra dos "inícios da terceira década de Quinhentos" (RAMOS, 1996, p.100), datação que testemunha bem a ampla diacronia do Manuelino algarvio, mas perfeitamente coerente perante os elementos artísticos preservados.
Não sabemos se a campanha manuelina se alargou também ao corpo da capela. Infelizmente, em consequência do Terramoto de 1755, todo o corpo ruiu e a nova construção - ao que tudo indica terminada em 1779, ano que se encontra inscrito no portal principal - denuncia claramente as opções barrocas tardias que vemos em outros monumentos da região. A semelhança entre o registo superior da empena principal - ladeada por volutas e enquadrando inferiormente um óculo -, com a solução praticamente idêntica da frontaria da Sé de Silves foi já notada (DOMINGUES, 2ªed., 2002, p.87) e também o perfil estilisticamente incaracterístico da nave se enquadra nas apressadas obras que se seguiram ao terramoto.
No interior, para além das numerosas lápides a que já fizemos referência, destaca-se o retábulo-mor, do século XVII, e os retábulos laterais, já setecentistas.
Apesar das suas reduzidas dimensões e das múltiplas transformações por que passou, ao longo dos séculos, a Capela de Nossa Senhora dos Mártires é o templo que prova como a construção religiosa medieval de Silves não se limitou apenas à grandiosa obra da Sé. Com certeza existiu um conjunto mais vasto de templos, na cidade, construídos ou remodelados durante os anos do Gótico Final, uma dinâmica construtiva que se alargou ao ciclo manuelino, neste caso, através de uma campanha parcial, tão comum à época, mas integrando elementos relativamente raros no conjunto tardo-manuelino da região.
PAF
Diploma de Classificação
Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)
Número do Processo
Não disponível
Proteção
Classificado
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

ZEP n/a
Afectação 12699926
Abrangido em ZEP ou ZP
Sem registos associados
Outra Classificação
Sem registos associados
Localização
Faro / Silves / Silves
Gaveto da Rua D. Afonso III com o Largo Mártires Pátria
Silves -
Polícia:
LATITUDE
37.189474
LONGITUDE
-8.4437
Cronos - Linha do Tempo
Interativo
1755
1755, todo o corpo ruiu e a nova construção - ao que tudo indica terminada em 1779, ano que se encontra inscrito no p...
1779
1779, ano que se encontra inscrito no portal principal - denuncia claramente as opções barrocas tardias que vemos em ...
1961
1961 (ver Decreto) As informações acerca da capela de Nossa Senhora dos Mártires não são abundantes. A pr
1996
1996, p.100), datação que testemunha bem a ampla diacronia do Manuelino algarvio, mas perfeitamente coerente perante ...
2002
2002, p.87) e dizem respeito a lápides tumulares de homens importantes do burgo baixo-medieval, algumas mesmo de bisp...
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BIBLIOGRAFIAS
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Bibliografia

Título Autor(es) Tipo Data Local
"Decoração arquitectónica manuelina na região de Silves (séculos XV-XVI)", Revista Xelb, nº3, 1996, pp.79-142 RAMOS, Manuel Francisco Castelo Edição 1996 Silves
Silves. Guia turístico da cidade e do concelho DOMINGUES, José Domingos Garcia Edição 2002 Silves
Silves. Guia turístico DOMINGUES, José Domingos Garcia Edição 1958 Silves

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