Nota Histórico-Artistica
Construídas durante o século I d. C., com uma reutilização que se prolongou até aos séculos III e IV d. C., propiciando, desta forma, a realização de algumas obras de adaptação e melhoramento, estas termas do período romano no nosso território terão sido pela primeira vez referidas por José Leite de Vasconcelos em 1914.
Entretanto, entre as décadas de vinte e de quarenta do século XX teve lugar a edificação da actual Escola Primária de Grândola precisamente no local onde tinham sido detectadas estas estruturas antigas, o que resultou na destruição de diversos dos seus principais vestígios.
Por fim, foi entre 1989 e 1990 que se procedeu à primeira grande campanha de escavações arqueológicas neste importante sítio, sob coordenação geral de Marisol Ferreira e de João Faria. Estruturada em duas grandes fases a fim de se proceder a sondagens nos terrenos adjacentes ao perîmetro da Escola, para onde se projectava, aliás, expandi-la, pretendeu-se com esta metodologia de investigação obter uma leitura mais abrangente e aproximada da realidade primordial destas termas, nomeadamente no tocante à sua extensão. Estes dois anos revelaram-se, felizmente, suficientes para se identificarem vestígios de algumas das estruturas preexistentes, o que se revelou determinante para a sua classificação em 1996.
Naquele que poderá ser considerado como o primeiro núcelo destas termas descobriu-se um conjunto das suas mais antigas estruturas, divididas entre si na forma de compartimentos bem delineados por muros, encontrando-se todos pavimentados em opus signium. A esta hipotética primeira fase corresponderão elementos arquitectónicos, como quatro tanques de pequenas dimensões, duas salas e uma piscina - natatio -, por cima da qual encontraram-se dois fornos circulares para o fabrico de imbrices, ou seja, telhas de canudo.
A construção destes fornos deverá ter ocorrido numa altura em que o local foi completamente abandonado, embora seja possível que os fornos pertencessem a um hipocaustum, e que tenham sido sujeitos a uma ulterior reutilização.
Na sequência das investigações levadas a cabo no perîmetro adjacente à Escola Primária, encontrou-se uma sepultura de inumação, realizada com lateres, e à qual se encontrou associado um colar de ouro, engastado, além de algumas moedas de bronze dos tempos de Augusto, de Alexandre Severo, de Constantino, bem como uma de Emerita Augusta.
Estas últimas evidências parecem indicar a existência de estruturas habitacionais às quais se encontrariam agremiadas as termas, assim como de outras estritamente vocacionadas para a prática agrícola - além de um provável povoado -, como se poderá deduzir pela proximidade da ribeira de Grândola e pela existência de uma barragem romana localizada a c. de 2 km a S. destes vestígios arqueológicos. Com efeito, o facto desta última estrutura romana encontrar-se a uma cota mais elevada, facilitava, não apenas a irrigação dos terrenos de cultivo, em si, como o próprio abastecimento de águas imprescindíveis ao normal funcionamento das termas romanas.
[AMartins]
Diploma de Classificação
Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)
Número do Processo
As termas encontram-se dentro do recinto da Escola Primária de Grândola, à qual se pode aceder pela EN. 120 e, já dentro da localidade, percorrer a R. D. Nuno Álvares Pereira, ou a R. Nossa Senhora da Penha