Nota Histórico-Artistica
Imóvel
Erguido na margem direita da foz do rio Cávado, sobranceiro à praia, o Forte de Esposende é uma edificação militar executada no dealbar do século XVIII. Originalmente, a fortificação correspondia a uma estrutura de planta estrelada com um baluarte em cada vértice onde se erguiam guaritas de secção hexagonal. No interior, albergava os edifícios destinados à guarnição, nomeadamente casernas e uma capela. Da fortaleza subsistem atualmente dois vértices com as respetivas guaritas.
Na face norte do antigo forte ergue-se um conjunto edificado correspondente a quatro edifícios, um grande corpo retangular virado à praia, no centro do qual se ergue um farol metálico, e três corpos quadrangulares que se lhe adossam na fachada oposta formando um E, com pátios internos.
História
O Forte de Esposende, também conhecido por Forte de São João Baptista, foi mandado edificar por ordem do rei D. Pedro II, integrando-se num conjunto de fortificações construídas ao mesmo tempo entre as zonas de Vila Praia de Âncora e Esposende.
Esta empreitada militar regional, num período muito posterior à Guerra da Restauração, permite considerar que na última década de Seiscentos foi elaborado um plano para erigir novas estruturas militares na linha de defesa da fronteira noroeste do Reino. O objetivo seria certamente reforçar o poder de fogo das fortalezas já existentes no litoral minhoto, então considerado insuficiente. Para além deste forte na foz do Cávado, foram erigidos os fortes da Lagarteira e do Cão, perto da foz do rio Minho, bem como os fortins da Areosa e de Montedor, mais junto à foz do rio Lima.
O Forte de Esposende iniciou-se no ano de 1699, com a abertura dos alicerces. As obras seriam terminadas poucos meses depois, em Junho de 1702, tendo sido então nomeado como governador da praça de armas António da Cunha Sotto Mayor.
A autoria do projeto da fortaleza é atribuída ao engenheiro Manuel Pinto Vila Lobos, tendo sido a construção dirigida pelo mestre Pedro da Rocha Vale, natural de Vila Nova de Cerveira. (AMÂNDIO: 1996, p. 54).
Em 1866 a estrutura do forte foi modificada, com a destruição de parte da estrutura original, para a construção de um farolim e da habitação do faroleiro. Em 1913 as entidades de Esposende consideravam que o alcance luminoso do farolim era insuficiente, pelo que pediam ao Ministério da Marinha que o substituísse por um farol, com mais potência.
No ano de 1922 era encomendada à Barbier, Bénard & Turenne, uma empresa francesa especialista em sistemas de iluminação para faróis, uma torre de ferro de quinze metros, com uma lanterna que iluminava um perímetro de 270 graus e sete metros de altura de foco, concluída em Abril de 1925. Este farol é uma das raras torres faroleiras metálicas existentes em Portugal. O sistema luminoso do farol viria a ser modernizado por duas vezes, em 1980 e em 1999.
O Forte de Esposende foi classificado como imóvel de interesse público em 1982. O seu farol continua em funcionamento.
Catarina Oliveira
DGPC, 2020
Diploma de Classificação
Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)
Despacho (data?) do Secretário de Estado da Instrução e Cultura a determinar a classificação como IIP
Parecer (data?) da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Proposta (data?) de classificação da DGAC
Número do Processo
Não disponível